IA, sensores e gêmeos digitais colocam São Paulo na rota do monitoramento de esgoto em tempo real
A Sabesp está ampliando o uso de sensores com IA, modelagem hidráulica e plataformas digitais para reforçar o monitoramento de esgoto em tempo real na cidade de São Paulo. A iniciativa integra dados de nível, vazão, chuvas, qualidade da água e indicadores ambientais, permitindo identificar anomalias antes que se transformem em ocorrências, o que evita transtornos à população e reduz impactos ambientais.
O sistema cruza as leituras de campo com algoritmos de inteligência artificial, que reconhecem padrões e tendências de risco, como obstrução, extravasamento para fora da rede ou perda de capacidade. Quando um ponto entra em faixa crítica, a central recebe um alerta e as equipes são acionadas de forma automática, agilizando inspeções e manutenções preventivas.
Atualmente, a capital conta com 315 sensores em operação em regiões como Santana, Jardins, Mooca, Ipiranga e centro. Segundo dados divulgados à imprensa, a capital ganhará mais 974 unidades a partir de dezembro, ampliando de forma expressiva a cobertura do monitoramento de esgoto em tempo real em áreas estratégicas.
Como funciona o sistema e por que a IA faz diferença
Os sensores são instalados diretamente nos poços de visita, onde realizam leituras contínuas do nível do esgoto. As informações são enviadas em tempo real à sala de controle, onde a IA analisa o comportamento das redes, identifica padrões de anomalia e gera alertas quando os níveis atingem faixas críticas.
Com isso, os operadores visualizam um mapa operacional com pontos de atenção. Quando um alerta acende, a equipe é encaminhada para vistoria, limpeza da rede ou ajustes de operação, muitas vezes antes de qualquer chamado de clientes. Esse modelo de atuação preventiva reduz a chance de extravasamentos e de intervenções emergenciais.
Em complemento, a companhia utiliza uma plataforma de gêmeos digitais, o SewerSight, que oferece uma visão integrada do cenário operacional, melhorando a tomada de decisão e a priorização de recursos. O conjunto de dados e modelos, aliado ao monitoramento de esgoto em tempo real, permite ganhar precisão e velocidade na resposta.
“O sistema de monitoramento de esgoto por sensores é de extrema importância na operação da Sabesp. Ele traz mais inteligência, precisão e rapidez ao trabalho das equipes, reduzindo riscos à população e impactos ambientais. Com essa tecnologia, conseguimos agir antes do problema acontecer. É uma tecnologia que permite detectar situações críticas com antecedência, reduzindo riscos de problemas como vazamentos e garantindo mais eficiência às operações”, destaca Maycon Abreu, diretor regional Centro da Sabesp.
Onde estão os sensores, resultados já obtidos e a expansão com 974 novas unidades
Os primeiros pontos monitorados foram instalados em Santana, na zona norte, em 2022, e na região do córrego Maranhão, no Tatuapé, em 2023. A distribuição considerou áreas sensíveis, como bairros com grande concentração de restaurantes e lanchonetes, onde o descarte irregular de óleo de fritura acelera entupimentos.
Com a evolução do projeto, a malha de monitoramento se expandiu para mais de 150 bairros, incluindo regiões populosas e de forte atividade econômica, como o centro histórico, Ibirapuera, Jardins, Pinheiros, Consolação, Pompeia, Pacaembu, Perdizes, Lapa, Vila Leopoldina, Higienópolis, Liberdade, Bela Vista, Vila Mariana e Moema. A prioridade é proteger áreas com hospitais, escolas, centros comerciais e pontos turísticos.
Na área central, onde a plataforma de gêmeos digitais auxilia a operação, o sistema já antecipou soluções em 36.341 ligações de esgoto, beneficiando mais de 200 mil pessoas, o que contribuiu para evitar retornos e reduzir intervenções emergenciais. Em Santana, desde o início do monitoramento, foram registradas 251 vistorias, com 15 acompanhamentos de rede e sete ocorrências solucionadas de forma preventiva.
Para ampliar esse alcance, a companhia confirmou a chegada de mais 974 unidades na capital a partir de dezembro. A expansão fortalece a estratégia de monitoramento de esgoto em tempo real, que reúne sensores inteligentes, analytics e integração operacional.
Proteção de córregos, qualidade da água e educação contra o descarte de óleo
O monitoramento também protege os córregos da cidade. A Sabesp acompanha o nível dos poços de visita próximos aos corpos d’água e avalia a qualidade por meio dos indicadores DBO e DQO, usados como termômetro ambiental. DBO mede a quantidade de oxigênio que micro-organismos precisam para decompor uma matéria orgânica de forma natural, quanto menor, melhor para a vida aquática. Já a DQO estima a carga total de poluição oxidável, incluindo a fração que os micro-organismos não conseguem decompor. Níveis elevados de ambos confirmam a presença de poluição orgânica e total, indicando necessidade de ação corretiva.
Entre as causas frequentes de obstruções está o descarte incorreto de óleo de cozinha em pias e ralos. O resíduo endurece e forma placas nas tubulações, comprometendo a capacidade da rede e elevando o risco de extravasamentos. A orientação é simples, nunca jogar óleo no esgoto, destiná-lo à reciclagem, onde pode ser transformado em produtos como sabão.
“O sistema da Sabesp que transporta o esgoto para as estações de tratamento contribui para a qualidade da água de nossos córregos e rios. Com o monitoramento, nossas equipes podem atuar antes que algum entupimento prejudique essa operação, seja por algum lançamento indevido de materiais nas redes, seja por necessidade de manutenção corretiva”, ressalta Cesar Ridolpho, diretor regional Norte da Sabesp.
Com a combinação de sensores com IA, dados ambientais e gêmeos digitais, o monitoramento de esgoto em tempo real evolui de forma consistente em São Paulo, elevando a eficiência operacional e a proteção ambiental, além de promover respostas mais rápidas e preventivas em toda a rede coletora.