Levantamento global do Consumer Sentiment Index ouviu mais de 10 mil pessoas e indica que a IA agêntica ganha espaço na comparação de preços, na personalização e na busca por eficiência
A presença da IA agêntica na rotina de consumo deixou de ser tendência e já aparece como comportamento consolidado. Segundo o Consumer Sentiment Index (CSI), desenvolvido pela Criteo, plataforma global que conecta o ecossistema de comércio, 59% dos compradores ao redor do mundo já tiveram alguma experiência com assistentes de compras agênticos e 29% os utilizam regularmente. O relatório ouviu mais de 10 mil consumidores em todo o mundo, mostrando como as pessoas estão descobrindo, comparando e decidindo o que comprar com ajuda de tecnologias baseadas em inteligência artificial.
Em paralelo à adoção, cresce a familiaridade. A pesquisa aponta que a tecnologia agêntica, que permite à IA agir de forma autônoma em nome do consumidor, já está no radar de 66% dos entrevistados. Esses dados reforçam um cenário de rápida maturidade do ecossistema de compras digitais, em que agentes de IA filtram opções, reduzem etapas e encurtam o caminho até o produto ideal.
IA agêntica já é aliada na busca por preço e no encaixe do produto certo
Quando o assunto é facilitar decisões, a IA agêntica resolve duas dores clássicas da jornada. A maioria dos consumidores diz se sentir confortável com agentes que ajudam a identificar os melhores preços, com 56% sinalizando aceitação. Logo em seguida, 49% afirmam que gostariam de ajuda para encontrar o produto certo a partir de uma descrição, mostrando que os assistentes de compras têm papel real na tradução de necessidades em escolhas concretas.
O efeito combinado aparece também no sentimento de utilidade dos chatbots com IA. Mais de 60% dos consumidores considera os chatbots com IA úteis ao fazer compras online (62%) e se sente confortável com a IA personalizando sua experiência (56%). Além disso, cerca de metade recebe bem e confia nas recomendações de produtos feitas por IA (51% e 50%, respectivamente). Na prática, a IA agêntica se consolida como um copiloto para orientar compra informada, rápida e personalizada.
Eficiência e economia impulsionam a adoção de agentes de IA
A percepção de ganho concreto é um dos motores da adoção. Para 62% dos consumidores, os agentes de compra alimentados por IA ajudam a economizar tempo ou dinheiro ao comprar, dois dos critérios mais importantes no varejo digital. Esse movimento indica que a IA agêntica já ultrapassou a etapa de uso apenas conversacional, ganhando protagonismo como ferramenta de eficiência, de economia e de personalização ao longo da jornada.
O indicador conversa diretamente com a expectativa por menos fricção no e-commerce. Ao automatizar comparações, checagens e recomendações, a tecnologia reduz indecisões, encurta pesquisas e entrega relevância no momento certo. O resultado são experiências mais fluidas que ampliam a confiança do consumidor em cada etapa da compra.
Como os consumidores pesquisam, comparam e decidem com IA agêntica
Os hábitos de busca seguem fragmentados, com múltiplos caminhos em uso. 31% dos compradores globais já preferem utilizar um assistente de compras com IA independente, enquanto 32% dizem não ter preferência. Há também quem mantenha o controle total da navegação: 19% preferem realizar a busca manualmente. E um grupo relevante, 17%, escolhe assistentes integrados aos sites ou aplicativos dos varejistas, mostrando espaço para soluções nativas que otimizem a experiência dentro dos próprios ambientes de compra.
O papel das ferramentas de IA na comparação e na descoberta também fica evidente. Globalmente, são vistas como úteis para comparar produtos (44%) e esclarecer dúvidas específicas (41%), etapas que costumam consumir tempo e gerar indecisão. Nesse contexto, o ChatGPT se destaca como a solução preferida, com 57% dos entrevistados afirmando que a plataforma é útil para buscar um produto específico, o que indica que os compradores já recorrem à IA como ponto de partida estratégico para explorar opções.
A disposição para considerar recomendações patrocinadas também aparece, desde que haja transparência. Globalmente, 52% afirmam que considerariam um produto indicado por um assistente de compras com IA desde que a recomendação patrocinada esteja claramente identificada. O recado é claro: a confiança não depende apenas da tecnologia, mas de como ela se apresenta e comunica sua natureza comercial.
Ao comentar os resultados, Tiago Cardoso, Diretor Geral da Criteo para a América Latina, ressalta a mudança de patamar da IA na jornada de consumo. “Os dados do Consumer Sentiment Index (CSI) conduzido pela Criteo, mostram que os consumidores já enxergam a inteligência artificial como uma aliada estratégica na hora das compras. Seja para buscar, comparar opções, tirar dúvidas ou receber recomendações, a IA está reduzindo fricções e ampliando a confiança ao longo da jornada. À medida que essas tecnologias evoluem, vemos uma experiência de compra cada vez mais personalizada e eficiente”.
Com a IA agêntica ganhando capilaridade, varejistas e marcas têm a oportunidade de acelerar o acesso a informações úteis, alinhar recomendações ao contexto e destacar transparência em ofertas patrocinadas. Do lado do consumidor, o efeito é uma jornada mais simples, com menos ruído e mais clareza na hora de decidir.