Repasse de recursos da segurança para municípios: PL 1462/26 destina 20% do FNSP direto às prefeituras, sem convênios

Projeto garante repasse de recursos da segurança para municípios - Notícias

Câmara analisa proposta que garante repasse de recursos da segurança para municípios, fortalecendo guardas municipais e dando previsibilidade ao orçamento local

Um novo projeto em análise na Câmara dos Deputados pode mudar a forma como o dinheiro da segurança pública chega às cidades brasileiras. A proposta estabelece repasse de recursos da segurança para municípios diretamente a seus fundos locais, garantindo uma fatia mínima dos valores do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e reduzindo a burocracia para que as prefeituras invistam em ações e equipamentos.

Trata-se do Projeto de Lei 1462/26, que determina que pelo menos 20% dos recursos do FNSP sejam enviados de forma direta aos fundos municipais de segurança pública. Pelo texto, essa transferência ocorrerá sem a necessidade de convênios ou contratos de repasse, o que, segundo seus defensores, acelera a liberação de verbas e amplia a capacidade de resposta das administrações municipais.

O objetivo central é reforçar a atuação das guardas municipais e outras iniciativas locais de proteção, ampliando o alcance de políticas de prevenção e apoio às operações integradas. Ao priorizar o repasse de recursos da segurança para municípios, a proposta quer assegurar que medidas de curto e longo prazos sejam planejadas com previsibilidade e implementadas com mais agilidade.

O que muda com o PL 1462/26

O PL altera a Lei 13.756/18, a mesma que trata da destinação de parte da arrecadação das loterias e disciplina o funcionamento do FNSP. Hoje, a legislação já garante transferências diretas para os estados e para o Distrito Federal. Com a modificação proposta, os municípios passam a ter, por lei, uma parcela mínima assegurada desse orçamento nacional, reforçando a descentralização dos investimentos.

Na prática, a ideia é tornar o repasse de recursos da segurança para municípios mais previsível e automático, criando uma rotina de fluxo financeiro que permita adquirir viaturas, equipamentos, armamentos e sistemas com planejamento e escala. Ao dispensar a formalização de convênios, o texto pretende evitar atrasos frequentes em processos burocráticos, o que, conforme os defensores do projeto, prejudica as localidades onde o dinheiro é mais necessário.

Além de simplificar o acesso aos valores do Fundo Nacional de Segurança Pública, a proposta busca aprimorar a coordenação entre entes federativos, com foco na ponta do sistema. A presença das prefeituras na gestão de ações, aliada ao financiamento direto, tende a aproximar as decisões do cotidiano das comunidades, mantendo o alinhamento com políticas nacionais.

Por que a mudança é defendida

Autor do projeto, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) argumenta que a medida corrige uma distorção no financiamento do setor e garante mais eficiência. Segundo ele, a exigência de convênios tem atrasado a chegada dos valores exatamente onde são mais necessários, o que compromete o planejamento de médio e longo prazos das cidades brasileiras.

Em declaração registrada na Câmara, Kataguiri afirmou: “A proposta garante previsibilidade orçamentária para que prefeitos e secretários municipais possam planejar investimentos de longo prazo, permitindo a aquisição de viaturas, armamentos, equipamentos e sistemas”, disse Kataguiri. Para o parlamentar, a previsibilidade é um fator-chave para que as cidades mantenham programas permanentes de patrulhamento, tecnologia e formação, elevando a eficácia das ações municipais.

Ao reforçar o repasse de recursos da segurança para municípios, a proposta também mira a sustentabilidade financeira das políticas públicas. Com um mínimo de 20% do FNSP garantido, as prefeituras passam a ter um horizonte mais claro de receitas, o que facilita a elaboração de editais, contratos de manutenção e estratégias de investimento contínuo em segurança cidadã.

Próximos passos na tramitação

O texto está em análise na Câmara dos Deputados e será apreciado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Nessa fase, os colegiados avaliam a pertinência da política pública, o impacto fiscal e a compatibilidade jurídica da proposta com a legislação vigente.

Para se tornar lei, a proposição ainda precisará ser aprovada pela Câmara e pelo Senado. Caso haja eventuais mudanças de mérito ou redação, o texto pode retornar à análise, seguindo o rito normal de tramitação do Congresso Nacional. Até lá, permanece o debate sobre o papel dos municípios na política de segurança pública e sobre como distribuir os recursos de forma mais eficiente e transparente.

Enquanto a discussão avança, especialistas e gestores locais acompanham com atenção os desdobramentos. Se aprovada, a medida tende a consolidar um modelo de financiamento mais ágil, em que o repasse de recursos da segurança para municípios ocorre com menos entraves e maior previsibilidade orçamentária, contemplando necessidades imediatas e estratégias de fortalecimento institucional das guardas e dos programas locais.

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