70% das PMEs não usam IA e não confiam totalmente em ferramentas digitais no Brasil, aponta Panorama PayPal 2025

O novo Panorama PayPal: PMEs e o Comércio Digital no Brasil 2025 expõe um paradoxo no empreendedorismo nacional. A digitalização é quase total entre pequenos e médios negócios, chegando a 99%, porém a desconfiança com a tecnologia permanece elevada. Segundo o estudo, 70% das PMEs não usam IA e não confiam totalmente em ferramentas digitais, o que limita a adoção de soluções mais avançadas, como inteligência artificial, e dificulta a escalada das operações.

O levantamento ouviu empreendedores de todas as regiões do Brasil e revela que a liberdade financeira e a flexibilidade de tempo seguem como os grandes motores para empreender, citadas por 60% e 47% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, a realidade impõe barreiras claras, como instabilidade, burocracia e falta de orientação, o que mantém muitos negócios em ritmo abaixo do potencial em um comércio cada vez mais digital.

Confiança é a nova moeda do crescimento

Além da baixa confiança, experiências prévias ruins com tecnologia estão no centro do problema. O estudo indica que 72% dos empreendedores relatam experiências negativas, o que reforça o receio em migrar para ferramentas mais complexas, inclusive de IA. Na hora de escolher fornecedores, a régua é alta: segurança é o critério número um para 49%, seguida por facilidade de uso para 39% e custos para 33%. Suporte técnico aparece para 27% e reputação da marca, para 22%.

Para Brunno Saura, general manager do PayPal no Brasil, o desafio central está em consolidar credibilidade. Como ele resume, “Compreender a realidade dos pequenos e médios negócios é o primeiro passo para fortalecer o ecossistema e criar as ferramentas certas para apoiar o crescimento. Sem credibilidade nas soluções e nos provedores, o avanço fica limitado. A confiança — pessoal, institucional e tecnológica — tornou-se a moeda essencial para começar, escalar e prosperar”. A fala reforça que confiança, segurança e previsibilidade são pilares para aumentar a adoção de ferramentas digitais e, em especial, de inteligência artificial.

Digitalização é quase universal, mas IA segue no freio

Os dados mostram que a presença digital é ampla, com 99% das PMEs utilizando algum tipo de solução online e 77% já operando com plataformas de pagamento. Ainda assim, o passo seguinte rumo à automação e ao uso de IA não acontece no mesmo ritmo. A combinação entre experiências negativas e baixa confiança mantém a inteligência artificial no radar, porém distante da rotina da maioria dos pequenos e médios negócios.

Essa hesitação tem efeito direto no crescimento. Enquanto 51% apontam a concorrência com grandes empresas como um obstáculo, 43% relatam dificuldade em aumentar as vendas e 41% têm desafios para atrair novos clientes. Em um ambiente competitivo, a adoção de IA e soluções avançadas de dados poderia ajudar a personalizar ofertas, automatizar processos e melhorar a conversão, mas a desconfiança segue como freio, reforçando o achado central do estudo: 70% das PMEs não usam IA e não confiam totalmente em ferramentas digitais.

O PayPal destaca que oferece camadas robustas de proteção e simplicidade para reduzir fricções. Nas palavras de Saura, “No PayPal, nosso papel é ser a ponte entre confiança e tecnologia, ou seja, entre o presente e o futuro. Oferecemos uma plataforma com segurança global, monitoramento antifraude em tempo real e simplicidade em integrações, desde links de pagamento a soluções de checkout avançadas. Transformamos a tecnologia em uma experiência previsível e segura para que o empreendedor possa focar no que é mais importante: no seu negócio”.

Crédito curto, burocracia alta e realidades regionais

O levantamento indica que as condições estruturais também pesam na adoção tecnológica. Sete em cada dez PMEs não têm acesso a crédito para expandir operações, o que reduz a capacidade de investir em ferramentas, qualificação e automação. O medo de errar é realidade para 55%, a burocracia é citada por 45% como entrave e 40% convivem com inseguranças financeiras, um quadro que limita o apetite a risco e retarda a inovação.

As diferenças regionais ajudam a explicar nuances do mercado. No Nordeste, 67% empreendem pela liberdade financeira, porém a falta de planejamento estratégico é a principal necessidade, citada por 24%. No Sudeste, 52% temem errar e perder conquistas, com demanda por apoio jurídico para 28%. No Centro-Oeste, 60% convivem com insegurança financeira em ciclos sazonais e apontam carência em logística e operação para 27%. No Sul, 49% buscam equilíbrio e sustentabilidade de longo prazo, também com demanda por suporte jurídico para 27%. No Norte, 97% já usam redes sociais, mas 55% têm dificuldade em formar parcerias.

Para avançar, o estudo sugere que soluções adaptadas ao contexto local, combinadas com segurança, antifraude em tempo real e facilidade de integração, podem reduzir o atrito na jornada digital, aumentar a confiança e criar base para adoção de IA. Como conclui Saura, “Entender essas nuances é essencial para criar soluções que realmente façam sentido para cada negócio. Nosso compromisso é oferecer tecnologia segura e simples, adaptada às necessidades locais, para que todos possam crescer com confiança — enquanto seguimos revolucionando a forma como o comércio acontece no mundo.”, afirma Saura.

Enquanto o Brasil segue como um país altamente empreendedor e digital, o recado do estudo é claro: fortalecer a confiança, ampliar o acesso ao crédito e simplificar a experiência tecnológica são passos decisivos para que a inteligência artificial deixe de ser promessa e se torne rotina nas PMEs. Sem isso, 70% das PMEs não usam IA e não confiam totalmente em ferramentas digitais continuará sendo o retrato fiel de um potencial ainda subaproveitado.

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