Fusões e aquisições em Internet e TI no Brasil caem 8,66% nos nove primeiros meses, diz KPMG, e acendem alerta no mercado de tecnologia

Levantamento da KPMG indica retração nas fusões e aquisições em Internet e TI, com queda de 8,66%, enquanto investidores reavaliam juros, valuation e perspectivas do setor no Brasil

O mercado brasileiro de fusões e aquisições em Internet e TI atravessou um período de recuo nos nove primeiros meses do ano, refletindo um cenário de maior seletividade por parte de compradores estratégicos e financeiros. Em meio a ajustes de valuation, custos de capital elevados e foco reforçado em rentabilidade, a atividade de M&A em tecnologia da informação e negócios de Internet mostrou perda de ritmo, chamando a atenção de executivos e investidores para os movimentos de consolidação à frente.

De acordo com a consultoria KPMG, o dado mais sensível do período é a redução do volume de transações em relação ao ano anterior. Em citação divulgada, a firma registrou: “KPMG destaca que nos nove primeiros meses do ano houve um decréscimo de 8,66% no número de fusões e aquisições realizadas nos dois setores”. O número sintetiza a acomodação do apetite por negócios, especialmente em segmentos mais expostos à volatilidade macroeconômica e a ciclos de investimento em tecnologia.

O que os números mostram, segundo a KPMG

A sinalização de queda de 8,66% sugere um mercado que trocou a expansão acelerada por um compasso de avaliação criteriosa. Na prática, compradores vêm priorizando empresas com fluxo de caixa robusto, base de clientes resiliente e crescimento sustentável, enquanto ativos com trajetórias de caixa mais incertas enfrentam diligências mais profundas e prazos de negociação maiores.

No acumulado até setembro, é comum que pipelines de M&A em Internet e TI passem por reprecificação, à medida que vendedores ajustam expectativas e investidores comparam alternativas de retorno. Esse processo tende a favorecer companhias com modelos SaaS rentáveis, soluções críticas de cibersegurança, nuvem e dados, assim como negócios expostos a eficiência operacional e automação, em detrimento de projetos ainda distantes do break-even.

Mesmo com a desaceleração, analistas observam que a queda não interrompe processos estruturais de consolidação no ecossistema digital, apenas eleva a barra de qualidade para que operações avancem ao fechamento.

Fatores que pressionam o apetite por M&A no setor

Entre os vetores mais citados para o recuo nas fusões e aquisições em Internet e TI estão o custo de capital mais alto, a volatilidade do câmbio e a necessidade de reprecificar riscos em planos de crescimento. Com a competição por capital mais intensa, investidores privilegiam ativos com margens previsíveis, menor dependência de captações futuras e governança sólida.

Além disso, os ajustes de valuation que marcaram os últimos ciclos impactaram teses de investimento em startups e empresas de software, elevando o foco em eficiência e geração de caixa. Em muitos casos, transações passaram a incluir mecanismos de earn-out e estruturas de preço atreladas a performance para mitigar incertezas.

Temas regulatórios e de compliance também ganharam relevância nas diligências, com ênfase em proteção de dados, conformidade com a LGPD, cibersegurança e continuidade operacional. Em empresas de infraestrutura digital, como data centers e conectividade, o escrutínio recai sobre contratos de longo prazo, indicadores de eficiência energética e capacidade de expansão.

Perspectivas e oportunidades para o próximo ciclo

Apesar do cenário de retração, a dinâmica de consolidação em tecnologia segue ativa e pode ganhar novo fôlego com sinais de normalização de juros e melhora da visibilidade macro. Em particular, teses ligadas a transformação digital de grandes empresas e PMEs, segurança cibernética, IA aplicada a produtividade, nuvem híbrida e observabilidade tendem a permanecer no radar de compradores estratégicos e de private equity.

Outro vetor potencial é a combinação de carve-outs corporativos e oportunidades de distressed M&A, em que ativos de qualidade, porém pressionados por alavancagem ou mudança de foco, encontram compradores com capacidade de integração e criação de sinergias. No ecossistema de Internet, modelos com forte retenção de clientes, diversificação de receitas e ganho de escala em nichos de alta recorrência tendem a continuar atraentes.

Para executivos e investidores, a leitura prática é clara: em fusões e aquisições em Internet e TI, a disciplina na alocação de capital e a busca por qualidade de receita serão determinantes para capturar valor. Mesmo com a queda reportada pela KPMG, o setor permanece entre os mais dinâmicos do país, devendo protagonizar a próxima onda de crescimento à medida que as condições de financiamento e a confiança se estabilizem.

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