E-commerce no Brasil pode perder até R$ 150 bilhões por ano com falhas no reconhecimento do consumidor, indica relatório e pesquisa da Unico

No e-commerce, 9 em cada 10 pagamentos negados são de clientes legítimos, revelam dados recentes, o que expõe problemas de antifraude e validação de identidade e abre espaço para soluções que reduzam falsos positivos

O e-commerce brasileiro está diante de um alerta que combina perda de faturamento e frustração do cliente. De acordo com reportagem do portal TI Inside, um novo relatório aponta que o mercado pode estar deixando escapar até R$ 150 bilhões por ano por problemas de reconhecimento de identidade na jornada de compra. Em paralelo, a Unico destaca um dado que escancara a dimensão dos falsos positivos: "Nova pesquisa da Unico demonstra que 9 em cada 10 pagamentos negados no e-commerce são de consumidores legítimos".

A convergência desses achados acende um sinal para varejistas digitais, gateways, emissores e adquirentes. Ao tentar bloquear fraude de forma agressiva, parte do e-commerce acaba barrando quem deveria ser aprovado, o que impacta diretamente a taxa de conversão, a receita e a experiência do consumidor. Como resume o próprio TI Inside ao destacar o novo levantamento, "E-commerce perde até R$ 150 bi ao ano por falhas de reconhecimento do consumidor, revela novo relatório".

Por que o e-commerce está recusando clientes legítimos

O ponto crítico está no reconhecimento do consumidor ao longo da jornada. Sistemas de análise de risco que operam com dados incompletos, regras estáticas e modelos treinados para evitar qualquer possibilidade de fraude tendem a gerar recusas indevidas. Quando informações de device, histórico de relacionamento e sinais comportamentais não são conciliadas, a avaliação do pedido fica frágil e o cliente bom é confundido com fraude.

Além disso, fluxos de pagamento com fricção excessiva, validações redundantes e etapas de autenticação mal calibradas aumentam a probabilidade de erro. Em períodos de alto volume, como promoções e datas sazonais, esse efeito se amplia, pois o tráfego cresce mais do que a capacidade de revisão manual. O resultado é um aumento de falsos positivos, com consumidores legítimos tendo transações negadas ou abandonando o carrinho por desconfiança.

Outro fator é a falta de interoperabilidade entre as camadas de antifraude, emissores e adquirentes. Divergências nos critérios de risco e na interpretação de eventos, como tentativas múltiplas em curto intervalo, podem disparar alarmes desnecessários. Sem dados de qualidade e sem contexto transacional compartilhado, o ecossistema perde precisão e escalabilidade.

O impacto bilionário nas vendas e na experiência do consumidor

Negar clientes legítimos custa caro. Cada recusa indevida não é apenas uma venda perdida, é também um prejuízo futuro em fidelização e em lifetime value. Um consumidor que tem seu pagamento negado injustamente tende a migrar para concorrentes, reduzir recompra e desaconselhar a marca para amigos e redes sociais. Esse efeito cumulativo explica a cifra bilionária estimada pelo relatório destacado pelo TI Inside, que fala em perdas de até R$ 150 bilhões ao ano no e-commerce por falhas de reconhecimento do consumidor.

O dado da Unico, de que "9 em cada 10 pagamentos negados no e-commerce são de consumidores legítimos", evidencia que o problema não é pontual. Em grande escala, a combinação de filtros rígidos e pouca visibilidade de identidade torna a operação conservadora demais, sacrificando conversão para evitar risco. Embora a prevenção a fraudes e chargebacks seja essencial, o equilíbrio entre segurança e aprovação é o que preserva a margem e a confiança do cliente.

Para o consumidor, o impacto é imediato, ele se vê impedido de comprar apesar de ter limite e saldo, o que mina a percepção de qualidade do serviço. Para o varejista, a conta aparece na taxa de conversão mais baixa, no aumento do CAC para reacquirir clientes perdidos e na pressão por maior eficiência em campanhas que precisam compensar pedidos negados.

Caminhos para reverter as recusas, com identidade digital e dados de qualidade

O primeiro passo é reforçar a identidade digital do cliente ao longo do funil, usando sinais confiáveis para reconhecer consumidores bons em tempo real. Soluções que combinam biometria, verificação documental, análise de dispositivo e histórico autorizam decisões mais precisas, reduzindo falsos positivos sem abrir brechas para fraudadores. Quanto melhor a qualidade dos dados, maior a capacidade de aprovar com segurança.

Também é recomendável adotar modelos de risco dinâmicos, com aprendizado contínuo, que ajustam limiares de aprovação por segmento, ticket e perfil de cliente. A integração entre antifraude, gateways, adquirentes e emissores deve priorizar o compartilhamento de contexto e a resolução de divergências, reduzindo recusas por inconsistência. Estratégias como reattempt inteligente, autenticação contextual e mensagens claras em caso de falha ajudam a recuperar parte das vendas perdidas.

Na perspectiva regulatória, aplicar boas práticas de LGPD, consentimento e governança de dados aumenta confiança, além de habilitar personalizações responsáveis. Testes A/B de regras, observabilidade de funil e métricas de aprovação por cohort permitem identificar gargalos específicos e medir ganhos reais. Em síntese, ao reconhecer melhor o cliente legítimo, o e-commerce destrava conversão, protege margem e oferece uma experiência mais fluida, sem abrir mão da segurança.

O recado dos novos levantamentos é direto. Como reforça a Unico, "Nova pesquisa da Unico demonstra que 9 em cada 10 pagamentos negados no e-commerce são de consumidores legítimos". E, segundo o TI Inside, "E-commerce perde até R$ 150 bi ao ano por falhas de reconhecimento do consumidor, revela novo relatório". A partir desses sinais, quem atua no e-commerce tem a oportunidade de acelerar a adoção de tecnologias de reconhecimento de identidade e de revisão de regras de risco, reduzindo recusas injustas e recuperando uma fatia relevante de receita.

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