Relatório Panorama AbraCloud 2025 indica forte otimismo entre as empresas brasileiras de cloud, com média de expansão de 39% e ofertas mais sofisticadas no mercado nacional
As empresas brasileiras de cloud iniciam 2025 em um ambiente de crescimento acelerado e com expectativas elevadas. De acordo com o Panorama AbraCloud 2025, a maioria dos provedores nacionais de cloud computing, 83%, projeta um crescimento médio de 39% em relação a 2024. O estudo, divulgado pela AbraCloud, também aponta que o faturamento consolidado dos associados no ano passado somou R$ 2,1 bilhões, reforçando a tração do mercado e a maturidade das ofertas de infraestrutura de TI no país.
O relatório ressalta que a expansão é sustentada pela digitalização de processos, pela adoção de serviços gerenciados e pela evolução tecnológica da base instalada. Como sintetiza Alexandro Castelli, vice-presidente de Comunicação e Marketing da AbraCloud, “As taxas de crescimento reportadas pelos associados nos últimos anos são em função do crescimento do uso da Internet e da digitalização dos negócios”. A percepção reforça o apetite das empresas brasileiras de cloud por soluções avançadas e por escalar capacidade de atendimento.
Segundo a entidade, a pesquisa anual sobre tendências do mercado nacional de cloud computing foi realizada por entrevistas por telefone durante o mês de agosto 2025 para sócios, presidentes, conselheiros e diretores (93%) dos principais provedores brasileiros. O perfil da amostra garante um recorte fiel da operação e da estratégia do setor, com foco em crescimento, inovação e consolidação.
Crescimento, perfil do cliente e confiança no mercado
O Panorama AbraCloud 2025 mostra que a maior parte dos associados atende empresas, 86%, com destaque para a oferta de serviços gerenciados, 83%, que sustentam relações de longo prazo e margens mais previsíveis. Esse posicionamento explica parte da confiança nas projeções para 2025, em linha com o avanço de workloads críticos para a nuvem e com o amadurecimento das práticas de governança e segurança.
A análise também revela a robustez financeira do ecossistema, já que a estrutura de capital é predominantemente de capital próprio, 90%. Esse dado indica disciplina na alocação de recursos, menor alavancagem e capacidade de investir de forma contínua em infraestrutura de TI, conectividade e automação. Entre os colaboradores das empresas associadas, o estudo apurou que Engenharia e Operações concentra a maior parte das equipes, enquanto a área administrativa responde por 21% e marketing e vendas por 18%, configuração coerente com negócios intensivos em operação e disponibilidade.
Para Roberto Bertó, CEO da Under Servers & Datacenter e presidente da AbraCloud, os sinais de evolução são claros. Ele afirma: “As conclusões da nossa pesquisa sugerem um cenário otimista para o futuro das empresas associadas, com um forte potencial de crescimento e inovação”. O dirigente acrescenta que a competitividade local atingiu um patamar relevante: “O mercado nacional atingiu um nível alto de maturidade, com ofertas de serviços de infraestrutura iguais ou até mesmo mais sofisticadas, quando comparadas aos grandes provedores internacionais”.
Oferta de serviços e maturidade tecnológica
O levantamento destaca um portfólio cada vez mais completo entre as empresas brasileiras de cloud, especialmente entre os grandes provedores nacionais. 92% já oferecem Kubernetes, plataforma central para orquestração de contêineres, e 67% disponibilizam aceleração de GPU para IA, recurso crítico para treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial. A presença dessas tecnologias confirma a maturidade técnica do mercado e a demanda por soluções de alto desempenho.
Enquanto isso, os pequenos e médios provedores continuam atendendo nichos relevantes com infraestrutura tradicional, priorizando hospedagem de sites, 77%, e serviços para profissionais liberais, 65%. A complementaridade entre as camadas do ecossistema indica que há espaço para diferentes estratégias de crescimento, seja por especialização, seja por ampliação do mix de serviços gerenciados.
Esse quadro dá lastro para a expectativa de crescer 39% em 2025, já que a adoção de nuvem no Brasil mantém trajetória ascendente, impulsionada por modernização de sistemas, analytics e segurança. Para o usuário corporativo, a consolidação de ofertas locais com padrões globais amplia a concorrência e, potencialmente, reduz barreiras de migração para a nuvem.
Geografia dos data centers, operação e movimentos de M&A
O mercado nacional de serviços de nuvem reflete a densidade de telecomunicações no país, com concentração nos estados de SP, RJ, MG, RS e PR, 86%. Em infraestrutura, 84% dos associados distribuem serviços de nuvem por meio de data center em São Paulo, além do estado onde atuam, e 31% também operam a partir de datacenter no exterior. A capilaridade aumenta a resiliência, otimiza latência e amplia capacidade de atendimento a cargas críticas.
O estudo também mapeia a dinâmica de consolidação. Quase três quartos das empresas, 69%, já compraram outras companhias do setor, em M&A total ou parcial, enquanto 24% venderam parte de suas carteiras de clientes. Apenas 3% das associadas informaram ter sido adquiridas por um grupo internacional, sinalizando que a liderança e a propriedade seguem majoritariamente nacionais, com decisões estratégicas tomadas no Brasil.
Para as empresas brasileiras de cloud, esse ambiente traz oportunidades adicionais de escala, especialização e entrada em novos mercados. Com a combinação de capital próprio, base crescente de clientes corporativos e tecnologias de ponta, o setor deve sustentar o ciclo de investimentos em 2025. A tendência, segundo o Panorama AbraCloud 2025, é de continuidade do avanço da nuvem, apoiado por serviços gerenciados, aceleração de IA e uma malha de data centers mais distribuída no território nacional.