Chatbot Ângela da Natura une dados, acolhimento humano e protocolos oficiais para orientar vítimas, garantir privacidade e acionar rede segura de apoio
Em um cenário de violência de gênero que segue alarmante no País, a Natura fortalece uma resposta baseada em inovação com propósito e cuidado. Há cinco anos, o Brasil registra média de quatro feminicídios por dia, conforme dados do Ministério da Justiça, realidade que evidencia a urgência de soluções acessíveis, seguras e eficazes para apoiar mulheres.
Nesse contexto, o chatbot Ângela da Natura surge como um canal de orientação no WhatsApp que combina tecnologia, acolhimento humanizado e protocolos reconhecidos de assistência. Desenvolvida pelo então Instituto Avon, a ferramenta foi incorporada ao Instituto Natura em 2024, ampliando a estratégia de advocacy e conscientização pelo fim da violência contra as mulheres com uma governança robusta de proteção de dados e supervisão humana.
Desde 2020, a Ângela acumula 68.890 acessos e já promoveu atendimento humanizado para 2.019 mulheres, conectando cada história a uma rede qualificada de apoio. A solução evidencia como a tecnologia, quando orientada por propósito, pode salvar vidas e encurtar o caminho até as políticas públicas e serviços de proteção.
Como o chatbot Ângela da Natura funciona na prática
O chatbot Ângela da Natura inicia a conversa por uma trilha automatizada de mensagens no WhatsApp, com linguagem clara e acolhedora. A cada sinal de risco, ou sempre que a usuária pede apoio, uma profissional humana assume o atendimento imediatamente, garantindo uma escuta ativa qualificada e sigilosa.
O protocolo inclui a aplicação do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (FONAR), referência nacional para identificar ameaças e definir prioridades. A partir desse diagnóstico, é construído um plano individual de atendimento, que orienta os próximos passos, sempre respeitando a vontade e o contexto de cada mulher.
Quando necessário, as usuárias são encaminhadas a serviços públicos especializados, como Delegacias da Mulher, centros de referência e atendimento jurídico e psicológico gratuito. Para garantir segurança no deslocamento, há apoio de transporte seguro, em parceria com a Uber, até os equipamentos de proteção, de maneira discreta e sem custos.
“A tecnologia tem potencial para transformar realidades, mas isso só acontece quando nasce de um propósito. Na Natura, ela está à serviço das mulheres. A Ângela foi construída para apoiar e orientar e, quando necessário, conectar cada usuária a uma rede de apoio segura, com absoluto respeito à privacidade. Para nós, tecnologia só faz sentido quando amplia humanidade”, afirma Renata Marques, CIO da Natura.
Impacto social: atendimentos, encaminhamentos e transporte seguro
Os números mostram a maturidade do projeto. Além dos 68.890 acessos e dos 2.019 atendimentos desde 2020, apenas em 2025 a Ângela realizou 458 atendimentos, sendo 219 encaminhamentos para políticas públicas e 120 apoios de transporte seguro via parceria com a Uber até delegacias. A plataforma não substitui os canais oficiais do Estado, por isso, “a plataforma não funciona como canal de denúncia, mas direciona as mulheres aos órgãos públicos oficiais”.
Para muitas vítimas, a jornada de busca por ajuda é difícil, permeada por medo e dúvidas. O chatbot Ângela da Natura reduz barreiras, oferece informação confiável e acelera o acesso à rede de proteção. Como ressalta Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas Pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, “Muitas mulheres sentem vergonha e não sabem onde e como pedir ajuda. Geralmente, o acionamento policial é o último recurso ao qual a mulher recorre. Então, oferecer um canal à palma da mão, no celular, em que ela pode buscar informações confiáveis e ter um aconselhamento especializado é fundamental para evitar que essa violência se perpetue”.
Com linguagem acessível, confidencialidade e respostas imediatas, a ferramenta se consolida como ponto de partida estratégico para quem precisa de orientação, seja para entender direitos, seja para acionar a rede de atendimento com segurança.
Privacidade e governança: dados anonimizados e supervisão humana
O pilar de confiança do chatbot Ângela da Natura está na proteção rigorosa de dados e na governança técnica. Nenhum dado pessoal é armazenado e todos os indicadores são anonimizados, o que impede qualquer identificação das usuárias. A governança conta com o Centro de Excelência (COE) de dados e comitês de uso responsável da tecnologia, que realizam auditorias, curadoria contínua e melhorias de aplicabilidade.
Esse desenho garante que a tecnologia não substitua o humano, mas amplie o cuidado. O atendimento é híbrido, com automação para agilidade e supervisão humana especializada para acolhimento ético. Toda a articulação é feita pelo Instituto Natura com parceiros técnicos, assegurando rigor, empatia e efetividade na implementação de protocolos reconhecidos nacionalmente.
Ao unir inovação social, responsabilidade com dados e acolhimento, a Ângela demonstra como soluções digitais podem cumprir um papel vital no enfrentamento à violência doméstica e no fortalecimento de direitos. Em um País onde a violência de gênero segue em patamar crítico, iniciativas como o chatbot Ângela da Natura mostram que tecnologia, quando bem orientada, pode ser sinônimo de proteção, autonomia e vida.