Ataques a agentes de IA disparam em 2025, Lakera aponta vazamento de prompts como maior risco e pressiona segurança corporativa para 2026

Relatório da Lakera, empresa da Check Point Software, detalha como os ataques a agentes de IA miram vazamento de prompts, ganham força com injeções indiretas e expõem brechas na segurança corporativa

Os ataques a agentes de IA avançaram com intensidade no quarto trimestre de 2025, e um novo relatório da Lakera, empresa da Check Point Software, mostra que o vazamento de prompts se tornou o principal vetor de risco. A investigação se baseia em tentativas reais de exploração observadas em aplicações protegidas pelo Lakera Guard e em interações no ambiente Gandalf: Agent Breaker, revelando um cenário em que os criminosos digitais acompanham, de perto, cada nova capacidade adicionada aos sistemas de agentes.

À medida que esses agentes passam a ler documentos, acessar fontes externas, acionar ferramentas e executar fluxos automatizados de múltiplas etapas, as táticas maliciosas se sofisticam. Segundo a Lakera, o foco dos invasores é entender a lógica dos agentes, mapear limites e explorar brechas que aparecem fora do prompt inicial, em pontos de integração e decisão.

Vazamento de prompts lidera os ataques e antecipa ofensivas mais complexas

Os dados do relatório reforçam que o vazamento de prompts de sistema domina o tráfego malicioso. Em citação direta do estudo, a Lakera afirma que "o vazamento de prompts de sistema respondeu por cerca de 60% de todo o tráfego de ataque observado no quarto trimestre de 2025". O objetivo dos atacantes é extrair as instruções internas que definem regras, funções e limites dos modelos, passo considerado crítico para ataques subsequentes mais direcionados.

O panorama estatístico é consistente com o resumo do estudo: "Relatório revela que ataques contra agentes de IA no 4º trimestre de 2025 tiveram como principal alvo o vazamento de prompts de sistema (60%), seguidos por tentativas de burlar controles de conteúdo (20%) e ações de reconhecimento para mapear vulnerabilidades (12%)". Além disso, o relatório destaca que o vazamento de dados confidenciais foi responsável por cerca de 8% das ocorrências, um indicativo claro do risco ligado aos workflows automatizados dos agentes que manipulam informações sensíveis.

Para os pesquisadores, a prevalência do vazamento de prompts mostra que os criminosos querem decifrar a lógica interna dos sistemas antes de escalar para explorações complexas. Em paralelo, as sondagens de intenção desconhecida e as tentativas de burlar mecanismos de segurança de conteúdo sugerem um esforço contínuo de reconhecimento e adaptação, no qual cada nova capacidade do agente, por mais útil que seja ao negócio, abre também uma nova superfície de ataque.

Ataques indiretos ganham eficiência com documentos, web e automação

O estudo registra a ascensão dos ataques indiretos, quando instruções maliciosas são embutidas em documentos, páginas web ou dados estruturados processados pelos agentes. Esse modelo tem se mostrado mais eficiente do que a injeção direta de prompts, exigindo menos tentativas para obter sucesso e se consolidando como vetor prioritário à medida que os agentes são acoplados a sistemas corporativos de busca, navegação e automação.

A Lakera observa que muitas falhas de segurança não aparecem no prompt inicial, mas emergem durante a interação do agente com múltiplas fontes externas, no acionamento de ferramentas e em tarefas em várias etapas. Esse encadeamento amplia significativamente a superfície de ataque, o que exige monitoramento constante e controles capazes de inspecionar, validar e bloquear comportamentos suspeitos em cada etapa do fluxo.

O quarto trimestre também trouxe os primeiros exemplos de ataques específicos que só existem em ambientes com agentes de IA, como tentativas de extração de dados internos confidenciais, inserção de instruções em formato de script em cadeias automatizadas de processamento e manipulação de agentes por meio de fontes externas não confiáveis. Como resume o relatório, "Esses padrões indicam que o risco deixa de se concentrar apenas no conteúdo gerado e passa a abranger todo o ciclo de decisão, execução e interação do agente".

Prioridade para 2026, segurança de agentes exige prevenção, visibilidade e controle contínuo

Para 2026, a recomendação é inequívoca: tratar a segurança de agentes de IA como disciplina própria, não como extensão de modelos de IA conversacional. Em ambientes corporativos, cada documento ingerido, cada chamada externa, cada ferramenta acionada e cada decisão automatizada representam potenciais pontos de comprometimento, com impactos diretos em processos de negócio.

A Lakera defende uma estratégia baseada em prevenção, visibilidade e controle contínuo ao longo de todo o fluxo operacional da IA. Isso inclui políticas explícitas contra vazamento de prompts, verificação de conteúdos externos antes de serem processados, isolamento de ferramentas sensíveis, e telemetria para rastrear a cadeia de decisões dos agentes em tempo real.

Para as empresas que já integram agentes a tarefas críticas, o recado é claro: elevar a maturidade de segurança agora reduz a exposição a ataques a agentes de IA que se tornam, a cada trimestre, mais automatizados, furtivos e eficientes. A combinação de controles preventivos, observabilidade e governança sobre prompts, dados e execuções é o caminho para mitigar riscos, proteger ativos confidenciais e sustentar o uso seguro da IA em escala.

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