Pesquisa global da Lenovo revela que a IA generativa é prioridade para transformar o workplace digital, mas maturidade e cibersegurança ainda travam os resultados
A IA generativa ganhou status de eixo estratégico no workplace digital, e os números confirmam a tendência. De acordo com a série de pesquisa Work Reborn, da Lenovo, mais de 80% de líderes de TI de todo o mundo acreditam que a tecnologia pode impactar positivamente a colaboração, a criatividade, a produtividade e o engajamento dos funcionários do setor tecnológico. O estudo ouviu cerca de 600 gestores de tecnologia globalmente para desvendar como construir um ambiente de trabalho digital realmente produtivo.
Os achados consolidam um panorama em que a IA generativa desponta como alavanca para eficiência, inovação e qualidade da experiência do colaborador. Em paralelo, os relatórios anteriores da série, intitulados Igniting Real Workplace Transformation, Reinventing Workplace Productivity e Reinforcing the Modern Workplace, ajudam a mapear prioridades, desafios e estágios de maturidade das organizações.
O que diz a série Work Reborn sobre produtividade e IA generativa
Na prática, a automação aparece como um pilar claro da estratégia. Segundo a Lenovo, 79% dos líderes de tecnologia acreditam que automatização de processos pode fazer com que os seus colaboradores se concentrem em trabalhos mais impactantes e importantes. O foco em ganhos de eficiência também é explícito em outras frentes: 51% dos entrevistados enxergam o aumento da produtividade como prioridade em suas estratégias de TI, enquanto 50% dos líderes de TI definem como principal objetivo criar uma experiência produtiva e engajadora para seus colaboradores.
Esses indicadores reforçam a aposta da liderança de tecnologia de que a IA generativa pode acelerar o ritmo de execução, melhorar fluxos de trabalho e destravar novos níveis de colaboração e criatividade. Em ambientes onde a pressão por resultados convive com a necessidade de inovar, a expectativa é que soluções de IA aumentem a qualidade das entregas, reduzam tarefas repetitivas e impulsionem a tomada de decisão com mais contexto e velocidade.
Maturidade digital, experiência do colaborador e os gargalos do workplace
Apesar do otimismo, o estudo expõe um descompasso entre ambição e prática. A Lenovo aponta que apenas cerca de 1/3 desses executivos acreditam que seus ambientes digitais atuais suportam efetivamente o engajamento dos funcionários. Ao mesmo tempo, 81% dos entrevistados priorizam a criação de locais de trabalho produtivos e engajadores, mas menos da metade acredita que seu ambiente digital atual entrega esse resultado, sinalizando uma lacuna de maturidade operacional, governança e integração tecnológica.
O estágio de adoção também é heterogêneo. 39% afirmam já estar em processo de transformação digital, enquanto 36% ainda se encontram em fase de planejamento. Em outras palavras, muitas empresas estão apenas consolidando os alicerces para colher os benefícios da IA generativa em escala.
Para avançar, a orientação da Lenovo combina práticas centradas no colaborador com governança e ética no uso de IA. Como resume Valério Mateus, Gerente Geral de Serviços e Soluções para Lenovo na América Latina: "Acreditamos que oferecer personalização e flexibilidade no uso de dispositivos e aplicativos é essencial para garantir um ambiente de trabalho mais produtivo e engajador. Também defendemos a adoção responsável da inteligência artificial generativa: as organizações precisam incorporar essas ferramentas de forma ética e segura, para que a tecnologia realmente impulsione a produtividade e a inovação", pontua.
Ele reforça a importância de uma jornada por etapas, com foco na maturidade digital: "É importante reconhecer que nem todas as empresas estão no mesmo estágio dessa jornada. A maturidade digital deve ser construída passo a passo, com avanços consistentes e sustentáveis", complementa o executivo.
A visão holística é outro ponto central para transformar estratégia em resultado. Valério destaca: "Na Lenovo, entendemos que a transformação digital exige uma visão ampla e integrada. É fundamental olhar para o quadro completo, desenvolvendo um plano abrangente que antecipe desafios como gestão de mudanças, capacitação de equipes, integração tecnológica e alinhamento organizacional. Só assim é possível garantir que cada etapa da jornada contribua para o mesmo objetivo", finaliza Valério.
Cibersegurança na era da IA generativa e o que defendem os especialistas
O avanço da IA generativa também reconfigura o tabuleiro da cibersegurança. A pesquisa revela que 78% dos líderes de TI admitem que suas defesas atuais não estão totalmente preparadas para enfrentar crimes cibernéticos impulsionados por IA, e 90% afirmam que o aumento do uso da IA pelos criminosos tornará as ameaças mais complexas e difíceis de detectar. Ao mesmo tempo, 60% dos entrevistados reconhecem que a própria IA pode ser uma aliada poderosa na proteção dos dados corporativos, o que reforça a necessidade de um equilíbrio entre inovação e segurança.
Esse cenário exige controles robustos, práticas de IA responsável e capacitação contínua das equipes. Organizações que combinarem arquitetura de segurança adaptativa, governança de dados, políticas de uso de IA generativa e medição de impacto em produtividade tendem a encurtar a distância entre a visão e o resultado. O recado do Work Reborn é claro: com planejamento estruturado, foco na experiência do colaborador e uma abordagem segura para a IA generativa, a promessa de mais produtividade, colaboração e engajamento deixa de ser tendência e passa a ser prática.