Com raízes acadêmicas fortes e foco em problemas reais, a Mr. Turing expande soluções de IA corporativa, da gestão de conhecimento à automação, com casos em Itaú, Anbima, CNH Industrial e Volkswagen Caminhões e Ônibus
Mr. Turing, a inteligência artificial brasileira que nasce da pesquisa, consolidou uma estratégia orientada por ciência aplicada, parcerias universitárias e entregas rápidas para grandes empresas. Fundada em 2016 por Marcelo Noronha e Marco Aleixo, a companhia se destacou antes do hype da IA generativa, atuando em visão computacional, processamento de linguagem natural e machine learning em aplicações reais. Hoje, com operações no Brasil e no Canadá, a Mr. Turing entrega soluções de gestão de conhecimento, automação e análise avançada de dados para grupos de grande porte, com foco em governança, segurança e privacidade.
A jornada começou com projetos em educação, transformando conhecimento não estruturado em assistentes de ensino. Rapidamente, a empresa encontrou na indústria corporativa sua rota principal, atacando uma dor recorrente, a dificuldade de compreender contexto em documentos e processos. Mr. Turing passou a tratar documentos, e-mails, gravações, atas e interações como dados estratégicos, permitindo recuperar conhecimento vivo em segundos, não em dias.
Pesquisa aplicada e academia no centro da estratégia
Desde a fundação, a Mr. Turing prioriza a pesquisa aplicada, conectando times e métodos acadêmicos a problemas empresariais. Uma parceria estruturante com o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (UFG) trouxe pesquisadores, papers e técnicas de ponta para dentro do produto. O movimento de internacionalização, com a mudança de Marcelo Noronha para o Canadá, aproximou a empresa da fronteira global da IA e de aceleradoras locais, reforçando o pilar científico.
Com a explosão da IA generativa e a chegada do ChatGPT, a Mr. Turing manteve a ênfase em compliance e proteção de dados. Enquanto muitos passaram a enviar informações sensíveis para APIs externas, a empresa consolidou duas frentes complementares, uma plataforma SaaS com módulos de busca semântica, visão computacional, assistentes conversacionais e agentes inteligentes, e implantações dentro da infraestrutura do cliente, com personalização total e “primeiros resultados em 60 dias”, alinhadas a normas como LGPD e ISO 42001.
Essa abordagem reduziu drasticamente o tempo entre prova de valor e operação, diminuindo ciclos que antes levavam de seis a doze meses e conectando a IA ao dia a dia dos times. Para a Mr. Turing, o ponto de partida não é a tecnologia, é o problema de negócio, uma premissa que tem orientado a adoção sustentável de IA corporativa.
Do case jurídico à gestão de conhecimento em grandes bancos
O primeiro grande teste de fogo veio em um ambiente de BPO jurídico, com milhares de processos mensais. Em três meses, segundo a empresa, “Em três meses, o time transformou uma operação de 470 pessoas em uma operação de 150 colaboradores, totalmente reorganizada a partir de automação inteligente.” A mudança não significou cortes, mas realocação, “Mas, como destaca Noronha, ninguém foi dispensado: os profissionais foram realocados para atividades de maior valor agregado.”
O foco em gestão de conhecimento marcou os projetos seguintes. A Anbima, referência do setor de fundos, e o Itaú foram pioneiros no uso da plataforma para consolidar e consultar informações críticas com rapidez. No Itaú, a adoção gerou um efeito curioso, “80% do uso não veio do investidor final, mas de profissionais do próprio banco — uma comprovação de que a tecnologia solucionava uma dor interna profunda: o excesso de informação dispersa e difícil de consultar.” A partir daí, analistas e gestores passaram a perguntar para um sistema conversacional e obter respostas rápidas e precisas, reduzindo o atrito na tomada de decisão.
O reconhecimento de infraestrutura veio também de parceiros de tecnologia. A Microsoft registrou em vídeo dois estudos de caso sobre a empresa, um no Brasil em 2021 e outro no Canadá em 2024, destacando a operação em nível de excelência.
IA com governança, do data center ao campo, e planos de crescimento
Entre os projetos mais inovadores, a Mr. Turing levou a IA para o campo com a CNH Industrial, apresentando na Agrishow “um modelo de IA rodando totalmente offline dentro de uma máquina agrícola, capaz de responder dúvidas do operador e interagir com sistemas da colheitadeira mesmo sem conexão com a internet.” Em segmentos em que a parada de máquina é crítica, a solução demonstra que a IA pode nascer no datacenter, mas precisa chegar à borda, próxima da operação.
Outra frente de impacto é a nova plataforma de ciclo de vida de produto da Volkswagen Caminhões e Ônibus, com apoio da Finep e validade contratual de quatro anos. Segundo a empresa, “O sistema, 100% baseado em IA, promete transformar a forma como o setor automotivo acompanha a evolução de componentes, veículos e serviços ao longo de sua existência.” Após a exclusividade, o conhecimento poderá ser transferido para outros setores.
Com time no Brasil e no Canadá, doze colaboradores diretos e protagonismo em eventos internacionais, a Mr. Turing reforçou a liderança com Priscila Parodi, ex-IBM e ex-Elastic, que assumiu a estratégia global de mercado. A projeção para 2024 aponta crescimento de quase 90%, sustentado por resultados consistentes nos últimos três anos e pela demanda por IA corporativa com governança.
Para Marcelo Noronha, o recado ao mercado é claro e pragmático. Em suas palavras, “inteligência artificial só tem valor quando muda o cotidiano real das pessoas que tomam decisões, operam máquinas, atendem clientes e conduzem os negócios todos os dias.” É a síntese da tese da Mr. Turing, que aposta menos em soluções enlatadas e mais em IA aplicada a dores reais, de atendimento a operações, de engenharia a serviços financeiros, com gestão de conhecimento no centro.