BWS IoT integrará rastreamento à constelação LEO compatível com 3GPP Release 17, com conectividade híbrida NB-IoT, menor custo e alcance em áreas sem sinal
A BWS IoT anunciou uma parceria estratégica com a espanhola Sateliot, pioneira em redes de satélite 5G NTN NB-IoT em órbita terrestre baixa, para expandir a conectividade da Internet das Coisas no Brasil e, depois, no mercado global. A colaboração coloca a BWS IoT no centro de uma nova geração de dispositivos e serviços capazes de operar de forma híbrida, alternando entre redes móveis terrestres e cobertura via satélite, de acordo com o padrão 3GPP Release 17.
Pelo acordo, a BWS IoT integrará sua tecnologia de rastreamento, já utilizada em veículos e ativos logísticos, à rede global LEO da Sateliot. Na prática, isso permitirá enviar dados mesmo em áreas sem cobertura das operadoras tradicionais, ampliando a visibilidade de ativos em regiões remotas e reduzindo custos operacionais por meio de um modelo de comunicação escalável e integrado às redes existentes.
O movimento também marca um passo relevante para o novo programa de certificação e capacitação da Sateliot no país, batizado de Conecta Brasil LEO NTN, que pretende acelerar a adoção da IoT em diferentes setores, conectando provedores locais a uma oferta de 5G IoT via satélite.
Como funciona a conectividade híbrida NB-IoT via LEO
A Sateliot é reconhecida como a primeira empresa do mundo a operar uma constelação de satélites LEO compatível com o 3GPP Release 17, que define especificações para a integração entre redes móveis terrestres e redes não terrestres (NTN). Em termos práticos, o mesmo cartão SIM e o mesmo hardware de dispositivos NB-IoT usados nas redes celulares podem alternar automaticamente para a cobertura via satélite quando necessário, o que entrega uma experiência de conectividade contínua e sem a necessidade de equipamentos proprietários.
Segundo a Sateliot, essa abordagem acelera a interoperabilidade e reduz barreiras de adoção para fabricantes, integradores e empresas usuárias, uma vez que os dispositivos podem operar em múltiplos cenários, do campo às rodovias, mantendo a telemetria e o rastreamento ativos. “Essa parceria com a BWS IoT é um passo essencial para demonstrar, na prática, o poder da conectividade híbrida NB-IoT (4G e 5G) via LEO”, explica Gianluca Redolfi, Diretor de Criação da Sateliot.
Ao destacar a relevância do país na estratégia de expansão, Redolfi afirma: “O Brasil é um dos mercados mais estratégicos para nós, devido à sua extensão territorial e à necessidade urgente de levar conectividade a áreas atualmente isoladas. Juntos, estamos pavimentando o caminho para um ecossistema de IoT verdadeiramente global, contínuo e acessível.”
Impacto no agronegócio e no transporte de cargas
Na primeira fase, a BWS IoT focará o agronegócio e o transporte de cargas, verticais que concentram grande demanda por conectividade em áreas remotas. A companhia ressalta que, segundo dados combinados de entidades regulatórias e do setor, ainda existe um grande desafio de cobertura no país. “Segundo dados da Anatel e da GSMA, entre 80% e 82% do território brasileiro ainda não possui cobertura celular efetiva, o que limita o avanço das aplicações da IoT. Nossa missão é eliminar essas lacunas de conectividade, permitindo que a Internet das Coisas chegue a qualquer lugar”, afirma Oswaldo Conti-Bosso, Presidente da BWS IoT.
Conti-Bosso acrescenta que a combinação da rede terrestre com o satélite LEO reduzirá custos e ampliará o alcance de projetos em larga escala. “Com a Sateliot, podemos oferecer um modelo de comunicação escalável e de baixo custo, totalmente integrado às redes existentes.” Com isso, soluções de rastreamento de frotas, telemetria de máquinas, sensores em lavouras e segurança de ativos ganham robustez e continuidade, mesmo em rotas e regiões fora do sinal convencional.
Na prática, a proposta é entregar uma oferta com base em NB-IoT que mantenha a simplicidade de integração já consolidada no ecossistema celular, mas com a resiliência da cobertura via satélite. “Ofereceremos um produto que combina rastreamento terrestre e via satélite, a um custo muito mais atrativo do que o modelo tradicional de comunicação via satélite. Isso muda completamente o jogo para quem precisa de visibilidade e controle em áreas sem cobertura”, destaca o executivo.
Cronograma, certificação e próximos passos
A parceria é descrita como um marco para o programa Conecta Brasil LEO NTN, que abre acesso direto à conectividade global via satélite 5G IoT LEO para provedores locais de soluções. A iniciativa busca acelerar a certificação e capacitação de integradores e fabricantes, garantindo interoperabilidade entre dispositivos, redes e plataformas de gestão.
Segundo as empresas, o lançamento dos primeiros dispositivos com conectividade híbrida está previsto para 2026, após a conclusão dos testes de interoperabilidade entre as plataformas da BWS IoT e da Sateliot. Até lá, pilotos setoriais devem validar o desempenho em diferentes cenários, desde fazendas e áreas de reflorestamento até corredores logísticos com baixa cobertura.
Além do agro e do transporte, a combinação entre LEO e NB-IoT deve impulsionar aplicações em monitoramento ambiental, segurança logística, infraestrutura e gestão de ativos, ampliando a competitividade e a eficiência operacional. Ao reduzir barreiras de cobertura e custo, a BWS IoT e a Sateliot miram um ecossistema conectado de ponta a ponta, com dispositivos capazes de se manter online independentemente da disponibilidade de rede celular.
Para o mercado brasileiro, o avanço representa uma oportunidade de acelerar a digitalização do campo e das cadeias de suprimento, com impacto direto na produtividade e na prevenção de perdas. A aposta da BWS IoT em satélite de baixa órbita adiciona um novo patamar de alcance à IoT, preparando o terreno para uma expansão que combina padronização global, integração simples e cobertura verdadeiramente ampla.