Serviços Financeiros lideram, Varejo e Indústria esbarram em infraestrutura e adoção cultural, aponta infográfico de maturidade de dados da Eleflow, unidade de Dados e IA da Objective
A Eleflow, unidade de negócios de Dados e IA da Objective, divulgou um novo Infográfico de Maturidade de Dados que radiografa como as empresas brasileiras avançam na jornada de dados e onde ainda tropeçam. O levantamento, que analisa os setores de Tecnologia, Indústria, Varejo e Serviços Financeiros, conclui que a maturidade de dados já contribui de forma relevante na estratégia corporativa, porém a governança de dados e a infraestrutura facilitadora seguem como os maiores entraves para transformar informação em vantagem competitiva.
Segundo a pesquisa, o pilar Uso de dados na estratégia obteve as melhores pontuações, o que sinaliza maior adesão a decisões sustentadas por evidências. Em contrapartida, os eixos de Governança de dados e Infraestrutura facilitadora ficaram com os índices mais baixos, um alerta claro de que ainda há lacunas para que a maturidade de dados evolua de maneira consistente.
Na visão de liderança, a leitura é pragmática e direta. “Ao olhar para esse cenário, o que deve nos chamar atenção não é apenas quem está mais maduro, mas onde estão os gargalos de crescimento”, destaca João Paulo Miranda, CEO da Objective. “A maturidade dos Serviços Financeiros, por exemplo, revela o quanto o setor prioriza a confiabilidade dos dados na tomada de decisão, enquanto Indústria e Varejo ainda enfrentam obstáculos culturais e estruturais nessa jornada”, complementa.
Setores: quem lidera a maturidade de dados e quem precisa acelerar
No recorte por segmentos, Serviços Financeiros lideram com concentração no nível “Estruturado”, reflexo de anos lidando com dados sensíveis e com exigências rígidas de conformidade. Na sequência, a Indústria aparece com metade das empresas também no estágio “Estruturado”, comprovando uma transição para operações digitais mais conectadas.
O setor de Tecnologia se destaca por ser o único com organizações no nível “Orientado por Dados”, embora a maioria ainda esteja em “Explorador”. Já o Varejo apresenta cenário mais inicial, com 80% das empresas ainda em “Explorador” e parte delas em “Principiante”, um sinal de que a maturidade de dados ainda depende de maior padronização de processos, integração de fontes e capacitação contínua.
Entre os pilares avaliados, o setor de Tecnologia detém a maior média geral, reforçando o protagonismo em ferramentas analíticas, integração e automação. Mesmo assim, o estudo mostra que, sem bases sólidas de governança de dados e sem uma infraestrutura moderna e escalável, os ganhos tendem a ficar restritos a áreas isoladas, o que limita o impacto estratégico da jornada de dados.
Governança e infraestrutura: os gargalos que travam a jornada de dados
Do desenho de políticas à confiabilidade dos dados, a governança segue como o principal desafio para a maturidade de dados no Brasil, especialmente fora do setor financeiro. Sem regras claras de qualidade, segurança, acesso e conformidade, aumenta o risco de decisões enviesadas e de iniciativas fragmentadas. A infraestrutura facilitadora, por sua vez, demanda investimentos em plataformas modernas, integração entre sistemas e escalabilidade, pontos ainda frágeis em grande parte das empresas.
O diagnóstico cultural também pesa. Como destaca Paulo Eduardo Magalhães, COO da unidade de Dados & IA da Objective, “Mesmo com estratégias mais orientadas por dados, muitas organizações ainda enfrentam desafios de adoção cultural e sustentação técnica. Sem incentivo da alta gestão e uma governança sólida, a maturidade não evolui. É papel das lideranças definir metas e criar uma cultura realmente data-driven.” O estudo reforça ainda que capacitação e integração de dados são fatores críticos para destravar o avanço.
Nessa mesma linha, a Eleflow enfatiza a importância da confiança transversal. “O verdadeiro diferencial competitivo surge quando a organização cria uma cultura de confiança e colaboração em torno dos dados — quando todas as áreas falam a mesma língua e tomam decisões com base em informações consistentes e validadas”, reforça Magalhães. Com isso, a maturidade de dados deixa de ser uma agenda de TI e passa a ser um propósito corporativo, apoiado por liderança, processos e tecnologia.
Como subir de nível até o estágio data-driven
O levantamento classifica a evolução em cinco estágios. Em “Principiante”, as decisões ainda são baseadas na intuição. No nível “Explorador”, surgem iniciativas de dados em áreas isoladas. Já em “Estruturado”, há colaboração entre times e decisões sustentadas por dados. O estágio “Orientado por Dados” marca o uso de análises avançadas para orientar inovação. Por fim, o nível “Data Driven” corresponde a decisões guiadas integralmente por evidências, um estágio ainda não atingido por nenhuma das empresas participantes, o que mostra o potencial de evolução que ainda existe no país.
A fotografia de governança, infraestrutura e cultura também aparece no perfil dos respondentes. O estudo contabiliza 48,1% de profissionais em cargos de gestão e 51,9% na operação, evidenciando que a maturidade de dados é um esforço transversal, que depende de alinhamento entre estratégia, processos e execução. Esse equilíbrio é essencial para que a jornada de dados não fique restrita a pilotos, mas se traduza em impacto real para o negócio.
Em síntese, a mensagem do infográfico é inequívoca. As empresas brasileiras avançam no uso de dados na estratégia, porém a consolidação de governança de dados e de uma infraestrutura robusta continua sendo a fronteira que separa iniciativas promissoras de resultados consistentes. Para alcançar o estágio data-driven, a recomendação é clara, investir em governança, capacitação e visão de longo prazo sobre o valor dos dados, sempre ancorados por liderança ativa e por uma cultura que confia, colabora e decide com base em evidências.