ROI da IA segue nebuloso, estudo da Logicalis mostra Inteligência Artificial apenas em 3º lugar nas prioridades de TI para 2025 e 2026

Segurança da informação lidera pelo quarto ano, automação de processos vem em segundo, e o ROI da IA continua indefinido, com só 30% medindo ganhos concretos, aponta o IT Trends Snapshot 2025

O novo IT Trends Snapshot 2025, da Logicalis, ouviu 129 CIOs e gestores de tecnologia e traz um retrato objetivo do cenário para os próximos dois anos. Apesar do hype da inteligência artificial e da pressão de boards, a IA aparece apenas na terceira posição entre as prioridades tecnológicas das empresas para 2025 e 2026. Na frente, seguem segurança da informação e automação de processos, o que reforça a busca por resiliência cibernética, eficiência operacional e redução de custos.

O levantamento também indica um ponto crítico que atravessa quase todas as discussões: o ROI da IA. Segundo o estudo, somente 30% das organizações conseguiram mensurar ganhos concretos com IA, o que mantém a tecnologia numa fase de baixa maturidade e adoção ainda desestruturada. Sem visibilidade clara de retorno, as lideranças desaceleram investimentos e priorizam iniciativas com impacto mais imediato.

Hype não se traduz em priorização. Em resposta à TI Inside, o CEO da Logicalis para a América Latina, Márcio Caputo, reconheceu que também esperava ver a IA mais acima na lista, mas afirmou que o mercado se move de forma menos acelerada que o discurso. Parte desse descompasso nasce do entendimento de que IA se resume a ferramentas de uso pessoal, como Copilot e ChatGPT, enquanto muitas automações e digitalizações já incorporam componentes de IA embarcados. Essa percepção, diz ele, reduz artificialmente o espaço da tecnologia na pesquisa.

Segurança da informação e automação seguem à frente, IA fica em terceiro

No topo das prioridades, a segurança da informação lidera pelo quarto ano consecutivo, mencionada como alta prioridade por 80% dos executivos. O avanço de ataques impulsionados por IA, como phishing hiperpersonalizado, deepfakes e o uso de agentes autônomos, mantém o tema no centro do orçamento de TI, com foco em detecção, resposta e resiliência.

A automação de processos aparece na segunda posição, citada por 49% dos entrevistados, e foi classificada como a prioridade número um de negócio para 67% das empresas. A agenda de automação se conecta diretamente a eficiência, integração de sistemas e redução de custos, pilares que, de forma pragmática, são mais fáceis de medir e apresentar ao board que o ROI da IA.

Mesmo no centro das discussões, a IA surge apenas na terceira posição, com 42%. O estudo e os executivos ouvidos pela TI Inside apontam que o debate estratégico está maduro, porém a execução ainda caminha, pressionada por riscos, governança e, sobretudo, pela mensuração do retorno.

ROI da IA é o maior gargalo, pilotos funcionam mas não escalam

De acordo com o CTO da Logicalis, Fábio Hashimoto, a ausência de ROI da IA mensurável é hoje o obstáculo central à expansão no Brasil. O estudo mostra que 48% dos líderes dizem perceber benefícios, mas não conseguem quantificar resultados. Além disso, apenas 3 em cada 10 empresas afirmam saber metrificar o retorno. Sem esse indicador, os casos de uso permanecem como pilotos, com dificuldade de avançar para escala e operação contínua.

Hashimoto explica que os pilotos geralmente dão certo, mas travam na escala por três motivos principais: dados inconsistentes ou incompletos, falta de plataforma analítica integrada e ausência de governança e políticas de uso. A isso se somam desafios estruturais reconhecidos pelos executivos, como dados desorganizados, dúvidas sobre infraestrutura entre cloud e data center próprio e riscos de segurança ampliados, especialmente com o surgimento de agentes autônomos e ameaças mais sofisticadas.

Há também um descompasso entre a adoção pela base e a visão do alto escalão. Funcionários já usam assistentes generativos para produtividade, mas as lideranças não veem, com clareza, o impacto agregado, o que alimenta a percepção de modismo e reduz a confiança no ROI da IA. Nesse cenário, 70% dos entrevistados afirmaram que a IA está sendo adotada “mais por medo de ficar para trás do que por planejamento estruturado”. A governança aparece como ponto sensível, já que 74% das empresas não possuem política formal de IA, o que adiciona risco regulatório e operacional.

O que pode destravar a IA até 2026 e como amarrar o ROI

Apesar das barreiras, o IT Trends Snapshot 2025 mapeia vetores de aceleração para os próximos dois anos. Há expectativas de aumento no orçamento de TI para 60% das empresas em 2026, além da expansão de projetos estruturados em analytics, big data e governança. À medida que casos de uso mais concretos amadurecem, como produtividade, atendimento conversacional, segurança e prevenção a fraudes, a tendência é de que o ROI da IA seja melhor demonstrado, conectando métricas de negócio, como receita incremental, redução de tempo de ciclo e contenção de custos.

Segundo a Logicalis, o avanço virá menos pela adoção espontânea e mais pela necessidade de vincular a tecnologia aos resultados estratégicos. Traduzir a inteligência artificial em indicadores claros, integrados a plataformas analíticas e sustentados por governança e segurança, é caminho essencial para cristalizar o ROI da IA. Isso inclui tratar a qualidade dos dados, definir políticas de uso e mitigar riscos com controles, auditoria e métricas de performance desde a fase de piloto.

Para os CIOs, a mensagem do estudo é pragmática. Em um ambiente de ameaças mais sofisticadas e de pressão por eficiência, a priorização segue com segurança da informação e automação no topo, enquanto a inteligência artificial precisa mostrar, com método e governança, o seu ROI da IA. A janela de 2025 e 2026, com mais orçamento e casos de uso maduros, pode ser decisiva para converter hype em escala, controle e resultados tangíveis.

Fonte: IT Trends Snapshot 2025, Logicalis, e reportagem da TI Inside de 13/11/2025.

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