Empresa fecha 3T25 com US$127,3 milhões em receita, 4º trimestre seguido de crescimento orgânico acima de 10% e América Latina em destaque, enquanto expansão do headcount pressiona margens
A CI&T encerrou o 3T25 com receita de US$127,3 milhões, alta de 13,4% na comparação anual, consolidando a retomada iniciada no fim de 2024. Foi o quarto trimestre consecutivo de crescimento orgânico acima de 10% em moeda constante, impulsionado pela expansão de grandes contas e pela aceleração de projetos corporativos de IA generativa. No período, o crescimento orgânico foi de 12,1%, enquanto o grupo dos dez maiores clientes avançou 19,5%.
O CEO, César Gon, relacionou a trajetória recente à capacidade da companhia de capturar ciclos tecnológicos. “:É impressionante como a CI&T evoluiu em cada grande ciclo tecnológico. Em todas essas fases, ajudamos clientes a se adaptarem e transformarem tecnologia em impacto real de negócios.”
IA puxa demanda e redefine modelo comercial
A IA segue como eixo central da estratégia da CI&T. Segundo Gon, ainda existe um descompasso entre planos e resultados efetivos nas empresas, o que abre espaço para projetos com foco em impacto de negócio. “:Ainda há uma grande distância entre a ambição em IA e os resultados reais. Isso cria demanda por parceiros capazes de transformar a experimentação em valor de negócio em escala. É exatamente onde atuamos.”
Internamente, a adoção de ferramentas de IA avançou com a plataforma CI&T Flow, baseada em agentes. O presidente para Américas e Europa, Bruno Guicardi, detalhou o ganho de escala operacional: “:Desenvolvemos um playbook interno que nos leva a 85% de adoção de ferramentas de IA. Isso nos permitiu multiplicar em 15 vezes o número de agentes ativos, que hoje já ultrapassa 4.700.”
Gon também projetou uma mudança estrutural no modelo de negócios do setor, com a transição do faturamento por horas para a captura de valor gerado. “:Vemos o futuro da indústria migrando de modelos de horas para modelos baseados em valor, mais ligados ao impacto no negócio. É uma oportunidade de médio prazo, que pode ampliar escalabilidade e monetizar nossa propriedade intelectual.”
América Latina lidera, serviços financeiros disparam
No recorte geográfico, a América Latina foi o mercado mais dinâmico, com alta de 35% no trimestre. A América do Norte cresceu 6%, ainda abaixo do ritmo histórico, enquanto a combinação de Europa e Ásia-Pacífico voltou a registrar crescimento sequencial após períodos de oscilação. O desempenho reflete uma carteira mais diversificada, com foco em contas globais e projetos escaláveis de transformação digital com IA generativa.
Por setores, serviços financeiros foram o principal destaque, com avanço de 51%, impulsionados por iniciativas de modernização de dados, análise preditiva e automação de processos. Já varejo e bens industriais cresceram 11%. O grupo dos dez maiores clientes, foco da estratégia de expansão da CI&T, aumentou seu faturamento em 19,5%, indicando maior penetração em contas estratégicas.
Esse movimento, somado ao quarto trimestre seguido de crescimento orgânico de dois dígitos em moeda constante, reforça a tese de que a demanda por soluções de IA e modernização tecnológica deve sustentar o pipeline nos próximos ciclos.
Margens sob pressão com headcount maior, mas lucro e caixa avançam, e guidance sinaliza aceleração
No trimestre, o EBITDA ajustado atingiu US$23,5 milhões, alta de 7,5% ano a ano. A margem EBITDA ajustada ficou em 18,5%, recuo de 1 ponto percentual, refletindo a expansão do quadro para 7.858 colaboradores, crescimento de 16,3% em 12 meses. O CFO, Stanley Rodrigues, destacou a natureza estratégica desse investimento. “:O aumento do headcount foi um investimento antecipado para sustentar o pipeline e nossa trajetória de crescimento. Embora pressione a margem no curto prazo, fortalece nossa capacidade de entrega.”
Apesar da pressão de margem, o lucro líquido avançou 72%, chegando a US$8,9 milhões, beneficiado por menor impacto de despesas não recorrentes. O lucro ajustado cresceu 10,6%, somando US$11,3 milhões. A conversão de caixa no acumulado do ano alcançou 72% do EBITDA ajustado, um indicador positivo de disciplina financeira.
Para o 4º trimestre, a CI&T projeta receita entre US$130,4 milhões e US$132,6 milhões, o que representa alta de 16,8% em dólares e 12,5% em moeda constante no ponto médio. A companhia reiterou a expectativa de margem EBITDA ajustada entre 18% e 20% no ano, sugerindo continuidade do equilíbrio entre crescimento e rentabilidade. Em preparação para 2026, Gon resumiu a ambição da estratégia de IA. “:Nossa estratégia em IA está reduzindo a distância entre investimento e impacto, transformando projetos em eficiência mensurável e soluções de alto impacto.”
Com a IA generativa como alavanca, a CI&T sai do 3T25 com sinais de tração comercial, indicadores operacionais robustos e um guidance que aponta novo fôlego para o 4º trimestre, enquanto pavimenta a migração para modelos de receita baseados em valor.