Relatório da Lakera, empresa da Check Point Software, mapeia a escalada dos ataques a agentes de IA no 4º tri de 2025, com avanço de ataques indiretos e risco ampliado em fluxos automatizados
Os ataques a agentes de IA avançaram com velocidade em 2025, em paralelo à adoção corporativa de sistemas autônomos conectados a documentos, fontes externas e ferramentas de execução. Segundo a Lakera, ligada à Check Point Software, os criminosos estão reagindo rapidamente a cada nova capacidade liberada pelas empresas, explorando brechas de configuração, comportamentos de cadeia e pontos cegos de governança.
“O avanço dos agentes de inteligência artificial (IA) para aplicações reais de negócios já está sendo acompanhado de perto por cibercriminosos.” A constatação, extraída do novo relatório da Lakera, é reforçada por um dado central do estudo, baseado em tentativas reais registradas em aplicações protegidas pelo Lakera Guard e em interações no ambiente Gandalf: Agent Breaker.
De acordo com a análise, “o vazamento de prompts de sistema respondeu por cerca de 60% de todo o tráfego de ataque observado no quarto trimestre de 2025”, tornando-se o principal vetor de risco para ambientes baseados em agentes. O recorte foi feito ao longo de 30 dias de observação no período, com categorização por intenção e técnicas de ataque.
Vazamento de prompts lidera ataques e revela foco dos invasores
O relatório destaca que os invasores priorizam entender a lógica interna dos agentes antes de partir para ofensivas mais sofisticadas. Nessa linha, o vazamento de prompts de sistema, que delineia regras, funções e limites dos modelos, concentrou aproximadamente 60% do tráfego malicioso. A busca por instruções internas abre caminho para ataques subsequentes, já que expõe como o agente reage, filtra e decide em fluxos automatizados.
Na segunda posição, com cerca de 20% das tentativas, surgem ações voltadas a burlar proteções de conteúdo. O estudo registra, de forma literal, que “Tentativas de burlar mecanismos de segurança de conteúdo apareceram como o segundo vetor mais frequente, respondendo por cerca de 20% dos ataques”, muitas vezes disfarçadas como pedidos de análise, resumos, reescritas ou cenários de simulação e role play.
Atividades de reconhecimento, classificadas como sondagens de intenção desconhecida, representaram aproximadamente 12% do tráfego. Esse movimento indica que os atacantes testam limites, mapeiam fragilidades e coletam sinais para compor ataques em etapas. Já o vazamento de dados confidenciais respondeu por cerca de 8% dos incidentes, refletindo riscos intrínsecos aos workflows automatizados que processam informações sensíveis ao longo de cadeias de decisão.
Os pesquisadores da Lakera resumem o esforço de pesquisa afirmando que “Os pesquisadores da Lakera analisaram por um período de 30 dias as atividades maliciosas registradas no quarto trimestre de 2025. Cada tentativa de ataque foi enquadrada em uma de cinco categorias de intenção e em oito tipos de técnicas.”
Ataques indiretos se tornam mais eficazes na era dos agentes
Uma mudança decisiva no panorama é a ascensão dos ataques indiretos. Em vez de injetarem prompts diretamente no chat, os criminosos escondem instruções maliciosas em documentos, páginas web e estruturas de dados que os agentes consultam ao executar tarefas. O relatório enfatiza, textualmente, que “O relatório também aponta o crescimento dos ataques indiretos, nos quais instruções maliciosas não são inseridas diretamente pelo usuário, mas ocultadas em documentos, páginas web ou conteúdos estruturados processados pelos agentes de IA.”
Essa abordagem tem se mostrado mais eficiente do que a injeção direta de comandos, exigindo menos tentativas e ampliando a taxa de sucesso, especialmente quando os agentes são integrados a sistemas corporativos de busca, navegação e automação. O estudo observa ainda que “Os dados mostram ainda que muitas falhas de segurança não ocorrem no prompt inicial, mas durante a interação do agente com múltiplas fontes externas, ferramentas e tarefas em várias etapas, ampliando de forma significativa a superfície de ataque.”
Além disso, começam a surgir ofensivas viáveis apenas em ambientes com agentes, como a inserção de instruções em formato de script em cadeias de processamento e a manipulação via fontes externas não confiáveis. Nesse cenário, o risco extrapola o conteúdo gerado e se estende a todo o ciclo de decisão, execução e interação do agente, uma mudança de paradigma que pressiona a governança de segurança corporativa.
Prioridades para 2026, prevenção, visibilidade e controles contínuos
A Lakera alerta que não é suficiente tratar a proteção de agentes como mera extensão da segurança de chatbots tradicionais. Cada nova integração amplia a superfície de ataque, o que demanda arquitetura de segurança sob medida. O relatório ressalta que “Cada documento ingerido, ferramenta acionada, chamada externa ou decisão automatizada passa a representar um potencial ponto de comprometimento.”
No plano estratégico, a recomendação é explícita. Segundo o estudo, “preparar 2026 exige uma abordagem de segurança baseada em prevenção, visibilidade e controle contínuo ao longo de todo o fluxo operacional da IA”, garantindo proteção não apenas no resultado final, mas em todas as interações que sustentam o funcionamento do agente e impactam os processos de negócio.
Essa diretriz se conecta ao achado de que “o risco deixa de se concentrar apenas no conteúdo gerado e passa a abranger todo o ciclo de decisão, execução e interação do agente.” Em outras palavras, proteger os agentes de IA significa monitorar, validar e restringir, de ponta a ponta, desde a ingestão de dados até o disparo de ações, com controles de conteúdo, políticas de acesso e supervisão contínua das ferramentas acionadas.
Para as empresas brasileiras, a mensagem é clara, os ataques a agentes de IA devem ser tratados como prioridade imediata. Antecipar riscos, fortalecer defesas contra vazamento de prompts de sistema e blindar fluxos automatizados com camadas de verificação pode reduzir a exposição e mitigar impactos em 2026. A pressão regulatória e a necessidade de confiança nos resultados de IA tendem a acelerar esse movimento, alinhando inovação e segurança no mesmo roteiro.