Abecs: pagamentos com cartões batem recorde no 3º trimestre e a aproximação dispara
Os pagamentos com cartões cravaram um novo recorde no terceiro trimestre de 2025, impulsionados pelo avanço do crédito e pela adoção massiva do pagamento por aproximação. Segundo balanço da Abecs, a indústria movimentou R$ 1,1 trilhão no período, uma alta de 10,5% na comparação anual, o melhor desempenho para um terceiro trimestre na série histórica.
Em nota, os dados da entidade registram que "Os pagamentos com cartões de crédito, débito e pré-pagos movimentaram R$ 1,1 trilhão no terceiro trimestre de 2025, registrando crescimento de 10,5%". O resultado reforça a trajetória de digitalização dos meios de pagamento no país, com mais brasileiros privilegiando conveniência, velocidade e segurança nas compras presenciais e online.
Crédito lidera, débito estabiliza e pré-pago avança
Entre as modalidades, o cartão de crédito voltou a ser o principal motor dos pagamentos com cartões, somando R$ 794,7 bilhões, alta de 15,2% no trimestre. O cartão de débito registrou R$ 248 bilhões, desempenho estável em relação ao ano anterior, enquanto o cartão pré-pago movimentou R$ 98 bilhões, avanço de 3,9%.
No crédito, a composição segue equilibrada entre compras à vista e parceladas sem juros. De acordo com a Abecs, 57,1% do valor está associado a transações à vista, enquanto 42,7% correspondem a compras parceladas. Entre as vendas a prazo, 64,5% são feitas em até 6 vezes, 33,6% em 7 a 12 parcelas e apenas 1,9% acima de 12 vezes, um retrato de um parcelamento mais concentrado em prazos curtos, com sem juros ganhando espaço.
O ritmo de uso também cresceu. "No terceiro trimestre, o uso dos cartões atingiu 12,1 bilhões de transações, valor 5,5% maior em relação ao terceiro trimestre de 2024", aponta o levantamento. Em média, foram 131 milhões de pagamentos por dia. Por modalidade, o crédito foi o mais utilizado, com 5,5 bilhões de transações, alta de 9,8%, seguido do débito com 4,2 bilhões e variação de 0,9%, e do pré-pago com 2,4 bilhões, avanço de 4,4%.
Aproximação domina compras presenciais e o online acelera
A popularização do pagamento por aproximação consolidou uma mudança de hábitos no varejo físico. Segundo a Abecs, "os pagamentos por aproximação via sistema de cartões movimentaram R$ 485,9 bilhões no terceiro trimestre do ano", um crescimento de 29,3% na comparação anual. Em cinco anos, a tecnologia saltou de 3,9% para 72,8% de representatividade nas compras presenciais com cartões no Brasil, tornando-se a inovação que mais cresceu no período. A entidade estima que, até o fim de 2026, a aproximação responda por mais de 80% das transações presenciais.
Nos canais digitais, os pagamentos não presenciais também registraram forte tração. As compras pela internet, aplicativos e carteiras digitais somaram R$ 292,8 bilhões no trimestre, alta de 19,4%. O destaque ficou com o cartão de débito, que vem ganhando espaço no e-commerce, avançando 26,2% no período. Em relação ao pré-pandemia, o salto é expressivo: entre o 3º trimestre de 2019 e o 3º trimestre de 2025, o uso do débito online cresceu 471,1%, enquanto o do cartão de crédito expandiu 210,5%. Esses números reforçam a migração contínua para meios eletrônicos, com conveniência e segurança alavancando os pagamentos com cartões também no ambiente digital.
Gastos no exterior reagem e setores do varejo e serviços aceleram
Com a retomada das viagens, os gastos de brasileiros no exterior, utilizando cartões, somaram US$ 4,8 bilhões (R$ 26,3 bilhões) entre julho e setembro, alta de 16,5% na comparação anual. Estados Unidos e Europa responderam por 76,8% do total, somando R$ 20,1 bilhões, crescimento de 9,1%. Outros destinos também avançaram, com a América (sem EUA) em R$ 3,3 bilhões e alta de 5,9%, Ásia em R$ 1,2 bilhão e 32,8%, Oceania em R$ 1,3 bilhão e impressionantes 558,4%, além da África com R$ 176,2 milhões e 22,7%. Já os estrangeiros gastaram US$ 1,3 bilhão (R$ 7,2 bilhões) com cartões no Brasil, alta de 5,8%, segundo dados do Banco Central.
No recorte por segmentos, o varejo viu um salto em livraria e afins, com crescimento de 83,6% em valor transacionado com cartões. Na sequência aparecem alimentação, com alta de 22,6%, e eletrônicos e eletrodomésticos, com 21,1%. Também avançaram roupas, sapatos e acessórios (17,6%) e autopeças (15,1%). Entre os serviços, quem liderou foi o segmento de profissionais liberais, com 42,3%, seguido por serviços médicos (25,6%), seguros (19%), companhias aéreas e afins (15,2%) e turismo e afins (13,9%).
A análise regional mostra o peso do Sudeste na rede de pagamentos com cartões. A região movimentou R$ 596,8 bilhões no trimestre, crescimento de 6,8% na comparação anual, e respondeu por 57,8% de todo o valor transacionado, refletindo a maior concentração de consumo e de atividade econômica.
Com a combinação de crédito em alta, aproximação dominante nas compras presenciais e aceleração dos canais digitais, os pagamentos com cartões consolidam um novo patamar no Brasil. A tendência apontada pela Abecs, de participação acima de 80% da aproximação até 2026, indica que a conveniência seguirá no centro das decisões de consumo, com impactos diretos no varejo, nos serviços e nas viagens.