Prevenção a fraudes em fintechs e cripto no Brasil: integração, educação do usuário e monitoramento contínuo ganham força, apontam especialistas do Sumsub Roadshow LATAM

Painel em São Paulo detalha como compliance by design, comunicação oficial e rastreabilidade on-chain elevam a prevenção a fraudes em fintechs e cripto, com participação de Sumsub, Chainalysis, Infobip, Bitibank e líderes do ecossistema

A prevenção a fraudes em fintechs e cripto está entrando em uma nova fase no Brasil, com foco em integração entre áreas, educação do usuário e monitoramento contínuo de risco. Durante o painel “Estratégias de Prevenção de Fraudes para Fintech e Cripto”, realizado no Sumsub Roadshow LATAM em 4 de novembro, em São Paulo, especialistas apresentaram caminhos práticos para mitigar golpes e fortalecer a confiança em jornadas financeiras cada vez mais digitais.

O debate reuniu vozes de referência do setor, entre elas Jérémie Leclercq da Jeronimo da Veiga, Georgia Sanches da Sumsub, Ibiaçu Caetano do Bitibank, Nathalia Lolo, Alison Dorigão Palermo, Thiago Chacon Dezotti da Infobip, Javier Herrera Zumztein da Sumsub e Drey Dias da Chainalysis. A combinação de perspectivas de prevenção, compliance, risco, produto, comunicação e mercado cripto ajudou a desenhar um mapa de ações que vai além do combate reativo e adota uma postura preditiva, sustentada por dados e governança.

Segundo os participantes, o avanço depende de motores de risco bem calibrados, modelos quantitativos, processos de KYC e KYB robustos e uma cultura de compliance by design, aplicada desde a ideação dos produtos. A avaliação conjunta de riscos, apoiada por tecnologia, jurídico, operações e atendimento, permite detectar padrões e antecipar eventos suspeitos antes que causem prejuízos.

Integração entre áreas e compliance by design viram padrão de mercado

A visão apresentada no evento reforça que a prevenção a fraudes em fintechs e cripto amadurece quando há integração entre áreas estratégicas. Em vez de tratar fraude como um problema isolado, as empresas que alinham tecnologia, risco, compliance, jurídico e produto conseguem responder com mais velocidade a novos vetores de ataque, reduzir falsos positivos e elevar a qualidade da experiência do cliente.

Nesse contexto, o compliance by design reduz vulnerabilidades ao prever controles desde a concepção da jornada. Práticas como verificação documental inteligente, biometria, checagem de liveness, prova de endereço e camadas de autenticação ajustadas ao risco do caso, além de trilhas de auditoria, criam defesas explícitas que não dependem apenas de correções posteriores.

O grupo enfatizou que a abordagem preditiva, baseada em modelagem comportamental, listas de risco internas e externas e feedback loops entre times, supera o modelo tradicional que só reage após o golpe. Com processos compartilhados, as empresas ganham visão unificada de incidentes, elevam a qualidade dos sinais e ajustam políticas com mais precisão.

Comunicação oficial e educação do usuário contra engenharia social

Em um cenário de engenharia social cada vez mais sofisticada, a comunicação oficial com o usuário foi destacada como barreira essencial para reduzir exposição a golpes. Práticas como contas verificadas, canais autenticados, mensagens estruturadas e avisos preventivos ajudam a evitar phishing, sequestro de contas e fraudes envolvendo duplo fator de autenticação.

Os especialistas defendem uma educação ativa, contínua e multicanal, que explique ao cliente como reconhecer contatos legítimos e como agir diante de solicitações suspeitas. Orientações claras sobre o que a empresa jamais pede, combinadas a políticas de privacidade transparentes, fortalecem a confiança e reduzem a superfície de ataque, especialmente em períodos de alto volume transacional.

Para ampliar o alcance, a integração com plataformas de comunicação e provedores de mensagens, como a Infobip, facilita a padronização de alertas, o envio por vias seguras e a rastreabilidade do engajamento, o que retroalimenta os modelos de risco com sinais de comportamento mais ricos.

Monitoramento contínuo em cripto e avanço regulatório no Brasil

No universo de criptoativos, o consenso do painel foi que o monitoramento contínuo supera o controle restrito ao onboarding. A análise da origem e destino de fundos, o acompanhamento on-chain e a leitura do comportamento transacional revelam riscos que não aparecem na abertura de conta. Com ferramentas adequadas de inteligência blockchain, a rastreabilidade pode até ser mais precisa do que no sistema financeiro tradicional.

Apesar de percepções equivocadas sobre o papel de cripto no crime organizado, os participantes reforçaram que a rastreabilidade das blockchains, combinada a controles de AML e sanctions screening, torna as investigações mais assertivas e acelera respostas a incidentes. A presença de empresas como a Chainalysis e a Sumsub no debate ilustra o avanço de soluções que correlacionam endereços, carteiras e padrões de risco com inteligência acionável.

O painel também avaliou o ambiente regulatório brasileiro como dinâmico e em evolução. Embora ainda existam lacunas, o Brasil foi considerado relativamente maduro frente a outras praças da América Latina. A atuação de Banco Central e COAF, somada a mecanismos de cooperação e open compliance, foi citada como prioridade para fortalecer a fiscalização e alinhar práticas à realidade de fintechs, exchanges e empresas de tecnologia.

No fechamento, a mensagem central foi clara, a prevenção a fraudes em fintechs e cripto é um desafio transversal que exige escala com responsabilidade. A consolidação de motores de risco, journeys digitais seguras e governança estruturada deve caminhar junto da inovação, garantindo crescimento sem abrir brechas para abuso financeiro.

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