Sistemas autônomos e agentes de IA avançam como infraestrutura do trabalho, enquanto sustentabilidade digital acelera e o World Economic Forum projeta saldo positivo de 78 milhões de postos de trabalho até 2030
Os sistemas autônomos entraram de vez no centro da estratégia corporativa, impulsionando uma nova rodada de investimentos e redefinindo a experiência de trabalho. De acordo com o estudo ISG Provider Lens® Future of Work Services 2025 para o Brasil, produzido e distribuído pela TGT ISG, as empresas caminham para um modelo em que agentes de IA, automação cognitiva e análise preditiva se tornam infraestrutura, conectando pessoas, processos e ambientes físicos e digitais.
O levantamento projeta US$ 22,3 bilhões em 2025 para tecnologias voltadas ao ambiente de trabalho nas Américas, Ásia-Pacífico e EMEA, enquanto o mercado de sustentabilidade digital deve atingir US$ 30,3 bilhões, com potencial de chegar a US$ 41 bilhões até 2027. O recado é claro, ambientes corporativos migram para ecossistemas híbridos, físicos, digitais e humanos, em que eficiência, experiência e ESG caminham juntos.
No coração dessa mudança está a inteligência artificial generativa. O estudo reforça que, “Se em 2023 apenas 55% das empresas experimentavam com a tecnologia, em 2024 esse índice saltou para 75%”. Com a rotina cada vez mais fragmentada, a pressão para automatizar tarefas e integrar fluxos de trabalho aumenta. “Relatórios recentes da Microsoft mostram que os profissionais passam cerca de 40% do tempo online, o equivalente a 6 horas diárias, lidando com e-mails. Em média, recebem 117 mensagens por dia e dedicam apenas 60 segundos para ler cada uma. Isso significa que, cada vez mais, as conversas e o trabalho estão sendo fragmentados. O que efetivamente vem para ajudar esse ambiente totalmente fragmentado, com conversas pipocando durante todo o expediente, são as tecnologias e os agentes de inteligência artificial.”
IA como infraestrutura, experiência como valor e sustentabilidade como motor
Segundo o ISG Provider Lens, o escritório digital do futuro nascerá da convergência de três pilares. Primeiro, a IA como infraestrutura central, com agentes pré-construídos, automação cognitiva e análise preditiva suportando operações e tomada de decisões. Segundo, a experiência do usuário como métrica de valor, substituindo indicadores meramente operacionais por resultados de jornada. Terceiro, a sustentabilidade passa de exigência regulatória a diferencial competitivo e alavanca de inovação.
Nessa direção, Cristiane Tarricone, distinguished analyst da TGT ISG e autora do estudo, sintetiza o impacto dos sistemas autônomos no cotidiano das empresas. “Esse modelo cria ecossistemas autônomos, capazes de autorremediar falhas, prever demandas e otimizar recursos em tempo real. Tecnologias como realidade aumentada e virtual reduzem custos de suporte em campo, enquanto sensores e análise preditiva ajudam a criar espaços de trabalho responsivos e ambientalmente eficientes”, afirma.
O estudo também destaca a emergência da IA agêntica em vendas, recursos humanos, atendimento aos canais de cliente e experiência do usuário. Números da ISG indicam que 52% dos casos de uso de agentes de IA não são específicos de uma indústria, embora serviços financeiros representem 30% das aplicações, varejo 21% e manufatura 18%. Porém, apenas 25% das soluções atuais permitem operação independente, e 45% operam de forma consultiva, o que exige governança robusta, monitoramento em tempo real e estruturas éticas para lidar com riscos e vieses.
Impacto no emprego, novas habilidades e a rota até 2030
Os sistemas autônomos e os agentes de IA alteram o equilíbrio entre tecnologia e trabalho humano. Até 2030, o World Economic Forum estima a criação de 170 milhões de novos empregos e o desaparecimento de 92 milhões, o que representa um saldo positivo de 78 milhões de postos de trabalho. A autora do estudo ressalta a profundidade da transformação, ao afirmar que “Mais do que uma simples reorganização do mercado de trabalho, essa virada representa uma mudança profunda na relação entre tecnologia e trabalho humano. A transformação tecnológica será o principal vetor de criação e deslocamento de empregos até 2030. Para se manterem competitivas, as empresas precisam não apenas atualizar suas infraestruturas, mas também adotar práticas sustentáveis e inclusivas”.
Nesse contexto, habilidades técnicas como ciência de dados, desenvolvimento de IA e segurança digital ganham relevância, enquanto competências comportamentais como resolução de conflitos, pensamento crítico e adaptabilidade mantêm valor único. Empresas líderes adotam trilhas complementares, da colaboração humano máquina à criação de plataformas multiagente, sempre equilibrando ganhos de eficiência com valores éticos e humanos.
Da prova de conceito à escada corporativa, governança e líderes no Brasil
No Brasil, a edição 2025 do ISG Provider Lens avalia as capacidades de 31 fornecedores em seis quadrantes, Workplace Strategy and Enablement Services, Collaboration and Next-gen Experience Services, Managed End-user Technology Services, Continuous Productivity Services (including Next-gen Service Desk), Smart and Sustainable Workplace Services e AI-Augmented Workforce Services. O relatório nomeia a DXC Technology e a Stefanini como líderes em todos os seis quadrantes. A Atos, a TIVIT e a Unisys são nomeadas líderes em cinco quadrantes cada. A Kyndryl, a TCS e a Wipro são nomeadas líderes em quatro quadrantes cada, e a Accenture é nomeada líder em três quadrantes. A Deloitte e a Getronics são nomeadas líderes em dois quadrantes cada. A Capgemini, a Dedalus, a HCLTech, a NTT DATA e a Positivo S+ são nomeadas líderes em um quadrante cada.
O estudo também destaca as empresas em ascensão. A HCLTech foi nomeada Rising Star, com um “portfólio promissor” e “alto potencial futuro”, em três quadrantes. Capgemini, Getronics, NTT DATA e Positivo S+ foram nomeadas Rising Stars em um quadrante cada, sinalizando um mercado competitivo e maduro para escalar sistemas autônomos em produção.
No caminho da adoção, a governança segue crucial. Como ressalta o relatório, os agentes de IA ainda operam majoritariamente em modos consultivos, o que demanda monitoramento em tempo real, gestão de risco e práticas éticas. O objetivo é claro, consolidar ecossistemas autônomos capazes de aprender, decidir e colaborar com humanos na criação de valor, mantendo conformidade regulatória e compromisso com valores humanos.
Para Tarricone, o desafio não é apenas tecnológico, ele é organizacional e cultural. “Empresas que conseguirem orquestrar ecossistemas tecnológicos complexos, mantendo adaptabilidade cultural, responsabilidade regulatória e compromisso com valores humanos, terão vantagem competitiva”, conclui.