Gen aponta escala inédita de golpes e ataques personalizados movidos por IA
A escalada do cibercrime ganhou velocidade com a inteligência artificial, e os sinais no terceiro trimestre de 2025 são claros: golpes mais persuasivos, violações de dados mais graves e rastreamento digital mais sofisticado. De acordo com o Relatório de Ameaças do 3º trimestre de 2025 da Gen, empresa por trás de marcas como Norton, Avast, LifeLock e MoneyLion, IA e automação impulsionam uma nova onda de cibercrime direcionado que explora múltiplos canais para enganar consumidores e empresas, do phishing ao smishing.
O estudo registra mais de 140 mil sites de phishing gerados por IA bloqueados desde janeiro, um crescimento de 82% nos incidentes de violação de dados em relação ao trimestre anterior, além de cerca de 37 milhões de tentativas mensais de device fingerprinting barradas. Para o CTO de Segurança Cibernética da Gen, Siggi Stefnisson, o momento é de inflexão. "A inteligência artificial mudou a escala e a velocidade do cibercrime", afirma. "Ela está sendo usada para produzir golpes em massa, personalizar ataques de ransomware e atingir pessoas com uma precisão nunca vista antes. Nossa missão é manter-nos um passo à frente, usando a IA para proteger, e não para enganar, oferecendo defesa em tempo real em todos os momentos em que as pessoas vivem e trabalham no universo online".
A Gen destaca que essa explosão de golpes está cada vez mais pessoal, com adversários automatizando a persuasão para capturar credenciais de alto valor. O Brasil figura entre os países mais visados, ao lado de Estados Unidos, França e Alemanha, um indicativo de como o mercado local se tornou alvo preferencial de campanhas em larga escala.
Fábricas de phishing por IA escalam golpes com "VibeScams"
Uma das tendências mais marcantes mapeadas pela equipe de pesquisa da Gen é a ascensão das fábricas de phishing criadas por IA. Com construtores de sites baseados em inteligência artificial, criminosos conseguem lançar páginas fraudulentas de alta qualidade em minutos, imitando com precisão marcas reais e induzindo vítimas a informar dados sensíveis. Os pesquisadores batizaram esse fenômeno de "VibeScams", enfatizando que o sucesso depende menos de programação e mais da capacidade de convencer.
O caso típico começa com uma mensagem falsa de entrega, pagamento ou atualização de conta, que direciona a um site clone para solicitar dados de cartão. Desde o início de 2025, a Gen bloqueou mais de 140 mil desses domínios fraudulentos criados com IA. A atividade manteve-se alta no 3º trimestre, com os Estados Unidos, França, Brasil e Alemanha entre os principais alvos.
Essa profissionalização do phishing, agora apoiada por geração de conteúdo, design e até chatbots, reduz drasticamente o custo do crime e amplia o alcance das campanhas, pressionando consumidores e pequenas empresas que não contam com camadas robustas de proteção.
Vazamentos focam "qualidade", smishing ganha força e perdas disparam
Os vazamentos de dados também mudaram de perfil. A Gen registrou uma alta de 82% nos eventos de violação ante o trimestre anterior, com foco em credenciais reutilizáveis e de alto valor. Segundo o relatório, 83% das violações continham senhas, enquanto os vazamentos de dados de contato básicos diminuíram, sinalizando uma preferência dos criminosos por insumos que viabilizam account takeovers e fraudes silenciosas.
Os alertas de uso indevido de identidade acompanhados pela telemetria da Gen mostram que empréstimos rápidos representam 32% das tentativas de roubo de identidade relacionadas a finanças, seguidos por solicitações fraudulentas de cartão de crédito, bloqueios de proteção e atualizações não autorizadas de contas bancárias. Paralelamente, as fraudes por mensagem crescem com o apoio da IA: a análise de centenas de milhões de SMS identificou padrões de isca que exploram urgência e rotina. As cinco principais campanhas responderam por 26% de todos os textos maliciosos, incluindo ofertas de emprego falsas, golpes de reembolso, alertas de impostos e multas, propostas de investimento e notificações de entrega.
O dano financeiro acompanha a curva de adoção dos golpes mobile-first. De acordo com a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), as pessoas relataram US$ 470 milhões em perdas por golpes via mensagem em 2024, uma alta de cinco vezes em relação a 2020. A telemetria da Gen aponta aceleração adicional, já que criminosos combinam textos escritos por IA com vozes clonadas e chatbots, estendendo o engano por múltiplos canais e dificultando a verificação por parte das vítimas.
Rastreamento digital, criptografia em debate e defesa em tempo real
Mesmo quando consumidores limpam cookies e adotam ferramentas de privacidade, o rastreamento digital evolui. A Gen reporta uma média mensal de 247 milhões de rastreadores bloqueados e 37 milhões de rastros digitais detectados, evidenciando o avanço do device fingerprinting como forma de seguir usuários pela web sem cookies. As soluções das marcas da Gen, como Norton e Avast, identificam esses sinais e os bloqueiam ou mascaram as informações coletadas, fortalecendo a proteção de dados no dia a dia.
No campo regulatório, o debate sobre criptografia voltou a ganhar força no Reino Unido e na União Europeia, com preocupação crescente de que backdoors propostos para acesso a dados criptografados por autoridades possam, na prática, reduzir a privacidade e a segurança de todos. A Gen também celebrou um avanço defensivo: pesquisadores descobriram uma falha crítica na criptografia do ransomware Midnight e lançaram uma ferramenta de descriptografia gratuita que permite recuperar arquivos sem pagamento de resgate, aliviando especialmente pequenas empresas e consumidores que sofrem as maiores perdas quando não há backup.
Para um panorama completo sobre como IA e automação impulsionam uma nova onda de cibercrime direcionado e as recomendações de proteção, acesse o Relatório de Ameaças do 3º Trimestre de 2025 da Gen. A leitura oferece dados acionáveis e mostra por que a combinação de defesa em tempo real, higiene digital e desconfiança saudável com mensagens e links é essencial para reduzir riscos.