Adoção de IA corporativa dispara, ChatGPT Enterprise cresce 8 vezes em 2025, mas especialistas da MATH dizem que sem governança, integração e infraestrutura o país não converte uso em competitividade
A IA corporativa virou peça de infraestrutura crítica para a competitividade, como confirma o relatório The State of Enterprise AI 2025, divulgado pela OpenAI. A pesquisa mostra salto expressivo de uso, embora o Brasil ainda opere de forma fragmentada, sem a integração necessária para transformar adoção em resultado sustentável. Segundo o documento, o ChatGPT Enterprise registrou crescimento médio de 8 vezes em 2025, enquanto o consumo de raciocínio estruturado por organização, medido em tokens, explodiu em 320 vezes. Além disso, 75% dos trabalhadores afirmam ter aumentado a produtividade com a IA.
Na prática, o país está entre os maiores usuários globais de ferramentas generativas. A OpenAI já havia apontado que o Brasil está entre os três países que mais utilizam o ChatGPT, com cerca de 140 milhões de mensagens diárias, um volume que impressiona. Porém, esse uso massivo de IA corporativa não se traduz automaticamente em maturidade operacional, o que acende um alerta entre especialistas da MATH, consultoria que acompanha a evolução do tema em grandes empresas.
Relatório da OpenAI expõe salto de uso da IA corporativa, mas evidencia necessidade de estrutura
Os números do The State of Enterprise AI 2025 ajudam a dimensionar a virada de chave. O avanço do ChatGPT Enterprise, combinado ao aumento de 320 vezes no consumo de tokens para raciocínio estruturado por organização, indica que as companhias estão incorporando a IA em processos críticos, com maior profundidade analítica e automação.
Esse movimento vem acompanhado de ganhos concretos de produtividade, já que 75% dos trabalhadores relatam desempenho superior com o uso de IA no dia a dia. Para o mercado, o recado é inequívoco, a IA corporativa já não é projeto experimental, mas parte da infraestrutura de negócio, exigindo governança de dados, segurança, integração com sistemas legados e métricas de valor claramente definidas.
Sem visão sistêmica, o Brasil transforma a IA corporativa em iniciativas isoladas
Para Marcel Ghiraldini, VP de Estratégia da MATH, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é aplicada nas organizações brasileiras. “O relatório confirma um ponto crítico: temos adoção massiva, mas ainda falta estrutura. O problema não é a tecnologia, mas sim a forma como estamos utilizando-a. Quando unirmos essa adoção em massa com governança, integração e métricas, criaremos uma visão sistêmica capaz de colocar a economia brasileira em rota acelerada de eficiência e competitividade global”.
Ghiraldini reforça que, enquanto outros mercados migram para modelos integrados de IA corporativa, o Brasil segue com implementação dispersa. “Há uso intenso, mas disperso. Sem visão sistêmica, escala e governança, a IA se torna um conjunto de iniciativas isoladas — não uma vantagem competitiva”.
O CTO da MATH, Sérgio Larentis, alerta para a distância entre potencial e estrutura. “Não podemos romantizar a adoção de IA na América Latina. O Brasil não possui infraestrutura local de larga escala para treinar grandes modelos, e nossa legislação impõe restrições claras ao processamento de determinados dados fora do território nacional”. Segundo ele, “Isso impõe complexidade regulatória e exige investimentos significativos para que possamos competir com segurança e conformidade. Por isso, torna-se ainda mais essencial adotar plataformas, frameworks e operadores especializados que garantam governança, performance, segurança e aderência regulatória”.
Da adoção ao valor de negócio, o passo que falta para a IA corporativa no Brasil
Transformar o volume de uso em vantagem competitiva pede um desenho sistêmico, com foco em processos, dados e governança. Na avaliação da MATH, as organizações que lideram a corrida global de IA corporativa são as que priorizam o problema de negócio e orquestram humanos e agentes de IA em fluxos contínuos. Como sintetiza Larentis, “O que o mercado global está mostrando é que as organizações que mais avançam em IA são justamente aquelas que tratam a tecnologia como meio — não como fim. O relatório da OpenAI reforça que as empresas líderes resolveram problemas reais antes de construir projetos, integraram humanos e agentes de IA em fluxos contínuos e criaram estruturas de governança capazes de sustentar escala”.
Para o Brasil e a América Latina, a janela de oportunidade existe, mas é finita. O país reúne uma base ampla de usuários, profissionais engajados e um ecossistema em ebulição, porém ainda carece de integração entre áreas, padrões de dados, segurança e compliance para sustentar escala. Como resume Ghiraldini, “Empresas brasileiras e da América Latina que adotarem visão sistêmica — combinando estratégia, governança, integração e responsabilidade — poderão transformar a adoção acelerada de IA em produtividade real, eficiência e competitividade global. As que permanecerem presas ao modelo de ‘projetos desconectados’ correm o risco de perder terreno em um mercado que já não disputa apenas inovação, mas capacidade de execução”.
Em outras palavras, a corrida da IA corporativa não será vencida pela quantidade de ferramentas, mas pela qualidade da arquitetura, pela clareza do valor de negócio e pela capacidade de implementar com governança. Quem fechar essa conta primeiro, com infraestrutura, integração e métricas, tende a converter o boom de uso em produtividade, eficiência e vantagem competitiva sustentável.