Auxílio para familiares de policial morto, PL 4258/24 propõe pecúlio com 1% do soldo e tramita na Câmara dos Deputados

Projeto cria auxílio para familiares de policial morto em razão do trabalho - Notícias

Cada estado definirá por decreto as regras do auxílio para familiares de policial morto, proposta de Sargento Portugal está em análise na Câmara

Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4258/24, que propõe criar um pecúlio para os beneficiários de policial militar ou bombeiro militar falecido no trabalho, ou em razão dele. O fundo seria formado pelo desconto de 1% do soldo dos membros ativos das corporações estaduais.

Segundo a proposta, cada estado ficará responsável por regulamentar, por decreto, as condições para o desconto em folha e para o recebimento do benefício. A iniciativa é do deputado Sargento Portugal (Pode-RJ) e tem como foco oferecer um auxílio para familiares de policial morto com pagamento mais célere.

O que prevê o PL 4258/24

O texto estabelece que os beneficiários de agentes que venham a falecer no exercício da função, ou em decorrência dela, poderão receber um pecúlio custeado com a contribuição mensal obrigatória de 1% do soldo dos profissionais da ativa de cada corporação. Em termos práticos, trata-se de um fundo solidário a ser gerido no âmbito estadual.

A proposta alcança integrantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. O detalhamento de quem terá direito ao pagamento, quais documentos serão exigidos e como se dará a liberação do recurso ficará a cargo da regulamentação estadual, por meio de decreto, respeitando as especificidades de cada unidade da federação.

Ao instituir um auxílio para familiares de policial morto, o projeto busca criar uma alternativa de suporte financeiro imediato, complementando o arcabouço atual de proteção aos militares estaduais. A organização do fundo, a forma de operacionalização e os prazos de pagamento serão definidos em normas próprias por cada estado.

Justificativa do autor e celeridade do pagamento

O deputado Sargento Portugal afirma que a intenção é amparar as famílias de agentes que perdem a vida em serviço. Ele recorda que os estados já oferecem seguro de vida a policiais militares e bombeiros, porém, segundo o parlamentar, a burocracia torna o processo de liberação moroso. O mesmo, destaca, ocorre com a pensão militar.

Ao justificar a necessidade de um instrumento específico, o autor argumenta que um auxílio para familiares de policial morto com regras claras e aporte garantido pode reduzir o tempo de espera para a chegada do recurso às famílias. Em suas palavras, “O auxílio proposto pode ser o meio mais célere de amparar essas famílias nesse momento mais delicado, que é a perda deste militar estadual”, disse Portugal.

Para além da questão financeira, a proposta busca dar previsibilidade ao atendimento de dependentes de policial militar e bombeiro militar, estabelecendo fonte de custeio contínua e regras de execução a serem ajustadas pelos estados, o que pode ampliar a eficiência no atendimento das situações mais urgentes.

Tramitação, prazos e regulamentação estadual

O PL será analisado, em caráter conclusivo, nas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Constituição e Justiça e de Cidadania. De acordo com a Câmara, para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pela própria Casa e, posteriormente, pelo Senado Federal. Até lá, não há benefício em vigor.

Concluída a tramitação no Congresso, caberá a cada governo estadual editar decreto estabelecendo as condições para o desconto em folha dos profissionais da ativa, as regras para o reconhecimento de casos de morte no trabalho ou em razão dele e os critérios de prioridade para pagamento aos beneficiários. A gestão do pecúlio deverá observar a legislação local e os mecanismos de transparência aplicáveis.

Para famílias de agentes que sofrem com a morosidade na liberação de seguro de vida e pensão militar, a criação de um auxílio para familiares de policial morto pode representar uma camada adicional de proteção, com foco na agilidade do repasse inicial. A efetividade do modelo, contudo, dependerá do desenho regulatório adotado em cada estado e da capacidade de gestão do fundo alimentado pelo desconto de 1% do soldo.

Enquanto o PL 4258/24 segue em análise, o debate se concentra na calibragem entre sustentabilidade financeira do pecúlio, segurança jurídica dos beneficiários e a necessidade de dar resposta rápida em casos de morte de policial militar e bombeiro militar. A expectativa é que a regulamentação estadual detalhe o passo a passo para que o suporte chegue a quem precisa, com clareza de critérios e prazos.

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