ESG Fórum: Cora Nogueira explica o modelo de data center sustentável da Elea, com escopo 2 zerado, refrigeração líquida em circuito fechado e integração com a comunidade
Em apresentação no ESG Fórum, em 6 de novembro, Cora Nogueira, gerente de ESG e Real Estate da Elea Data Centers, detalhou como um data center sustentável pode operar com baixo impacto ambiental, mesmo diante do avanço acelerado da inteligência artificial e da chegada de hyperscales. A executiva assegurou que a companhia opera com energia 100% renovável e adota tecnologias de refrigeração líquida em circuito fechado, além de um plano de integração comunitária para transformar a infraestrutura digital em um vetor de impacto positivo.
Segundo Cora, a estratégia combina gestão energética rigorosa, inovação em resfriamento e abordagem social ativa para que o data center sustentável seja uma peça de desenvolvimento local e de competitividade nacional. Para isso, a Elea aposta na força da matriz brasileira, hoje próxima de 90% renovável, e na chegada de políticas setoriais como o Redata, criando um ambiente propício à expansão de cargas computacionais de grande porte com menor pegada ambiental.
Energia limpa, escopo 2 zerado e vantagem competitiva do Brasil
Cora Nogueira destacou que a Elea utiliza “100% de energia renovável, via PPAs, autoprodução e certificados I-REC”. Com isso, a empresa mantém inventário de emissões com escopo 2 zerado, isto é, não há emissões indiretas de gases de efeito estufa associadas ao consumo de eletricidade. Essa base elétrica de baixo carbono é central para o posicionamento da companhia e reforça o papel do data center sustentável como solução para o crescimento da IA com menor impacto climático.
Na avaliação da executiva, a matriz brasileira, hoje próxima de 90% renovável, é um diferencial competitivo que pode transformar o país em destino estratégico para cargas computacionais intensivas. Em um cenário em que modelos de IA e serviços em nuvem exigem cada vez mais energia, operar um data center sustentável em território nacional tende a reduzir o footprint de carbono e a atrair novas ondas de investimento.
Liquid cooling e eficiência hídrica: WE zero ou próximo de zero
O avanço da IA e o crescimento dos hyperscales pressionam os sistemas de refrigeração. Para responder a esse desafio, a Elea adotou tecnologias de liquid cooling em circuito fechado, eliminando torres de evaporação e reduzindo drasticamente o consumo de água. Segundo Cora, a solução traz o WE (índice de eficiência hídrica) para “zero ou próximo de zero”, uma métrica crítica para que o data center sustentável mantenha alta densidade computacional com melhor desempenho ambiental.
Além de cortar o uso de água, o circuito fechado contribui para elevar a eficiência energética, aspecto essencial diante do aumento de densidade térmica nos racks. Em sinergia com a contratação de energia renovável, o pacote tecnológico permite que o data center sustentável alcance metas robustas de descarbonização sem comprometer disponibilidade e performance.
Da mitigação ao impacto positivo: comunidade no centro e o projeto Rio iCity
Para a Elea, a sustentabilidade vai além da mitigação. A companhia desenvolve modelos de impact assessment comunitário em parceria com universidades, mapeando impactos, ouvindo a população do entorno e construindo oportunidades econômicas ao redor dos empreendimentos. Nas palavras de Cora, “Não é mais um caixote isolado.”
A executiva reforçou a ambição de abrir o ecossistema para a sociedade: “A gente quer integrar o data center na comunidade. A gente quer trazer o ecossistema para dentro do data center.” Essa visão materializa-se em iniciativas como o Rio iCity, projeto que integra práticas de construção sustentável, fachada verde, sistemas de alta eficiência energética e programas educacionais de capacitação tecnológica. Trata-se de um passo para consolidar o data center sustentável como agente de desenvolvimento local, conectando infraestrutura digital, qualificação profissional e regeneração urbana.
Nesse contexto, a chegada de políticas como o Redata é vista como catalisador para ampliar o ecossistema de infraestrutura digital sustentável no país. Com energia 100% renovável, escopo 2 zerado, refrigeração líquida eficiente e um desenho social orientado a impacto positivo, a Elea articula um caminho que conversa com as exigências de investidores, de grandes clientes globais e das comunidades.
O recado do ESG Fórum é direto: o Brasil tem condições de liderar a operação global de data center sustentável, combinando a vantagem da eletricidade renovável, inovação em resfriamento e um modelo de relacionamento com o território que reduza impactos e gere valor compartilhado. Ao colocar pessoas e território no centro, a Elea aponta para um futuro em que a infraestrutura digital, em vez de custo ambiental, se torne alavanca de transformação socioeconômica.