AI Lighthouse Awards mede maturidade estratégica de IA nas empresas brasileiras
O AI Lighthouse Awards, realizado pela CI&T em parceria com a Fundação Dom Cabral, inaugurou um prêmio dedicado a avaliar o uso estratégico da inteligência artificial em companhias no Brasil. O encontro reuniu executivos, pesquisadores e especialistas em inovação para discutir resultados, casos e caminhos práticos de adoção da tecnologia no ambiente corporativo, com foco em como transformar ideias em impacto real.
A abertura ficou a cargo de Cesar Gon, fundador e CEO da CI&T, que revisitou marcos tecnológicos recentes, da internet aos smartphones, do big data à nuvem, até o ponto que considera divisor de águas, o lançamento do GPT-3.5 em 2022, que abriu a era do consumo da inteligência artificial. Para ele, vivemos um momento que pede ambição e responsabilidade. Nas palavras do executivo, “Vivemos o capítulo mais disruptivo da história da computação, e cabe a nós transformar essas possibilidades em valor para empresas, acionistas e para a sociedade”.
Ao mesmo tempo, Gon alertou que muitas iniciativas em IA ainda fracassam pela falta de conexão humana e propósito, pela herança de tecnologias fragmentadas e pela complexa equação de riscos envolvendo segurança, privacidade e confiança. Sua defesa é clara, a inteligência artificial que transforma negócios precisa colocar as pessoas no centro. Como disse, “Os projetos de IA que dão certo são aqueles que entendem a tecnologia como expansão da nossa capacidade de resolver problemas, e não como substituição do humano.”
Por que o humano é o motor da disrupção em IA
A proposta de uma inteligência artificial que transforma negócios nasce da escolha deliberada por liderança com propósito e foco no impacto, e não apenas em eficiência. O discurso de abertura no AI Lighthouse Awards colocou o respeito ao usuário, a proteção de dados e a confiança como elementos inegociáveis para sustentar resultados em escala. Ao reconhecer erros comuns de implementação e a necessidade de governança ativa, o evento promoveu um debate imperativo para organizações que buscam produtividade com responsabilidade.
No centro dessa visão, a adoção de IA deve ser vista como uma expansão da capacidade humana, com equipes empoderadas por agentes inteligentes e guardrails sólidos. Quando iniciativas surgem sem objetivo claro, quando os dados estão dispersos ou quando riscos de segurança e privacidade não são tratados de maneira sistêmica, o potencial de retorno se perde. Por isso, a inteligência artificial que transforma negócios começa no desenho de processos orientados a valor, amparados por critérios de ética, segurança e transparência.
AI Human First na prática, lacunas e pilares para escalar
Paula Englert, CEO da Box1824, apresentou o conceito AI Human First, destacando que o verdadeiro diferencial competitivo da inteligência artificial está nas pessoas. Seu diagnóstico reposiciona o eixo de valor na era da IA generativa, que evolui das plataformas para soluções integradas e personalizadas. A velocidade dessa mudança é inédita, enquanto a mecanização levou cerca de dois séculos para se consolidar e a digitalização, cerca de vinte anos, a IA generativa se disseminou em menos de dois. Essa aceleração impõe às organizações o desafio de equilibrar autonomia tecnológica e protagonismo humano, evitando que a tecnologia vire apenas uma camada de eficiência operacional.
Englert mapeou três lacunas que travam resultados, a lacuna geracional, que separa jovens que já constroem aplicações completas de lideranças que ainda tratam a IA como busca, a lacuna de confiança, refletida no medo de substituição, e a lacuna de conhecimento, que expõe a escassez de profissionais qualificados. Para superá-las, não basta investir em software. É preciso requalificar pessoas, ajustar a estratégia de negócios, implantar governança e consolidar plataformas tecnológicas responsáveis. Em outras palavras, a inteligência artificial que transforma negócios exige reskilling, estratégia, governança e tecnologia, combinados a uma cultura de aprendizado contínuo e uso responsável.
Ao endereçar essas lacunas, empresas conseguem transformar ceticismo em confiança e curiosidade em domínio prático. O resultado é uma adoção de IA que acelera processos, melhora a experiência do cliente e cria novas ofertas, sempre com salvaguardas de privacidade e qualidade, critérios essenciais para expansão sustentável.
Da experimentação à orquestração, ganhos de 5x a 20x com supervisão humana
Leandro Angelo, vice-presidente da CI&T, detalhou o modelo de transformação em três atos que a companhia aplica internamente e em clientes, experimentação, aceleração e disrupção. No início, times testam ferramentas de modo descentralizado, com impacto restrito. Em seguida, surgem plataformas internas e governança alinhada aos objetivos estratégicos. Por fim, ocorre a integração de pessoas, processos e tecnologia sob um modelo operacional único, o que o executivo define como “a orquestração da IA”.
Os números relatados ilustram a mudança de ordem de grandeza, projetos que antes duravam 28 meses na era pré-digital passaram a nove meses com metodologias ágeis e, agora, podem ser concluídos em dias com o uso de agentes de IA autônomos. Em termos de produtividade, a CI&T reporta ganhos de 5x em modelos AI-augmented e de 20x em processos AI-orchestrated, nos quais sistemas passam a tomar decisões sob supervisão humana. Para sustentar essa evolução, a empresa vem promovendo programas de reskilling, revisões de processos e a criação de plataformas internas seguras, com princípios de responsabilidade e confiabilidade.
A mensagem final reforça a dimensão organizacional dessa jornada. Como resumiu Angelo, “Não se trata apenas de implementar IA, mas de transformar a forma como a organização trabalha com ela”. O recado ecoa o espírito do AI Lighthouse Awards, a inteligência artificial que transforma negócios depende de líderes que colocam o humano no centro, de governança que cria confiança e de tecnologia que amplia a capacidade criativa das equipes. Quando pessoas e máquinas agem em orquestra, a inovação deixa de ser piloto e passa a ser vantagem competitiva sustentável.