ZTE aposta em produção local e infraestrutura completa para surfar o boom do mercado brasileiro de data centers, estimado em US$ 3,5 bilhões até 2029

ZTE inicia fabricação nacional de servidores e leva infraestrutura de data centers ao Brasil, alinhada ao Redata e à corrida por IA generativa

O mercado brasileiro de data centers vive uma fase de aceleração impulsionada pela inteligência artificial e pela necessidade de infraestrutura distribuída. Projeções recentes apontam que o setor pode chegar a US$ 3,5 bilhões até 2029, cenário que atrai investimentos privados e políticas públicas como o projeto Redata. É nesse contexto que a ZTE, gigante global de telecomunicações e computação, intensifica sua estratégia no país com produção local de servidores e oferta de infraestrutura completa para data centers.

Em entrevista à TI INSIDE, Diego Valeriano, vice-presidente de Vendas da ZTE Brasil, explicou que a companhia vive uma transição estratégica, unindo connectivity e computing para atender a demanda da IA generativa e de ambientes computacionais de alta performance. Segundo ele, a evolução já aparece nos resultados, e a empresa quer capturar a onda de expansão prevista entre 2025 e 2030.

Valeriano detalha essa mudança com dados e afirmações diretas. Segundo o executivo, “25% da receita global da ZTE em 2024 veio da divisão de computação”, resultado da adoção crescente por hyperscalers, nuvem, setor financeiro e governos. Ele reforça a nova fase da companhia ao afirmar: “A estabilização do nosso core tradicional, focado em conectividade, abriu espaço para uma movimentação forte em computação. Hoje já somos uma empresa de conectivity + computing, e isso vem transformando nossa atuação global e local”.

Produção local em Extrema, ecossistema nacional e servidores para IA

Um pilar central da estratégia da ZTE é a fabricação nacional de servidores em parceria com a Multi PRO (Grupo Multilaser), em Extrema, Minas Gerais. A cooperação, já consolidada em telecom, agora avança para TI com a produção da linha G-V, e a partir de 2026, com a chegada dos novos G-VI, equipados com processadores Intel Xeon 6, voltados a workloads de IA, aplicações sensíveis à latência e ambientes de alta densidade computacional.

O posicionamento inclui suporte a GPUs, NPUs e componentes de múltiplos fabricantes, incluindo NVIDIA, preservando uma arquitetura aberta e modular. Para Valeriano, produzir no Brasil traz impactos diretos em preço, disponibilidade e confiabilidade. Como ele resume, “A produção local nos dá competitividade não só no preço, mas também em disponibilidade, confiabilidade e agilidade. Além disso, criamos um ecossistema de engenheiros brasileiros, algo que agrega enorme valor ao cliente e reduz dependência de fuso horário com a China”.

Além de reduzir prazos e riscos operacionais, a ZTE aposta que o ecossistema de engenharia nacional agregará suporte mais próximo aos clientes corporativos, provedores de nuvem e órgãos públicos, reforçando a soberania digital e a diversificação de fornecedores no país.

Infraestrutura completa para data centers e sinergia com o Redata

Para além dos servidores, a ZTE passa a oferecer no Brasil um portfólio de infraestrutura completa para data centers, que inclui soluções modulares, containers data center, air cooling e liquid cooling, UPS e componentes de suporte à operação. O objetivo é cobrir tanto o que está dentro do data center quanto a base que o sustenta. Nas palavras do executivo, “Queremos participar tanto do que está dentro do data center quanto da infraestrutura que o sustenta”.

Essa estratégia, adotada em países como Tailândia e Filipinas, começa a ser replicada no Brasil para acompanhar a expansão de ambientes de IA generativa e a chegada de hyperscalers. A visão conversa com o Redata, programa que estimula a descentralização da infraestrutura digital. Sobre isso, Valeriano afirma: “Vemos o Redata com muito bons olhos. O Brasil precisa de mais data centers distribuídos, seja por demanda computacional, seja por soberania de dados. Esse ambiente regulatório é fundamental para acelerar investimentos”.

Na prática, a combinação de produção local, capilaridade de infraestrutura e alinhamento a políticas públicas tende a reduzir custos logísticos, ampliar a disponibilidade de equipamentos e acelerar a implantação de novos sites em diferentes regiões, um passo essencial para a expansão da economia digital no país.

Energia, resfriamento e redes de alta capacidade para a era da IA

Com a maturação da IA generativa, o consumo de energia dos data centers se tornou um ponto central. Ambientes de treino e inferência podem demandar dezenas de megawatts, o que exige planejamento energético robusto e soluções térmicas eficientes. Valeriano destaca que a ZTE já integra liquid cooling à nova geração de servidores, mas faz um alerta operacional: “As soluções de liquid cooling já estão integradas à nossa nova linha de servidores, mas para operar em escala é preciso ter uma estrutura preparada para isso. O Brasil caminha rapidamente nesse sentido, mas ainda há passos importantes a serem dados”.

A companhia ressalta ainda que green energy é um pilar global, tanto por eficiência quanto pelo compromisso com metas de emissões. Em paralelo, a conectividade segue como espinha dorsal, integrando data centers regionais com fibra óptica, redes DWDM, equipamentos IP e soluções de longa distância. Segundo Valeriano, “A interconexão entre os data centers depende de redes de altíssima capacidade, baixíssima latência e grande confiabilidade. Isso continua sendo um dos nossos carros-chefes. Do acesso à transmissão, do core à longa distância, cobrimos todas as camadas”.

Com escritórios em São Paulo e Rio de Janeiro, cerca de 250 funcionários e atuação que inclui operadoras, ISPs, setor financeiro, indústria, governos e canais corporativos, a ZTE Brasil também serve de plataforma para projetos na América Latina, especialmente com a ampliação da oferta de computação. Ao combinar servidores fabricados no país e infraestrutura completa com redes de altíssima capacidade, a ZTE busca se posicionar como fornecedora de ponta a ponta para o boom de data centers previsto no Brasil nos próximos anos.

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