Aplicativos de identidade digital devem explodir até 2030, Juniper Research projeta 6,2 bilhões de instalações e aceleração com modelos descentralizados

Adoção de aplicativos de identidade digital deve saltar de 2,8 bilhões em 2025 para 6,2 bilhões em 2030, impulsionada por modelos descentralizados e identidade autossuficiente

Um novo estudo da Juniper Research aponta uma virada de escala para os aplicativos de identidade digital no mundo. Segundo a consultoria, o volume de instalações dará um salto expressivo nos próximos anos, acompanhando a digitalização acelerada de credenciais por governos e o avanço de modelos descentralizados de verificação. Para usuários, empresas e Estado, a tendência promete ganhos de eficiência, redução de fraudes e melhores experiências de onboarding, desde que o controle dos dados permaneça no centro das soluções.

De acordo com o relatório, “o número de aplicativos de identidade digital instalados aumentará de 2,8 bilhões em 2025 para 6,2 bilhões em 2030, representando uma taxa de crescimento acelerado de 121%”. O movimento reflete a corrida global por sistemas confiáveis de identidade digital, com diferentes arquiteturas sendo adotadas conforme o contexto regulatório e a maturidade de cada mercado.

O estudo também reforça que a digitalização de credenciais vem sendo priorizada para combater fraudes e tornar serviços públicos mais ágeis, porém a implementação assume formatos distintos em cada país. Nesse cenário, ganharão espaço as abordagens que combinam segurança, interoperabilidade e respeito à privacidade, com destaque para o princípio da minimização de dados e o consentimento do cidadão.

O que está por trás do avanço dos aplicativos de identidade digital

Os governos aparecem como os principais catalisadores dessa expansão. Em diversos mercados, programas nacionais de identidade eletrônica têm ampliado o acesso a serviços digitais, desde benefícios sociais até saúde e educação, ao mesmo tempo em que reforçam mecanismos antifraude e de verificação remota. A Juniper Research resume o motor dessa transformação ao afirmar que “A pesquisa constatou que os esforços de governos em todo o mundo para digitalizar credenciais de identidade estão impulsionando um aumento na adoção da identidade digital, apoiado pelo uso crescente de uma abordagem descentralizada por parte dos programas governamentais”.

Essa convergência entre políticas públicas e inovação tecnológica favorece o crescimento dos aplicativos de identidade digital, especialmente quando há clareza sobre governança de dados, usabilidade e compatibilidade com diferentes carteiras e credenciais. Em países com forte infraestrutura, soluções integradas se expandem com rapidez. Nas regiões onde a infraestrutura tradicional é limitada, surgem oportunidades para modelos que colocam o usuário no centro e funcionam mesmo em contextos desafiadores.

Modelos descentralizados e identidade autossuficiente: confiança e adesão

Para a consultoria, a confiança do usuário é o fator decisivo. O analista Louis Atkin destaca que dar controle real ao cidadão é essencial para sustentar a curva de adoção. Em suas palavras, ” Os governos estão investindo recursos em sistemas centralizados de identidade digital, mas a adoção ficará estagnada a menos que os usuários tenham controle real. Modelos descentralizados que permitem aos cidadãos decidir exatamente quais dados compartilhar são essenciais para construir confiança e impulsionar a adesão “, explicou Louis Atkin, analista de pesquisa da Juniper Research.

Nesse contexto, ganham relevância as soluções de identidade autossuficiente, um subconjunto dos sistemas descentralizados. Elas são especialmente adequadas a países com infraestrutura física de identidade limitada, bem como a contextos em que há desconfiança histórica em relação a bancos de dados centralizados. Ao permitir que o indivíduo gerencie a emissão, o armazenamento e o compartilhamento seletivo de seus atributos, essas carteiras aumentam a sensação de controle, reduzem atritos e elevam a segurança contra fraudes.

O estudo recomenda ainda que governos evitem o uso obrigatório de uma única plataforma e priorizem a minimização de dados. Isso significa restringir solicitações ao estritamente necessário para a finalidade, fortalecendo o princípio do consentimento e a proteção de privacidade. Tais diretrizes, quando aliadas a padrões interoperáveis, tendem a acelerar a adoção dos aplicativos de identidade digital e a consolidar sua utilidade no dia a dia dos cidadãos.

Como governos e fornecedores devem agir até 2030

Com a previsão de alcançar 6,2 bilhões de instalações até 2030, a próxima fase do mercado exige estratégias que conciliem escala, segurança e inclusão. Para o setor público, o caminho passa por criar ecossistemas abertos, interoperáveis e orientados por políticas de privacidade robustas, além de incentivar testes em ambientes controlados e parcerias com o setor privado. A simplificação de jornadas, a educação do usuário e a transparência sobre uso de dados também são cruciais para sustentar a confiança.

Para fornecedores de tecnologia, a prioridade é garantir compatibilidade com múltiplos esquemas de identidade, incluindo carteiras governamentais e soluções privadas, além de suportar verificações off-line, certificações e padrões internacionais. A mensagem do estudo é clara ao enfatizar a necessidade de plataformas flexíveis, capazes de refletir as condições de cada país e evoluir com as regulações.

Nesse sentido, Atkin reforça a orientação ao mercado ao afirmar: “Permitir que os cidadãos gerenciem o uso de sua própria identidade por meio de sistemas de identidade autossuficientes é cada vez mais importante para fomentar a adoção e a confiança a longo prazo, especialmente onde a identidade digital é controversa. Sendo assim, os fornecedores de identidade digital devem garantir que suas plataformas sejam compatíveis com diferentes tipos de projetos de identidade para melhor refletir as condições de cada país “, concluiu Atkin.

À medida que se consolida a arquitetura de confiança, a expectativa é que os aplicativos de identidade digital se tornem parte natural da rotina, viabilizando acesso seguro a serviços públicos e privados, pagamentos, assinaturas e autenticações. O avanço previsto até 2030 dependerá, sobretudo, da capacidade de evoluir o desenho das soluções com foco no usuário, na privacidade e na interoperabilidade, pilares que, segundo o estudo, pavimentam a próxima onda de adoção global.

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