Preferência por marcas próprias dispara no Brasil em 2025, diz EY: qualidade percebida melhora, gôndolas ganham destaque e consumidores buscam economia

FCI da EY indica que 76% veem melhora na qualidade das marcas próprias, 84% notam redução de embalagens e 66% afirmam economizar com private labels

Em meio ao avanço dos preços no varejo e à percepção de embalagens menores, as marcas próprias vêm ganhando espaço no carrinho do consumidor brasileiro. Segundo o Future Consumer Index da EY, 76% dos entrevistados no Brasil percebem melhoria na qualidade desses produtos, um índice 13 pontos percentuais acima da média global, sinalizando um novo patamar de confiança e relevância para os rótulos de redes varejistas.

O estudo, que monitora tendências de comportamento de consumo, mostra que o movimento em direção às marcas próprias está diretamente ligado ao cenário de custos elevados e à busca por alternativas mais acessíveis. O hábito de comparar preço por grama, observar ofertas e testar novas opções vem se intensificando, favorecendo as linhas de private label em supermercados e plataformas digitais.

Preços em alta e embalagens menores aceleram a migração para marcas próprias

A pressão sobre o orçamento das famílias aparece com força nos dados. Cerca de 84% dos consumidores afirmam ter percebido redução no tamanho das embalagens sem redução proporcional dos preços, enquanto 83% relatam ter mudado seus hábitos de consumo após o aumento dos custos. Nesse contexto, 66% concordam que as marcas próprias ajudam a economizar, um crescimento de sete pontos percentuais em relação à pesquisa de 2024.

Para a EY, a mudança de percepção de qualidade é decisiva nessa trajetória. Como resume Cristiane Amaral, sócia da EY e líder do segmento de consumo, produtos e varejo para a América Latina, “Se antes havia dúvida sobre a qualidade desses produtos, hoje eles são vistos como uma alternativa concreta e confiável para o consumidor”. A fala ajuda a explicar por que as linhas de marcas próprias deixaram de ser opção de entrada e passaram a competir diretamente com marcas tradicionais em diferentes categorias.

Qualidade percebida em alta e mais espaço nas gôndolas impulsionam a escolha

Além da confiança, a disponibilidade e a visibilidade das marcas próprias aumentaram de forma consistente. O estudo aponta que 76% dos entrevistados notaram crescimento da presença desses produtos nas gôndolas, índice 12 pontos acima da média global, chegando a 84% entre consumidores de maior renda. Outro avanço relevante está no posicionamento nas lojas, já que 70% afirmam que esses itens estão em locais de maior destaque nas prateleiras.

Esse reposicionamento, somado à curadoria de portfólio e ao reforço de comunicação nas lojas, contribui para elevar a percepção de valor de marcas próprias. Com embalagens mais atuais, foco em qualidade e preços competitivos, as redes criam uma proposta que conversa com a dor de preço, mas também com a busca por experiência de compra simples e confiável.

Brasileiros topam experimentar, e marcas tradicionais encaram novo desafio

O apetite para testar novas opções também está mais forte no Brasil. De acordo com a EY, 41% dos consumidores estão dispostos a experimentar novas marcas, dez pontos acima da média global. Na mesma direção, 64% dizem que as marcas próprias atendem às suas necessidades da mesma forma que as marcas tradicionais, o que pressiona fabricantes estabelecidos a irem além da reputação para justificar preços mais altos.

Nesse cenário, ganha peso a avaliação de Cristiane Amaral, que destaca a mudança de comportamento e seus efeitos sobre a lealdade às marcas de fábrica: “Esse comportamento reforça a falta de lealdade a marcas tradicionais e o espaço crescente para que private labels ampliem sua presença e relevância”. Para o varejo, a oportunidade é expandir sortimento, manter a consistência de qualidade e trabalhar diferenciais por categoria. Para as indústrias, o desafio passa por inovação, valor agregado e narrativa de qualidade comprovada.

Os resultados do Future Consumer Index se baseiam em um levantamento global da EY que ouviu 20,2 mil pessoas em 27 países entre 24 de janeiro e 20 de fevereiro de 2025, incluindo 1.003 entrevistados no Brasil. O recorte local ajuda a dimensionar a velocidade com que as marcas próprias avançam em um mercado sensível a preço e mais aberto a experimentar.

Com qualidade percebida em alta, maior destaque nas prateleiras e preços competitivos, as marcas próprias consolidam sua relevância no Brasil. A tendência, capturada pela EY, indica que o mix certo de custo-benefício, disponibilidade e comunicação clara pode manter esse ciclo virtuoso, beneficiando consumidores, fortalecendo o varejo e redefinindo a dinâmica competitiva com as marcas tradicionais.

Rolar para cima