Maturidade de AppSec segue atrás do ritmo de inovação e das novas superfícies de ataque, alertam líderes; mercado global de AppSec deve crescer de US$ 7,5 bilhões em 2025 para US$ 21 bilhões em 2032
Um estudo inédito da Conviso acende um alerta entre executivos de segurança no Brasil: a maturidade de AppSec das empresas não está avançando na mesma velocidade da transformação digital. Segundo entrevistas qualitativas com líderes de segurança de organizações consideradas entre as mais inovadoras do país, há um consenso de que muitos programas ainda operam com modelos de proteção desenhados para uma realidade que já não existe.
Na prática, enquanto APIs, integrações em nuvem e ciclos de deploy acelerados expandem as superfícies de ataque, times de engenharia seguem apoiados em práticas pensadas para ambientes menos dinâmicos. Essa defasagem ajuda a explicar por que, mesmo com investimentos crescentes, a maturidade de AppSec não acompanha a complexidade das ameaças, especialmente com o avanço da inteligência artificial generativa.
Para Jecilene Amaro, especialista da Conviso, a resposta passa por uma mudança abrangente na forma como segurança é planejada e executada nos ciclos de software: “O desafio agora é integrar inteligência, cultura e automação ao ciclo de engenharia. Segurança é continuidade, não custo”, afirma.
O estudo também contextualiza o movimento global do setor: o mercado de AppSec deve crescer de US$ 7,5 bilhões em 2025 para US$ 21 bilhões em 2032, sustentado pela complexidade crescente das ameaças, pela adoção massiva de arquiteturas cloud-native e por exigências regulatórias. Ainda assim, a maturidade de AppSec dentro das organizações precisa evoluir para transformar investimento em resiliência real.
Por que a maturidade de AppSec não acompanha as novas superfícies de ataque
Os líderes ouvidos apontam um descompasso estrutural entre velocidade de inovação e a capacidade de governança de segurança. A rápida adoção de arquiteturas distribuídas e cloud-native, somada à proliferação de APIs e microserviços, criou uma malha de integrações que amplia pontos de entrada, exige monitoramento contínuo e orquestração fina de políticas.
Nesse cenário, práticas como testes manuais isolados ou ações de segurança concentradas apenas no fim do ciclo de desenvolvimento perdem efetividade. A maturidade de AppSec hoje depende de integração no pipeline, automação de validações, uso de inteligência para priorização de riscos, e uma cultura que engaje times de produto, engenharia e segurança desde a concepção.
A pesquisa ressalta que as entrevistas foram realizadas em novembro de 2025, com duração de 35 a 60 minutos cada, e seguiram um roteiro estruturado em quatro pilares: evolução estratégica, cultura e liderança, barreiras e tendências até 2026. O consenso entre os executivos reforça o diagnóstico: a maturidade de AppSec precisa se alinhar à realidade de operações digitais mais rápidas e ao uso crescente de IA generativa em todo o ciclo de software.
Impactos de falhas de aplicação para negócios e usuários
Os efeitos de vulnerabilidades ultrapassam o aspecto técnico. Como explica Jecilene Amaro, “Uma vulnerabilidade pode expor dados sensíveis, derrubar serviços em momentos críticos ou abrir portas para fraudes que comprometem marcas consolidadas”. Para o usuário, isso significa perda de confiança e experiências inseguras. Para as empresas, os danos incluem prejuízos financeiros, multas regulatórias e riscos reputacionais de longo prazo.
Ao mesmo tempo, a pressão por releases frequentes e integrações com parceiros amplia o efeito cascata de uma falha de aplicação. Em um ecossistema conectado por APIs e serviços em nuvem, vulnerabilidades podem se propagar rapidamente, tornando essencial elevar a maturidade de AppSec e a observabilidade de ponta a ponta.
A pesquisa reforça um ponto central: defesas atuais não acompanham a complexidade das novas superfícies de ataque. Para reverter essa curva, organizações precisam mover segurança do modo reativo para um modelo proativo, orientado por dados, automação e métricas de risco de negócio, e não apenas de conformidade.
Próximos passos: relatório, webinar e roteiro prático até 2026
A análise completa do estudo será apresentada em um webinar no dia 16 de dezembro, marcando o lançamento oficial do relatório. O objetivo, segundo a Conviso, é oferecer um roteiro prático para que empresas revisem prioridades e fortaleçam suas estratégias de AppSec, equilibrando velocidade, inovação e resiliência.
No centro das recomendações está a necessidade de operacionalizar a maturidade de AppSec com integração de plataformas, políticas contínuas de governança e uma cultura que distribua a responsabilidade de segurança por toda a engenharia. O recado é inequívoco: segurança não é um estágio final, mas uma competência que precisa estar presente em cada decisão de arquitetura e em cada release.
Jecilene Amaro resume a urgência e o pragmatismo do material: “Este documento não aponta tendências distantes — ele mostra o que precisa ser feito agora para garantir que o crescimento das empresas seja sustentável e seguro”. Com a pressão regulatória e a expansão do ecossistema digital, elevar a maturidade de AppSec deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico de competitividade.