Transformação digital da Iochpe-Maxion: BNDES libera R$ 36,7 milhões, e fábrica de Cruzeiro projeta alta de 32% na produção de longarinas

Financiamento do Programa BNDES Mais Inovação vai automatizar e integrar linhas de estampagem e roll-forming, elevando a capacidade de 480 mil para 635 mil longarinas por ano, com 50% do crédito atrelado à TR

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou um financiamento de R$ 36,7 milhões para a transformação digital da Iochpe-Maxion na unidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba (SP). O investimento, viabilizado pelo Programa BNDES Mais Inovação, será direcionado à automação, digitalização e integração das linhas de produção de longarinas, um dos componentes estruturais mais importantes do chassi de veículos comerciais.

O projeto atua em duas frentes produtivas, estampagem e roll-forming. Na estampagem, as chapas metálicas são moldadas por prensas, enquanto no roll-forming as chapas passam por rolos que promovem dobras graduais até alcançar a forma final. A proposta é otimizar a produção ponta a ponta, ampliando a eficiência, reduzindo perdas e elevando a confiabilidade dos sistemas industriais.

Segundo a companhia, a transformação digital da Iochpe-Maxion deve gerar um salto de aproximadamente 32% na capacidade anual de longarinas, passando de 480 mil para 635 mil unidades. O apoio do BNDES inclui condições financeiras diferenciadas, com 50% do valor do financiamento atrelado ao custo da Taxa Referencial (TR), contribuindo para baratear o crédito destinado à inovação industrial.

Como o crédito será aplicado na fábrica de Cruzeiro

Na planta da divisão Maxion Structural Components, uma das maiores fabricantes de longarinas nas Américas, a digitalização cobrirá as etapas críticas de preparação, conformação e controle de qualidade. A integração de dados de chão de fábrica permitirá acompanhar em tempo real indicadores de produtividade, consumo de insumos e disponibilidade de equipamentos, acelerando decisões e ajustes de processo.

Com a automação de células e a conexão entre máquinas, sensores e sistemas, a empresa projeta ganhos consistentes de rendimento. A expectativa é reduzir gargalos, mitigar retrabalhos e garantir traçabilidade completa das peças, do recebimento das chapas até a expedição das longarinas. Ao difundir práticas de manufatura avançada, a transformação digital da Iochpe-Maxion tende a fortalecer a confiabilidade operacional e a previsibilidade de entregas.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a estratégia do Banco para incentivar tecnologia e competitividade industrial. “Como agente da política industrial do governo Lula, o BNDES reduz o custo do crédito para impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país. Com este financiamento, o Banco reafirma o apoio à transformação digital da indústria brasileira, que se traduz em maior competitividade para o setor”, destacou Mercadante.

Produtividade, custos e metas: o que muda com a digitalização

A modernização nas linhas de estampagem e roll-forming foi planejada para eliminar perdas, elevar a taxa de utilização dos ativos e manter a qualidade dimensional das longarinas, componentes que dão rigidez e suportam o conjunto do chassi. Ao conectar processos, as equipes passam a operar com dados unificados, viabilizando manutenção preditiva, ajustes finos de processo e respostas mais rápidas a variações de demanda.

Em termos de escala, a transformação digital da Iochpe-Maxion sustenta a meta de crescer a capacidade anual de 480 mil para 635 mil longarinas. Essa expansão, apoiada por automação e integração de sistemas, tende a reduzir custos unitários e a aumentar a disponibilidade de linhas, um passo relevante para competir em mercados domésticos e internacionais.

Para a companhia, a digitalização tem caráter estratégico no contexto automotivo. “O investimento na digitalização das nossas linhas de produção é um passo estratégico para fortalecer a competitividade global da Iochpe-Maxion. Estamos elevando nossos padrões tecnológicos e de eficiência, o que nos permite atender com ainda mais agilidade e qualidade às demandas do setor automotivo”, afirma Renato Salum, CFO na Iochpe-Maxion.

Na frente de financiamento, o arranjo com 50% atrelado à TR ajuda a suavizar o custo financeiro do projeto de inovação. A combinação de crédito mais barato com avanços de produtividade é vista pelo BNDES como instrumento para acelerar a adoção de tecnologias emergentes e consolidar ganhos de competitividade no setor de autopeças.

Perfil da Iochpe-Maxion, mercados e portfólio

A Iochpe-Maxion é uma fabricante global de rodas automotivas e uma das principais produtoras de componentes estruturais automotivos nas Américas. A empresa opera 33 unidades industriais em 14 países e conta com cerca de 17.000 colaboradores, atendendo montadoras e clientes em vários continentes, com foco em qualidade, competitividade e padrões de entrega exigidos pelo setor.

O grupo atua por meio de duas divisões. A Maxion Wheels produz uma ampla gama de rodas para veículos de passeio, comerciais e agrícolas, além de reboques. Já a Maxion Structural Components fabrica longarinas, travessas e chassis montados para veículos comerciais, além de conjuntos estruturais para veículos de passeio. A unidade de Cruzeiro, beneficiada pelo novo financiamento, concentra a produção de longarinas por estampagem e roll-forming.

Com a transformação digital da Iochpe-Maxion em Cruzeiro, o ecossistema automotivo brasileiro deve ganhar um polo ainda mais sofisticado em engenharia de produção, qualidade e escala. Ao combinar automação avançada, análise de dados industriais e integração de processos, a companhia alinha sua operação local aos padrões globais de manufatura, enquanto o BNDES reforça seu papel na difusão de tecnologia e inovação na indústria.

Conteúdo Agência BNDES

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