Relatório Hays Brasil 2026 indica avanço da inteligência artificial, mercado pode chegar a US$ 11,6 bilhões até 2030 e empresas priorizam capacitação interna, com competências humanas no centro das decisões
A Hays Brasil 2026 revela que a inteligência artificial está remodelando o mercado de trabalho brasileiro, porém de forma gradual, preservando o protagonismo das habilidades humanas nas decisões de contratação. Baseada em milhares de respostas de empregadores e profissionais em todo o país, a Análise de Tendências & Salários mostra um avanço consistente da automação, ao mesmo tempo em que confirma a necessidade de supervisão humana e de julgamento complexo para decisões estratégicas.
Segundo o levantamento, a adoção de IA já é realidade para grande parte das organizações, mas a substituição integral de funções ainda é rara. O estudo registra que “Mais da metade das organizações já utiliza IA para apoiar suas equipes, enquanto apenas 1,2% das funções são totalmente substituídas pela tecnologia”. Esses dados reforçam que a tecnologia tem sido aplicada principalmente para eliminar tarefas repetitivas, reduzir lacunas de talentos e elevar a produtividade, sem abrir mão do fator humano.
O relatório ainda destaca que o Brasil avança em linha com a tendência global, com a IA auxiliando times em diferentes etapas do trabalho, do suporte operacional à tomada de decisão. A leitura da Hays Brasil 2026 é que o próximo passo será ampliar integrações responsáveis, com ganhos de eficiência e resiliência nas equipes.
Adoção de IA cresce, substituição total continua rara
De acordo com a Hays, o país acompanha, e ajuda a definir, o ritmo internacional de adoção da IA. O mapeamento aponta que as empresas ampliam o uso de ferramentas para dar escala a processos, gerar insights e acelerar entregas, mas preservam a condução de decisões críticas por profissionais com experiência, visão de negócio e capacidade de mediação.
Sectores como TI, atendimento ao cliente e recursos humanos estão entre os mais impactados pela automação, com softwares assumindo fluxos repetitivos e elevando a qualidade do serviço. Já as funções de engenharia se mostram mais resilientes à substituição, o que reforça o papel da expertise técnica combinada a competências comportamentais, como comunicação, liderança e resolução de problemas.
Para os próximos 12 meses, as habilidades digitais e analíticas lideram as prioridades de recrutamento e capacitação, com ênfase em IA, aprendizado de máquina e ciência de dados. A Hays Brasil 2026 indica que a diferenciação competitiva virá de equipes capazes de orquestrar tecnologia e conhecimento humano.
Capacitação interna lidera, salários e retenção entram no radar
O estudo mostra que 40,7% das empresas preferem capacitar funcionários para novas funções, em vez de contratar externamente, movimento que reduz custos e acelera a adaptação a tecnologias emergentes. Essa estratégia também contribui para a retenção de talentos e para a evolução cultural necessária à adoção de IA em larga escala.
Ao mesmo tempo, desafios estruturais persistem, como desalinhamento salarial, escassez de habilidades técnicas e gaps de senioridade. A recomendação da Hays é priorizar trilhas de aprendizado em IA, aprendizado de máquina e ciência de dados, além de programas contínuos de upskilling e reskilling que fortaleçam competências humanas, como pensamento crítico e tomada de decisão.
Nesse cenário, a supervisão humana permanece vital para calibrar modelos, auditar resultados e assegurar a conformidade, reduzindo vieses e ampliando a confiança de clientes e lideranças. A combinação de automação com talento humano torna-se, assim, um pilar para ganhos de produtividade sustentáveis.
Projeções de mercado e aplicações destacadas no Brasil
A perspectiva econômica é de expansão. O mercado brasileiro de IA, segundo a Hays Brasil 2026, deve crescer de US$ 3 bilhões em 2023 para US$ 11,6 bilhões até 2030, apoiado por políticas públicas e por investimentos empresariais. A leitura é que essa trajetória abrirá espaço para novas funções e especializações, ao mesmo tempo em que exigirá governança e capacitação contínua.
Setores como saúde e ciências da vida já incorporam IA ao cotidiano, da descoberta de moléculas ao suporte à experiência do paciente, o que acelera inovação e melhora desfechos. Para a liderança da Hays no Brasil, o equilíbrio entre crescimento e eficiência operacional depende da integração entre tecnologia e talento humano, com métricas claras de impacto e responsabilidade.
No balanço final, a pesquisa conclui que a próxima fase do trabalho no país será definida pela capacidade das organizações de equilibrar inovação tecnológica e desenvolvimento de pessoas. Em outras palavras, a vantagem competitiva no cenário pós-IA, segundo a Hays Brasil 2026, virá do cruzamento entre automação inteligente, cultura de aprendizado e um forte núcleo de habilidades humanas que sustentem decisões de alto impacto.