Relatório de Maturidade em IA 2025 revela descompasso: 74% veem IA como essencial, mas menos da metade já opera soluções em produção

Panorama do Relatório de Maturidade em IA 2025

O Relatório de Maturidade em IA 2025, produzido pela Indicium em parceria com a PureSpectrum, confirma que a adoção de inteligência artificial está no centro das estratégias de inovação das empresas. Segundo o estudo, 74% das empresas acreditam que a IA é fundamental para o futuro dos negócios, um patamar elevado que evidencia o peso da tecnologia na competitividade e eficiência.

Apesar do consenso sobre a importância, o relatório mostra um freio claro na execução. Menos da metade já colocou soluções em produção, cenário que expõe um descompasso entre ambição e maturidade tecnológica. A principal barreira está na base, com limitações de qualidade, integração e confiabilidade dos dados afetando diretamente o ritmo de implementação.

O documento aponta ainda que 66% das organizações querem escalar iniciativas de IA nos próximos anos, mas o avanço depende de uma infraestrutura moderna e governança consistente. Em outras palavras, ampliar o uso de modelos sem arrumar a casa de dados traz riscos de custo, baixa acurácia e dificuldade em produzir valor sustentado.

Descompasso entre ambição e maturidade tecnológica

Os números do Relatório de Maturidade em IA 2025 deixam evidente que a corrida pela IA se choca com um problema estrutural, a falta de uma base sólida de dados. Sem padronização, linagens confiáveis, integrações estáveis e catálogos que garantam contexto, a melhor modelagem estatística não atinge o potencial esperado no ambiente de produção.

O estudo ressalta que gargalos de dados comprometem desde o processamento em tempo real até a integração entre plataformas, o que afeta a confiabilidade das informações usadas pelos sistemas de IA. Matheus Dellagnelo, cofundador e CEO da Indicium, sintetiza o ponto central ao afirmar: “As empresas já entenderam que a IA é essencial para competitividade e eficiência, mas muitas ainda subestimam o papel da base de dados nessa jornada. Não se trata apenas de colocar modelos em produção, e sim de construir uma infraestrutura moderna, com dados de qualidade e governança sólida para sustentar resultados reais”.

Sem esse alicerce, o caminho para escalar a IA fica mais longo. A partir dos dados do Relatório de Maturidade em IA 2025, a recomendação é clara, modernizar a pilha de dados, elevar a governança e garantir a qualidade como pré-requisito para eficiência de modelos e automação de ponta a ponta.

Setor financeiro lidera, porém com infraestrutura de dados defasada

O relatório indica que o setor financeiro está mais adiantado na adoção, com 67% das empresas já operando soluções de IA em diferentes departamentos. Ainda assim, a fotografia da infraestrutura preocupa. 92% dos profissionais de TI que atuam no segmento reconhecem que a infraestrutura de dados ainda está aquém do ideal, um alerta que reforça a necessidade de acelerar a modernização.

O detalhe da percepção interna amplia o diagnóstico. 52% classificam essa estrutura como obsoleta ou desatualizada e 40% afirmam que, embora moderna, ela não se compara às melhores do mercado. Essa defasagem cria gargalos que limitam o processamento em tempo real, dificultam a integração de dados e comprometem a confiabilidade das informações usadas pelos sistemas de IA, o que atrasa tanto novos casos de uso quanto a escalabilidade dos que já existem.

Mesmo com bases desafiadoras, o setor já colhe resultados práticos. 59% das empresas financeiras já utilizam IA para automação de processos e 56% para gestão de qualidade e governança de dados. O próximo passo é ampliar o alcance, 74% das companhias do setor afirmam que a prioridade para os próximos dois a três anos é expandir o uso de IA em toda a organização, índice superior ao de outros segmentos, que chegou a 66%.

Como escalar a IA com dados confiáveis e capacitação

A modernização de dados ganhou um propósito claro. A habilitação de IA é o principal objetivo dessas iniciativas e foi citada por 72% dos profissionais do setor financeiro, número semelhante ao de outros segmentos, que alcançou 70%. A melhoria na integração entre plataformas também surge como prioridade para 72% das instituições, reforçando que interoperabilidade e arquiteturas modulares são o caminho para destravar projetos.

Ainda assim, há um reconhecimento de que a base precisa evoluir. 46% dos entrevistados admitem não estar prontos para aproveitar plenamente os dados em projetos de IA por causa de falhas de qualidade e governança. A advertência de Dellagnelo reforça o ponto, “Sem dados confiáveis, qualquer estratégia de IA fica comprometida. Escalar modelos sem resolver problemas de origem, integração e qualidade é como construir um arranha-céu sobre uma base instável”.

Para acelerar a curva de maturidade destacada pelo Relatório de Maturidade em IA 2025, as empresas planejam fortalecer pessoas e parcerias. 70% das empresas apontam a necessidade de investir em treinamento interno, enquanto 46% destacam a importância de reforçar parcerias externas, em uma abordagem que combina governança, engenharia de dados e MLOps para resultados sustentáveis.

Na visão do executivo da Indicium, a coordenação entre cultura, tecnologia e especialistas é decisiva para transformar ambição em produtividade, “O sucesso em IA moderna depende de um esforço coletivo. É preciso combinar capacitação, cultura orientada por dados e colaboração com especialistas que dominem a jornada completa de modernização”. Em síntese, consolidar uma infraestrutura de dados confiável é o eixo que permite colocar modelos em produção, manter desempenho, auditar decisões e, sobretudo, escalar a IA com segurança.

O recado do Relatório de Maturidade em IA 2025 é direto, a inteligência artificial já é prioridade estratégica, porém a captura de valor depende de bases fortes. Investir em dados de qualidade, integração consistente e governança robusta é a condição para que a IA deixe o laboratório, chegue à produção e entregue impacto mensurável em toda a organização.

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