Martechs no Brasil em 2025: captação cai para R$ 142 milhões, aponta Liga Ventures, enquanto IA e consolidação ganham força

Martechs têm 463 startups ativas mapeadas pela Liga Ventures, 94% focadas em B2B, com São Paulo na liderança e 2024 registrando R$ 1,3 bilhão em 20 operações

O mercado de martechs, que reúne soluções de marketing e tecnologia, atravessa uma fase de reacomodação no Brasil em 2025. De acordo com levantamento da Liga Ventures, as martechs captaram R$ 142 milhões em 2025, distribuídos em dez transações, uma redução significativa frente a 2024, quando o volume somou R$ 1,3 bilhão, em 20 operações. O estudo mapeou 463 startups ativas no país, com foco em aprimorar a oferta de produtos e serviços, fortalecer a relação entre marcas e consumidores e acelerar a transformação digital de empresas.

Mesmo com a queda no volume de investimento, o ecossistema de martechs segue robusto e cada vez mais especializado. A pesquisa indica que 26,1% dessas empresas foram criadas entre 2020 e novembro de 2025, refletindo a continuidade da inovação, apesar de um ciclo de capital mais seletivo. Nesse período, as frentes que mais ganharam novas companhias foram infraestrutura digital, marketing de conteúdo, automação de marketing, análise de dados e business intelligence e marketing de influenciadores.

Captação em 2025 x 2024, o que mudou nas martechs

Os números mostram um mercado atento à eficiência. O contraste entre R$ 142 milhões em 2025 e R$ 1,3 bilhão em 2024 sugere maior prudência nos aportes, com menos transações e cheques mais criteriosos. Ao mesmo tempo, a consolidação ganha espaço como estratégia de crescimento e defesa. Como descreve o estudo, “Segundo Daniel Grossi, cofundador da Liga Ventures, o mercado de martechs passa por um movimento de consolidação, com empresas adquirindo startups para ampliar portfólios e reforçar presença em nichos estratégicos.”

O recorte de maturidade também ajuda a entender o estágio do ecossistema, onde há uma base relevante de negócios em evolução. Entre as martechs mapeadas, 46% são emergentes, 21% estão estáveis, 18% são nascentes e 15% aparecem como disruptoras. Esse mix favorece movimentos de fusões e aquisições, além de parcerias estratégicas, especialmente em segmentos com maior sobreposição tecnológica e de mercado.

Outro vetor citado no relatório é o avanço da inteligência artificial nas martechs, abrindo espaço para novos produtos e modelos de receita. Em linha com isso, o estudo registra, em citação direta, que “Ele destaca que a inteligência artificial deve impulsionar novos modelos de negócio e gerar oportunidades de reposicionamento no setor.”

Onde estão e o que fazem as martechs no Brasil

O mapa das martechs no Brasil é liderado por São Paulo, que concentra 47% das startups. Em seguida aparecem Santa Catarina e Minas Gerais com 11% cada, Paraná com 10%, Rio de Janeiro com 7% e Rio Grande do Sul com 6%. A geografia espelha polos de inovação consolidados, ecossistemas universitários e cadeias de clientes corporativos, especialmente nas regiões Sudeste e Sul.

Em termos de especialização, o estudo identificou 15 categorias ativas entre as martechs. As mais representativas no total do ecossistema são infraestrutura digital (13%), automação de marketing (11,9%), CRM (11,2%), análise de dados e business intelligence (11,2%), marketing de conteúdo (10,8%), prospecção e geração de leads (8,4%), fidelização de clientes (7,6%) e marketing de influenciadores (5,6%). Entre as criadas de 2020 a novembro de 2025, os destaques foram infraestrutura digital (18%), marketing de conteúdo (16%), automação de marketing (13%), análise de dados e business intelligence (11%) e marketing de influenciadores (9%).

O B2B é o foco predominante desse mercado, com 94% das martechs orientadas para atender empresas. Essa vocação explica a forte presença de soluções de CRM, automação de marketing, prospecção e fidelização, além de plataformas de dados que conectam times de marketing, vendas e atendimento.

IA e tecnologias que puxam eficiência nas martechs

O estudo da Liga Ventures identificou 125 startups de martechs que aplicam Inteligência Artificial em frentes como otimização da cadeia de suprimentos, monitoramento de produtos, personalização da experiência do cliente, gestão de inventário, análise de sentimento e sustentabilidade. Essa adoção tecnológica, combinada a dados proprietários e integrações com sistemas legados, tem acelerado ganhos de produtividade e maturidade analítica.

Além da IA, as tecnologias mais aplicadas entre as martechs são Data Analytics (43%), API (41%), Inteligência Artificial (27%), Dashboard (26%) e Big Data (22%). Esse conjunto técnico sustenta desde arquiteturas de infraestrutura digital até soluções de marketing de conteúdo, automações e BI, permitindo que as empresas operem campanhas mais eficientes, mensurem resultados com granularidade e personalizem jornadas em escala.

Para a coleta e análise das informações, o levantamento utilizou uma ferramenta proprietária da casa. Como ressalta o relatório, “Os dados foram coletados por meio da plataforma Startup Scanner, ferramenta desenvolvida pela Liga Ventures para monitorar startups no Brasil e na América Latina e apoiar empresas e pesquisadores na identificação de tendências e oportunidades de negócio.” Isso confere rastreabilidade metodológica e atualidade às métricas reportadas sobre as martechs.

No balanço, 2025 tende a consolidar um ciclo de ajustes nas martechs brasileiras, com captação menor, porém com avanço de IA, foco em eficiência e consolidação setorial. Para investidores e corporações, o recado é claro, a especialização tecnológica, a capacidade de integração por API e a gestão orientada por dados estão no centro das teses vencedoras no universo de martechs.

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