Ciberataques disparam em outubro de 2025: Brasil registra 3.206 tentativas semanais, explosão de ransomware e IA generativa eleva risco, aponta Check Point Research

Estudo da CPR revela 801 casos de ransomware no mês e mostra que uma em cada 44 solicitações a ferramentas de IA generativa contém dados sensíveis, com órgãos públicos e educação entre os mais atingidos no Brasil

O cenário de ciberataques ganhou novo patamar em outubro de 2025, segundo a Check Point Research (CPR). O levantamento mais recente indica aceleração do volume de tentativas de invasão, avanço de ransomware em escala global e um fator adicional de risco vindo da IA generativa, que tem sido explorada por criminosos para amplificar a exposição de dados sensíveis. No Brasil, o quadro é ainda mais intenso, com médias semanais superiores às da América Latina e uma pressão crescente sobre setores críticos.

Os dados apontam que, no período, as organizações enfrentaram em média 1.938 tentativas de ataque por semana, uma alta de 2% em relação a setembro e de 5% na comparação com o mesmo mês de 2024. A América Latina liderou os índices regionais, com 2.966 ataques semanais por organização, enquanto o Brasil registrou 3.206 ataques, um crescimento de 14% em relação a outubro de 2024 e acima dos 2.733 ataques semanais observados em setembro.

Panorama setorial e casos no Brasil: alvos prioritários e novas campanhas

Os setores com grande volume de dados operacionais ou de usuários permaneceram entre os mais atingidos. Globalmente, educação, telecomunicações e governo apresentaram as maiores médias semanais de ataques. No Brasil, órgãos públicos lideraram a lista, seguidos por educação e energia, o que reflete a atratividade de ambientes com dados críticos e serviços essenciais.

Entre os incidentes recentes, hotéis no país foram alvo de campanhas com o malware VenomRAT, atribuídas ao grupo RevengeHotels, que resultaram em roubo de dados de pagamento. O episódio reforça a combinação de técnicas tradicionais de infecção com táticas mais sofisticadas de coleta de credenciais e informações financeiras, ampliando o impacto dos ciberataques no varejo de hospitalidade e em cadeias de serviço conectadas.

Para além do volume, chama a atenção a persistência dos atacantes e a capacidade de adaptação às defesas corporativas. Setores intensivos em dados, com operações digitais críticas, seguem expostos a ataques de phishing, engenharia social e exploração de vulnerabilidades que buscam acesso inicial, pivotando depois para movimentações laterais e encriptação de ativos com ransomware.

IA generativa sob escrutínio: exposição de dados e risco corporativo

O relatório da CPR chama atenção para o papel da IA generativa na amplificação dos riscos de vazamento de dados. Segundo a análise, uma em cada 44 solicitações enviadas por usuários corporativos continha informações que poderiam provocar exposição de dados. O índice alcançou 87% das organizações que fazem uso regular dessas ferramentas, um sinal de que a governança de dados e de acesso ainda não acompanha o ritmo de adoção.

O uso médio diário de plataformas de IA cresceu 8% no período, e as empresas utilizaram, em média, 11 ferramentas de IA generativa por mês, muitas delas sem supervisão, o que ampliou a circulação de informações em sistemas externos. O estudo observou ainda que a exposição de código-fonte e credenciais avançou em proporção superior a outros tipos de dados, como informações pessoais ou financeiras, um ponto crítico para cadeias de desenvolvimento e operações em nuvem.

Esse movimento cria um ciclo de risco, em que dados vazados em prompts, repositórios e integrações de terceiros podem ser reaproveitados por atores maliciosos para comprometer identidades, automatizar ataques e acelerar a exploração de falhas. Em um ambiente de ciberataques em alta, a gestão de acesso, a classificação de dados e o monitoramento de uso de IA surgem como camadas essenciais de contenção.

Ransomware em alta, geografia dos incidentes e grupos mais ativos

Em outubro, foram registrados 801 casos de ransomware divulgados publicamente, um aumento de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior. A América do Norte concentrou a maioria dos incidentes, seguida pela Europa. Os Estados Unidos responderam pela maior parcela dos casos, seguidos por Canadá e França, uma distribuição que acompanha o grau de digitalização e o potencial financeiro das vítimas.

Entre os agentes mais atuantes, os grupos Qilin, Akira e Sinobi foram responsáveis por quase 40% dos ataques reportados, confirmando a concentração de capacidade ofensiva em coletivos com infraestrutura de afiliação, cadeias de extorsão e táticas mistas de dupla e tripla extorsão.

Para a CPR, o avanço simultâneo do volume de ciberataques e da exposição de dados impulsionada pela IA generativa cria um horizonte de risco ampliado. Como resume Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da CPR, “os dados mostram evolução simultânea no número de ataques e na capacidade dos invasores explorarem informações expostas por meio de IA generativa, o que amplia o potencial de incidentes futuros”.

O quadro de outubro indica que a segurança digital entra em um ciclo de maior pressão, no qual a combinação de ransomware, IA generativa e vazamento de dados sensíveis exige respostas mais rápidas e integrais. Para o Brasil, com 3.206 tentativas de ataque por semana e setores públicos e educacionais no topo das estatísticas, a prioridade recai sobre visibilidade, segmentação e proteção de identidades, além de políticas claras para o uso de ferramentas de IA no ambiente corporativo.

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