Riscos ocultos da GenAI: Gartner alerta CIOs sobre shadow AI, dívida técnica e soberania de dados até 2030

Como os riscos ocultos da GenAI podem atrasar projetos, elevar custos e expor empresas a incidentes de segurança, segundo o Gartner

Os riscos ocultos da GenAI estão se tornando determinantes para o sucesso ou o fracasso de iniciativas empresariais com inteligência artificial generativa. De acordo com o Gartner, fatores pouco visíveis como shadow AI, dívida técnica, soberania de dados, perda de habilidades e dependência de fornecedores podem comprometer a escalabilidade e a segurança dos projetos, exigindo ação imediata de CIOs e líderes de tecnologia.

Em um cenário de adoção acelerada, a consultoria alerta que o uso de ferramentas não autorizadas e a falta de governança podem desencadear impactos operacionais, atrasos e até falhas estruturais. Em suas conclusões, o Gartner recomenda incorporar avaliação de risco desde as fases iniciais e promover revisão contínua de políticas, processos e arquiteturas de GenAI, reforçando a necessidade de governança ativa e decisões tecnológicas sustentáveis.

Shadow AI e o uso não autorizado que escapa aos controles

O avanço da GenAI pública no ambiente corporativo vem acompanhado de um aumento do uso não autorizado por colaboradores, o que amplia a superfície de risco de dados e compliance. O Gartner relata que, em pesquisa com 302 líderes de segurança, “69% das organizações suspeitam ou já têm evidências de uso de GenAI pública proibida por colaboradores.”

Esse movimento alimenta o fenômeno de shadow AI, com aplicações e fluxos de dados fora do radar da TI. O alerta é contundente, já que a consultoria projeta uma escalada dos incidentes ao longo dos próximos anos. Nas palavras do relatório, “A previsão da empresa é que, até 2030, mais de 40% das organizações enfrentarão incidentes de segurança ou conformidade relacionados à shadow AI.”

Para os CIOs, a mensagem é clara. É preciso estabelecer diretrizes de uso, habilitar monitoramento e educar equipes sobre riscos e boas práticas, reduzindo a exposição a falhas de segurança e violações de conformidade. A governança deve equilibrar acesso e proteção, evitando bloqueios absolutos que incentivem a clandestinidade tecnológica.

Dívida técnica e erosão de habilidades, o custo invisível de escalar GenAI

Outro ponto sensível nos riscos ocultos da GenAI é a formação de dívida técnica associada à produção acelerada de código, conteúdos e artefatos gerados por IA. Sem um controle rígido de qualidade, versionamento e ciclo de vida, a manutenção se torna onerosa e lenta, afetando diretamente a velocidade de entrega e o orçamento.

O Gartner projeta um impacto relevante sobre produtividade e custos. Segundo a consultoria, “O Gartner estima que, até 2030, metade das empresas terá atrasos em atualizações ou aumento de custos de manutenção por não controlar adequadamente essa dívida acumulada.”

Há também um risco humano, muitas vezes subestimado. A dependência crescente de sistemas automatizados pode reduzir competências críticas, dificultando operações em cenários de indisponibilidade ou mudança de contexto. A consultoria observa que o risco de erosão de habilidades tende a surgir de forma gradual, tornando a detecção mais difícil e elevando a vulnerabilidade organizacional caso a IA falhe ou gere resultados inadequados.

Para mitigar, os CIOs devem fortalecer práticas de MLOps e DevSecOps, criar inventários de artefatos gerados por IA, aplicar políticas de retenção e revisão periódica, além de promover treinamentos contínuos para preservar o domínio técnico das equipes.

Soberania tecnológica e dependência de fornecedores, riscos estratégicos de longo prazo

A pressão regulatória amplia os riscos ocultos da GenAI ao exigir que dados e modelos respeitem requisitos nacionais e setoriais. O Gartner destaca que “A previsão é que, até 2028, 65% dos governos adotem requisitos de soberania de dados ou modelos,” o que pode impor restrições ao compartilhamento transfronteiriço e afetar arquiteturas que dependem de provedores globais.

Paralelamente, a dependência de plataformas únicas acelera a entrega no curto prazo, porém aumenta o lock-in tecnológico. A consultoria adverte que modelos, dados e fluxos de trabalho podem ficar presos a APIs e ferramentas específicas, o que limita a capacidade de migração, negociação e resiliência estratégica das empresas no futuro.

Nesse contexto, a orientação do Gartner é planejar para portabilidade desde o início, privilegiando padrões abertos, camadas de abstração, contratos de saída e avaliações regulares de risco por fornecedor. Também é essencial revisar cláusulas de conformidade e locais de processamento para atender a requisitos de soberania que evoluem rapidamente.

Em síntese, o recado aos líderes é direto e prioritário: “Shadow AI, dívida técnica, soberania de dados, perda de habilidades e dependência de fornecedores aparecem como fatores críticos para adoção segura da IA generativa”. As conclusões estão reunidas na análise “Generative AI’s Invisible Undercurrents: 10 Blind Spots CIOs Aren’t Watching but Should”, que, segundo o Gartner, orienta incorporar avaliação de risco desde as fases iniciais e revisar continuamente políticas, processos e arquiteturas envolvidos no uso corporativo da IA generativa.

Para escalar a GenAI com confiança, os CIOs devem tratar os riscos ocultos da GenAI como parte central da estratégia. Com governança clara, arquitetura preparada para portabilidade, observabilidade robusta e capacitação das equipes, é possível colher ganhos de eficiência e inovação sem comprometer segurança, compliance e sustentabilidade tecnológica.

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