Rimini Street reestrutura portfólio, receita cai 1,2% com saída do PeopleSoft e lucro volta ao azul no 3º tri fiscal de 2025

Rimini Street ajusta a rota após o PeopleSoft e mostra sinais de tração em contratos e lucratividade

A Rimini Street encerrou o 3º trimestre fiscal de 2025, em 30 de setembro, com receita de US$ 103,4 milhões, uma queda de 1,2% na comparação anual, diretamente impactada pela decisão estratégica de descontinuar os serviços de suporte ao Oracle PeopleSoft. Sem esse efeito, a companhia afirma que a receita teria crescido 2,5%, indicando que a reorganização do portfólio está em andamento e começa a redefinir a base de crescimento.

Mesmo com a pressão de curto prazo, a Rimini Street voltou ao lucro e fortaleceu sua posição em mercados internacionais, enquanto reforça a oferta de suporte independente e consultoria para Oracle e SAP. A empresa também avança em contratos com o setor público dos Estados Unidos e amplia sua presença em VMware, segmento impulsionado pelos recentes ajustes de licenciamento da Broadcom.

Efeito PeopleSoft nas receitas, com EUA em queda e operação internacional em alta

O impacto do PeopleSoft foi mais forte nos Estados Unidos, onde a base de clientes da plataforma é mais concentrada. A receita no país recuou 10,3%, enquanto as operações internacionais cresceram 7,7%. Desconsiderando PeopleSoft, a receita internacional teria avançado 8,6%. No mix, a receita de assinaturas somou US$ 97,8 milhões, equivalentes a 94,5% do total, mantendo a característica de previsibilidade do negócio.

Na métrica de recorrência, a Receita Recorrente Anualizada (ARR) ficou em US$ 391 milhões, uma redução de 2,6% ano a ano, movimento igualmente associado ao desligamento do suporte à plataforma legada. Ajustada pelo efeito da saída do PeopleSoft, a empresa informou que a ARR teria crescido 1%, sugerindo estabilização do run rate após a reorganização.

O trimestre também registrou aumento da base de clientes, que alcançou 3.155 organizações ativas, uma expansão de 1,9% em 12 meses, reforçando que a Rimini Street segue conquistando novas logos mesmo durante a transição estratégica.

Indicadores operacionais reforçam caixa, lucratividade e visibilidade de receita

Nos indicadores de curto e médio prazo, os Faturamentos Calculados atingiram US$ 66,5 milhões, enquanto os Faturamentos Calculados Ajustados somaram US$ 63,9 milhões, o que representa alta de 6,7% após a exclusão dos valores relacionados ao PeopleSoft. A visibilidade de receita futura também avançou, com as Obrigações de Desempenho Restantes (RPO) no recorde de US$ 611,2 milhões, expansão de 6,4%.

Em rentabilidade, a Rimini Street reverteu o prejuízo operacional do ano anterior e registrou lucro de US$ 4,4 milhões no trimestre. O lucro líquido foi de US$ 2,8 milhões, ante perda de US$ 43,1 milhões um ano antes, um salto relevante em eficiência operacional e disciplina de custos.

A posição de caixa permaneceu sólida, com US$ 108,7 milhões ao fim do período. A companhia recomprou 900 mil ações por US$ 3,8 milhões e concluiu o pagamento de US$ 10 milhões de sua linha de crédito rotativa, movimentos que combinam retorno ao acionista, redução de alavancagem e preservação de liquidez.

Parcerias, clientes estratégicos e próximos passos para acelerar o crescimento

No front comercial, a Rimini Street consolidou contratos com organizações como a rede pública de radiodifusão KBS, a japonesa Idemitsu Kosan e a Suntory. A empresa também passou a integrar o cronograma de Múltiplas Licitações da U.S. General Services Administration (GSA), o que permite contratação direta por órgãos governamentais nos Estados Unidos, ampliando o alcance no setor público.

Em ecossistema e oferta, a companhia firmou parceria com a American Digital para ampliar soluções full stack em infraestrutura HPE. O avanço em VMware continua, com a empresa superando 100 contratos ativos de suporte, um segmento que vem ganhando tração desde os reajustes de licenciamento da Broadcom, e que posiciona a Rimini Street como alternativa de suporte independente para clientes em busca de previsibilidade de custos e níveis de serviço.

Na operação de suporte, o trimestre foi marcado por mais de 6.500 casos encerrados e 4.500 atualizações fiscais e regulatórias entregues, mantendo avaliação média de satisfação de 4,9 em 5. Esses indicadores ajudam a sustentar a narrativa de que, apesar da saída do PeopleSoft, a Rimini Street fortalece a entrega em seu core de valor.

O próximo catalisador para investidores e clientes será o Analyst and Investor Day, marcado para 3 de dezembro, quando a Rimini Street deve apresentar projeções, metas e detalhar as estratégias de expansão em suporte independente para Oracle, SAP e VMware, além de oportunidades no setor público via GSA. A expectativa é que a empresa aprofunde como a reorganização pós-PeopleSoft sustenta a aceleração do crescimento orgânico, a evolução da rentabilidade e a ampliação das parcerias tecnológicas.

Com base nos resultados divulgados, a combinação de receita majoritariamente recorrente, crescimento internacional, RPO em nível recorde e retorno ao lucro cria um pano de fundo favorável para a nova fase da Rimini Street, que mira consolidação de share no mercado global de suporte independente e consultoria para sistemas críticos.

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