Ataques DDoS explodem no fim do ano: novembro e dezembro concentram mais da metade das investidas no Brasil, aponta Huge Networks

Levantamento da Huge Networks, com dados desde 2016, mostra ataques DDoS mais concentrados no quarto trimestre, com picos acima de 3 Tbps, e tendência de continuidade em 2025

Os ataques DDoS ganharam um novo ritmo no Brasil, com uma concentração inédita no fim do ano e sinais de que o comportamento veio para ficar. Um levantamento da Huge Networks, baseado em dados coletados desde 2016, aponta que novembro e dezembro passaram a concentrar a maior parte dessas ofensivas, superando o padrão histórico de pico entre junho, julho e agosto.

Segundo a empresa, a virada acontece de forma clara a partir de 2023, quando as investidas no período de festas avançaram em volume e intensidade. Para os especialistas, a explicação está na combinação de mais tráfego por causa das datas comemorativas e menor disponibilidade de equipes técnicas para reagir de forma imediata, um cenário especialmente sensível para serviços digitais.

Matheus Castanho, líder técnico da Huge Networks, resume o fator sazonal com um alerta sobre o impacto nos negócios: "O fim do ano se tornou um período extremamente sensível para empresas, tanto pelo aumento de tráfego gerado pelas datas comemorativas quanto pela redução natural das equipes de tecnologia. É o momento em que um ataque causa mais impacto e, portanto, se torna mais atrativo para os criminosos".

Novembro e dezembro assumem a liderança histórica

Os números mostram a mudança de forma inequívoca. Em 2023, o quarto trimestre concentrou 66,55% de todos os ataques mitigados pela Huge. Somente novembro e dezembro responderam por 56,86% desse volume. Em 2024, o cenário se repetiu: 52,23% dos ataques ocorreram entre outubro e dezembro, sendo 43,9% apenas nos dois meses finais.

O estudo analisa ataques DDoS mitigados pela Huge Networks a partir do tráfego de aproximadamente 1600 provedores regionais (ASNs) distribuídos em todos os estados do Brasil, cobrindo desde pequenos ISPs até redes com presença estadual. Esse recorte amplia a abrangência da amostra e reforça que a mudança de comportamento não é um evento isolado, mas um movimento consistente no ecossistema de conectividade.

Até 2022, o mês de maior incidência variava de ano a ano e, na maioria das vezes, a maior pressão recaía sobre o meio do calendário. Desde 2023, contudo, a curva se deslocou para o final do ano, indicando um novo padrão em que as janelas de maior risco coincidem com as semanas de maior demanda por serviços online.

Ataques DDoS mais curtos, intensos e eficientes

A magnitude das ofensivas mudou junto com o calendário. A Huge Networks relata picos recentes que ultrapassaram 3 Tbps em tráfego e 1 bilhão de pacotes por segundo, marcas que até pouco tempo eram raras no mercado brasileiro. O salto de volumetria, combinado a durações mais curtas, maximiza o efeito surpresa.

Castanho contextualiza essa evolução técnica: "Estamos lidando com ataques mais fortes, mais curtos e muito mais eficientes. É um tipo de ofensiva que tenta derrubar serviços de forma imediata, antes mesmo que as equipes percebam o que está acontecendo." Em outras palavras, os atacantes exploram brechas de monitoramento, sobrecarregam camadas de rede e infraestrutura e tentam provocar indisponibilidade antes de qualquer contramedida automatizada ou manual entrar em ação.

Para empresas que dependem de picos de venda e atendimento no quarto trimestre, esse perfil é particularmente perigoso. Em campanhas de fim de ano, milissegundos contam, e uma queda momentânea pode significar perda direta de receita, dano de reputação e fuga de clientes para concorrentes que se mantiveram acessíveis.

Impacto nos negócios e preparação para 2025

Setores como varejo, finanças e provedores de internet já tratavam novembro e dezembro como período crítico por causa do tráfego elevado. O que muda, segundo as análises, é que agora esses meses concentram também o maior volume de ataques DDoS do ano, frequentemente em janelas curtas e com volumetria recorde. Esse acúmulo amplia o risco operacional justamente quando a demanda por estabilidade é máxima.

A Huge Networks avalia que a tendência se mantém em 2025, impulsionada pelo uso crescente de serviços online e pela maior dependência de infraestrutura digital. Em um cenário assim, boas práticas de mercado, como mitigação ativa, observabilidade em tempo real, planos de resposta a incidentes e testes de estresse, tornam-se cruciais para reduzir a superfície de ataque e acelerar a recuperação.

Embora o estudo aponte um deslocamento claro do calendário de risco, a mensagem central é que as empresas não podem subestimar o fator sazonal. Com a combinação de picos acima de 3 Tbps, 1 bilhão de pacotes por segundo e ofensivas cada vez mais curtas, o desafio dos ataques DDoS deixou de ser episódico e passou a exigir preparação contínua, orquestração com provedores e revisões constantes de capacidade para atravessar o fim de ano sem interrupções.

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