Levantamento do Torq, hub de inovação da Evertec Brasil, e da Sling Hub mapeia 87 empresas, confirma consolidação da inovação aberta nas grandes corporações e destaca IA, eficiência e ESG como prioridades
O novo estudo Inovação Aberta no Brasil, lançado pelo Torq, hub de inovação da Evertec Brasil, em parceria com a Sling Hub, confirma que a inovação aberta deixou o estágio experimental no país e se consolidou como prática estratégica. O levantamento identificou 87 empresas com iniciativas ativas e contou com 33 participantes na pesquisa detalhada sobre práticas, desafios e perspectivas do ecossistema.
Entre as organizações que detalharam suas práticas, 73% já possuem iniciativas consolidadas com orçamento recorrente, e 33% mantêm programas contínuos de colaboração com startups. A tendência é de expansão: 76% pretendem manter ou ampliar investimentos nos próximos anos, sendo que 33% planejam aumentar os recursos e 43% manter os valores atuais. Apenas 6% projetam redução, sinalizando um ciclo de amadurecimento e previsibilidade para projetos de open innovation.
Inovação aberta vira estratégia, não teste: multinacionais e grandes corporações puxam a fila
O estudo registra uma virada de chave no perfil de quem lidera a inovação aberta no Brasil. Segundo o material, 57% das organizações mapeadas têm mais de 10 mil funcionários, evidenciando o protagonismo de grandes corporações na agenda de colaboração com startups. Na avaliação de executivos do setor, essa massa crítica é crucial para dar escala a provas de conceito, tração de novas tecnologias e integração ao core do negócio.
Para Thiago Iglesias, Head do Torq, o momento marca um avanço qualitativo do ecossistema. Em suas palavras, “O estudo mostra uma virada de chave importante no ecossistema de inovação aberta no Brasil. Vemos uma presença crescente de multinacionais europeias e norte-americanas atuando em conjunto com grandes empresas locais, o que reforça o papel estratégico do país como um dos principais pólos globais de inovação”. Ele acrescenta: “Além disso, a longevidade das empresas demonstra que o Open Innovation se consolidou como uma ferramenta vital para sustentar competitividade em mercados cada vez mais dinâmicos e tecnológicos”.
Essa leitura é reforçada por João Ventura, CEO e fundador da Sling Hub: “O avanço da inovação aberta nas grandes empresas brasileiras é notável e consistente. As companhias estão buscando não apenas testar novas tecnologias, mas também incorporá-las de forma estrutural ao negócio. Isso reforça o amadurecimento do ecossistema corporativo e o papel do Brasil como referência em inovação na América Latina”. O resultado é um ambiente mais propício à captura de valor por meio de provas de conceito (POCs), parcerias comerciais e investimentos em Corporate Venture Capital.
Mapa do ecossistema: sedes, setores e a força de São Paulo
O recorte geográfico do estudo evidencia a predominância da presença nacional. 75% das empresas mapeadas têm sede no Brasil, com São Paulo concentrando 46% das operações, seguido por Rio de Janeiro (15%) e Minas Gerais (11%). Esses polos capitaneiam a demanda por pilotos, parcerias e adoção de tecnologias emergentes em escala corporativa.
Em termos setoriais, Finanças lidera as iniciativas de inovação aberta com 13%, seguida por Indústria e Energia com 11% cada. Educação e Saúde aparecem empatadas com 8%, enquanto TI e Alimentos e Bebidas têm 7% cada. Somados, esses sete segmentos respondem por 65% do ecossistema nacional, um retrato de como a prática já permeia setores regulados, intensivos em capital e com forte vocação para transformação digital.
Esse espalhamento setorial ajuda a explicar por que a inovação aberta se tornou um instrumento de competitividade, inclusive para agendas de transição energética, sustentabilidade/ESG e atualização tecnológica, com a colaboração de startups e scale-ups em fluxos de POCs, contratos e co-desenvolvimento.
O que vem a seguir: IA, dados, eficiência e novas formas de colaboração com startups
O horizonte para os próximos dois anos é claramente orientado por inteligência artificial e dados, citados por 91% das empresas como principais vetores de inovação. Na sequência, eficiência operacional e automação aparecem com 79%, seguidos por energia e transição energética (45%), sustentabilidade/ESG (36%) e saúde e bem-estar (33%). Os dados reforçam que os altos investimentos em IA e automação, alinhados a iniciativas de ESG, são as principais apostas estratégicas de colaboração com startups no curto prazo.
Na prática, as empresas combinam múltiplas frentes simultaneamente. As provas de conceito (POCs) são a principal forma de colaboração entre corporações e startups, com 91%. Em seguida vêm a contratação de soluções prontas (85%) e as parcerias comerciais (82%). Ganhando tração, programas estruturados de aceleração, desafios e CVB alcançam (76%), enquanto investimentos diretos ou via Corporate Venture Capital somam 61%. Esse portfólio diversificado amplia as chances de acerto estratégico, do teste rápido à integração definitiva.
Ao confirmar que 76% das empresas pretendem manter ou ampliar investimentos em inovação aberta, com 33% mirando aumento e 43% mantendo os níveis atuais, o estudo sinaliza estabilidade e visão de longo prazo. Em um cenário de competição global e ciclos tecnológicos acelerados, a combinação de IA, dados e parcerias com startups tende a se consolidar como o eixo central da estratégia de crescimento das grandes organizações no Brasil.