Transformação em sustentabilidade, da fábrica à rede de telecom
A Lightera ESG, nova marca global integrada que sucede a antiga Furukawa, colocou a circularidade e os programas sociais no centro de sua estratégia para o mercado de telecomunicações e fibra óptica. No painel TI Verde do ESG Fórum, Jony Zatariano, Head de Marketing Brasil, apresentou como a companhia tem redesenhado processos para reduzir impactos ambientais e ampliar benefícios sociais, unindo reciclagem de materiais, manufatura limpa e formação de pessoas.
Ao descrever iniciativas que já estão em operação, Zatariano reforçou que a agenda de sustentabilidade não se resume a projetos pontuais. Segundo ele, “ESG é uma jornada de transformação que começa pela ética, passa pela sustentabilidade, mas só funciona com engajamento”. A mensagem sintetiza a ambição da Lightera ESG de escalar soluções práticas, do reaproveitamento de cabos à eficiência em data centers, gerando valor compartilhado com clientes, comunidades e o ecossistema de conectividade.
Reciclagem e reconectorização, o motor da circularidade
Um dos destaques do anúncio foi o Programa Green IT, que recolhe cabos de cobre e polietileno de clientes, processa o material em fábrica própria e o reintegra à cadeia industrial. Essa rota de reciclagem formal evita a destinação irregular, reduz riscos ambientais e diminui custos com descarte. O executivo detalhou que a iniciativa já atingiu um marco relevante, afirmando, “Nós já reciclamos mais de 2 mil toneladas. Quando falamos em 2 mil toneladas, lembre-se, são 2 mil toneladas que o sucateiro não está queimando ali na esquina de forma inadequada”.
Além do reaproveitamento de matéria-prima, a empresa vem incorporando a reconectorização de cabos drop ao fluxo produtivo. Na prática, sobras de instalações passam por testes e certificação em fábrica, voltando para uso em novas implantações. Esse processo diminui o descarte de materiais novos, reduz a pressão sobre cadeias de suprimentos e minimiza impactos em ambientes residenciais e condominiais, um ponto sensível em expansões de rede de alta densidade.
Para o mercado, a combinação de Lightera ESG, reciclagem em escala e reconectorização cria um ciclo virtuoso, em que a infraestrutura existente é prolongada, a geração de resíduos é contida e a oferta de serviços de conectividade mantém ritmo sem ampliar, na mesma proporção, o uso de recursos virgens.
Inovação de materiais e manufatura limpa, redução real de emissões
A Lightera ESG também aposta em materiais de menor impacto em suas linhas de produtos. Entre as novidades, estão cabos cuja capa é produzida a partir de derivados de cana-de-açúcar, tecnologia que, segundo a companhia, pode reduzir mais de 50% das emissões na etapa de produção. Essa abordagem, alinhada a tendências globais de biopolímeros, ajuda a cortar a pegada de carbono sem comprometer desempenho e durabilidade.
No parque fabril brasileiro, a empresa relata o uso de energia solar, rotinas de reúso de água e processos rígidos de tratamento antes da devolução à rede. O objetivo é tornar a manufatura mais limpa, controlando insumos críticos e garantindo conformidade ambiental. Segundo Zatariano, investir em infraestrutura de rede mais densa, com cabos de maior capacidade, também reduz o espaço físico ocupado em operações e contribui para uma menor carga térmica em data centers, um benefício que se traduz em eficiência energética e menores custos operacionais.
Ao integrar essas frentes, a Lightera ESG conecta inovação tecnológica e responsabilidade ambiental, demonstrando que ganhos de performance podem caminhar com reduções mensuráveis de emissões e resíduos.
Programas sociais e cheque verde, impacto que retorna à comunidade
Na dimensão social, a estratégia da Lightera ESG inclui programas de formação de jovens, capacitação de pessoas com deficiência, apoio a imigrantes e ações educacionais financiadas por um mecanismo batizado de cheque verde. O instrumento cria um crédito para clientes que aderem ao processo de reciclagem, destinando recursos a projetos educacionais e de inclusão, o que fecha o ciclo entre a economia circular e o desenvolvimento de talentos para o setor de TIC.
Essa engrenagem social fortalece a base de trabalhadores qualificados, amplia a diversidade no ambiente corporativo e aproxima a indústria de telecom de comunidades que historicamente ficam à margem da economia digital. Para Zatariano, a coerência entre ética, tecnologia e engajamento é o que sustenta a longevidade da agenda, como reforçado na declaração, “ESG é uma jornada de transformação que começa pela ética, passa pela sustentabilidade, mas só funciona com engajamento”.
Com a transição da antiga Furukawa para a Lightera como marca global integrada, voltada a telecomunicações, fibra óptica e soluções sustentáveis, a companhia busca ampliar a escala de impacto verde no ecossistema, unindo circularidade de materiais, manufatura limpa e programas sociais estruturados. O avanço do Green IT e do cheque verde indica um caminho em que retorno econômico e responsabilidade ambiental caminham juntos, consolidando a Lightera ESG como referência em inovação sustentável aplicada à infraestrutura digital.