Inteligência Artificial no RH em 2025: 56% aprovam a IA generativa no recrutamento, mas só 11% usam ativamente, aponta estudo da SGF Global e LinkedIn

No Brasil, estudo da SGF Global em parceria com o LinkedIn mostra confiança na Inteligência Artificial generativa para recrutamento, porém barreiras de privacidade, orçamento e escolha de ferramentas atrasam a escala

A Inteligência Artificial está ganhando espaço nas estratégias de RH no Brasil, especialmente no recrutamento e na atração de talentos, mas ainda há um descompasso entre o otimismo e a prática. Um levantamento da SGF Global, em parceria com o LinkedIn, plataforma com mais de 1 bilhão de usuários globais, traça um panorama para 2025 e indica que a IA generativa já se consolida como padrão emergente para tornar o processo seletivo mais eficiente e baseado em competências.

Segundo o estudo, 56% dos profissionais de atração de talentos e de RH no Brasil acreditam que as ferramentas de contratação com IA podem agilizar significativamente o recrutamento. Apesar disso, a adoção plena ainda é tímida: apenas 11% utilizam ativamente a tecnologia em partes do processo. Outros 26% estão testando e 26% estudam casos de uso, enquanto 32% não utilizam nem planejam utilizar a IA generativa.

Entre quem já integrou ou experimentou a tecnologia, os ganhos são tangíveis. De acordo com a pesquisa, 89% observam maior eficiência no recrutamento, 89% relatam encontrar candidatos mais rapidamente e 82% afirmam que a IA facilitou a contratação com base em competências. Esses resultados reforçam a Inteligência Artificial como aliada estratégica no RH, alinhada à tendência de decisões orientadas por dados e à priorização de skills.

O que os dados dizem: otimismo, ganhos e a lacuna na adoção

Os números revelam um paradoxo típico de tecnologias em difusão. O mercado brasileiro de recrutamento com IA demonstra alta confiança nos benefícios, sobretudo em eficiência, velocidade de busca e precisão na triagem. A percepção positiva é sustentada por indicadores consistentes, como os 89% que apontam ganhos de eficiência e os 82% que enxergam avanço na contratação por competências.

Ao mesmo tempo, a adoção prática ainda avança de forma gradual. A presença de um grupo expressivo que apenas testa, estuda ou não pretende usar a tecnologia indica um ciclo de maturação em curso, marcado por dúvidas sobre ferramentas, governança e retorno sobre investimento. Para avançar, líderes de RH tendem a priorizar casos de uso com impacto direto, como triagem de currículos, formulários estruturados e buscas por competências.

Competências em foco: como a IA acelera a contratação baseada em skills

Um dos movimentos mais fortes mapeados pelo estudo é a contratação baseada em competências. Em vez de se apoiar exclusivamente em diplomas e tempo de experiência, o RH passa a valorizar a capacidade de adaptação, a comprovação de skills técnicos e comportamentais e o alinhamento ao contexto da vaga.

No Brasil, 65% dos profissionais de atração de talentos têm dificuldade em encontrar candidatos com as competências técnicas adequadas, mas 82% afirmam que a IA facilitou essa busca. O estudo indica ainda que empresas que realizam mais pesquisas baseadas em competências têm 12% mais chances de fazer excelentes contratações.

Para capturar esse potencial, uma recomendação prática é padronizar entrevistas com protocolos estruturados, avaliando criteriosamente as competências essenciais da função. Em paralelo, ferramentas de IA generativa podem apoiar desde a elaboração de descrições de vagas orientadas a skills até a identificação de talentos adjacentes, ampliando o funil com candidatos com potencial de requalificação.

Barreiras e próximos passos: privacidade, orçamento e escolha de ferramentas

A pesquisa mapeia desafios concretos que ajudam a explicar a adoção ainda contida. As principais barreiras são preocupações com privacidade e segurança de dados (citadas por 37%), limitação orçamentária (36%) e incerteza sobre quais ferramentas usar (33%). Essas travas evidenciam a importância de diretrizes claras de governança de IA, análises de custo-benefício e pilots bem desenhados.

Heliana Silva, country manager da SGF Global no Brasil, reforça a necessidade de combinar avanço tecnológico com responsabilidade: “O levantamento realizado em parceria com o LinkedIn confirma que a IA deixou de ser uma tendência para se consolidar como uma realidade que vem transformando a atração de talentos no Brasil. Os dados apontam uma crescente confiança na eficiência dessa tecnologia, e nosso papel é ajudar as empresas a evoluir da fase experimental para uma adoção estratégica e ética. Ao buscarmos essa eficiência — já reconhecida por 89% dos usuários —, é essencial priorizar a segurança dos dados, um desafio mencionado por 37% dos profissionais, e assegurar que a implementação da IA seja justa, transparente e capaz de aprimorar a qualidade das contratações”, afirma.

Na prática, dar escala à Inteligência Artificial no RH exige um roadmap que contemple segurança, ética e medição de impacto. Começar por funções de alto volume e baixa complexidade, definir métricas de qualidade de contratação e desempenho do funil, e treinar as equipes para o uso responsável da IA generativa ajudam a encurtar a distância entre o potencial e a adoção.

Com a proximidade de 2025, o recado do estudo é claro: há espaço para acelerar, desde que as organizações transformem pilotos em implementações estratégicas, priorizando casos de uso de maior impacto, protegendo dados sensíveis e garantindo transparência. Assim, a Inteligência Artificial deixa de ser promessa e se torna parte do cotidiano do recrutamento, elevando a qualidade das contratações e a eficiência de ponta a ponta.

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