Até 2030, 25% do trabalho de TI será feito apenas por IA, prevê Gartner, e 75% será humano com IA: o que CIOs precisam fazer agora

Pesquisa do Gartner com mais de 700 CIOs, realizada em julho de 2025, aponta que 0% do trabalho de TI ficará sem IA, 75% será feito por humanos auxiliados por IA e 25% será realizado exclusivamente por IA

O trabalho de TI passará por uma virada histórica até 2030, segundo o Gartner. A consultoria indica que o ambiente de tecnologia será impulsionado por humanos, amplificado pela Inteligência Artificial e orquestrado pelos CIOs, com uma divisão clara do esforço: 0% do trabalho de TI sem IA, 75% feito por humanos com apoio de IA e 25% realizado somente por IA. Os dados vêm de uma pesquisa do Gartner com mais de 700 CIOs, conduzida em julho de 2025, e reforçam a necessidade de preparar, ao mesmo tempo, tecnologia e pessoas para capturar valor com IA.

Para os analistas, poucas organizações estão fazendo esse equilíbrio de forma consistente. Prontidão para IA e prontidão humana serão fatores decisivos para que o trabalho de TI gere resultados sustentáveis. Como resume Gabriela Vogel, Vice-Presidente Analista do Gartner: “O Gartner vem orientando CIOs e executivos de TI em suas jornadas de Inteligência Artificial há muitos anos. Em 2023, mostramos a eles como moldar suas ambições em IA. No ano passado explicamos como administrar o ritmo na corrida pelos resultados de Inteligência Artificial. Este ano, estamos traçando o caminho certo a seguir para que eles possam apostar tudo no valor da IA”.

Prontidão para IA e prontidão humana: o novo alicerce do trabalho de TI

Segundo o Gartner, nem toda IA está pronta para entregar valor, e a força de trabalho também precisa evoluir para não perder o passo. Rob O’Donohue, Vice-Presidente Analista do Gartner, destaca: “Embora nem toda Inteligência Artificial esteja pronta para entregar valor, os humanos estão ainda menos preparados para capturá-lo”. Essa lacuna exige ações simultâneas na tecnologia e nas pessoas.

O’Donohue detalha o conceito central dessa agenda: “A prontidão para a IA significa que ela pode ajudar você a encontrar valor e atender efetivamente às necessidades de casos de uso específicos. A prontidão humana diz respeito a ter a força de trabalho e da organização certas para capturar e sustentar o valor da IA.” Para o trabalho de TI, isso se traduz em definir casos de uso com retorno claro, desenvolver governança e segurança, e, em paralelo, requalificar equipes para colaborar com sistemas inteligentes em processos críticos.

Transformação do trabalho de TI: empregos, habilidades e produtividade

O Gartner projeta que o impacto da IA nos empregos será neutro até 2026, e que, até 2028, a IA criará mais empregos do que destruirá. A mensagem central é de transformação, não de substituição. Como explica Gabriela Vogel: “A Inteligência Artificial não é sobre perda de empregos. É sobre a transformação da força de trabalho. Os CIOs devem começar a transformar suas forças de trabalho restringindo novas contratações (especialmente para funções que envolvem tarefas de baixa complexidade) e reposicionando talentos para novas áreas de negócios que geram receita”.

Além de otimizar custos e produtividade, a meta é potencializar o trabalho de TI com novas competências. Muitas tarefas se tornarão menos centrais, enquanto outras ganharão relevância estratégica. O’Donohue aponta: “A IA tornará algumas habilidades, como resumo, recuperação de informações e tradução, menos importantes, pois está pronta para automatizar ou melhorar essas tarefas”. Em contrapartida, surgem necessidades inéditas: “Mas ela também cria a necessidade de habilidades totalmente novas. Essas habilidades de IA são fundamentalmente diferentes da maioria das habilidades. Enquanto as habilidades tradicionais visavam melhorar a execução de tarefas, as habilidades de IA visam tornar você melhor — um motivador melhor, um pensador melhor e um comunicador melhor.”

Os analistas alertam ainda que treinamentos pontuais não bastam. Se as equipes dependerem demais de assistentes de IA e deixarem de praticar competências essenciais, pode ocorrer atrofia de habilidades. Por isso, trabalhadores críticos devem ser avaliados periodicamente, garantindo que capacidades-chave, como análise, tomada de decisão e comunicação, permaneçam afiadas, condição indispensável para um trabalho de TI com alto desempenho.

Custos, fornecedores e soberania: como decidir o caminho da IA até 2030

Para alcançar valor real, o Gartner recomenda avaliar a prontidão para IA sob três ângulos: custos, recursos técnicos e fornecedores. Em custos, o alerta é direto: “Na região da Europa, Oriente Médio e África (EMEA), 73% dos CIOs relataram que suas organizações estão atingindo o ponto de equilíbrio ou perdendo dinheiro com seus investimentos em Inteligência Artificial.” O conselho é antecipar despesas além das licenças. “Para cada ferramenta de IA que as organizações compram, elas devem antecipar 10 custos ocultos, além dos custos de transição de treinamento e gerenciamento de mudanças.”

No plano técnico, algumas capacidades já estão maduras, como pesquisa, geração e resumo de conteúdo e código. Outras seguem em evolução, como precisão de IA e agentes de IA. A recomendação é migrar de agentes conversacionais para agentes de tomada de decisão, com foco especial em agentes especialistas, mais aptos a produzir ganhos concretos no trabalho de TI.

Na escolha de fornecedores, a estratégia depende da ambição. Implementações em grande escala tendem a se beneficiar de hiperescaladores, com infraestrutura robusta e ampla cobertura de resultados. Para casos setoriais, startups podem entregar benefícios imediatos com agentes de IA especializados. Já empresas de P&D em IA aceleram a inovação, mas costumam carecer de escala para demandas corporativas completas. Em todas as decisões, vale o lembrete: “Cada decisão de IA tomada é uma decisão de soberania, portanto, não ignore a soberania da IA.”

Para guiar essa jornada, o Gartner propõe um Sistema de Posicionamento com quatro perspectivas que ajudam a avaliar se tecnologia e talento humano estão prontos para cada iniciativa. Gabriela Vogel resume: “Seguindo o Sistema de Posicionamento do Gartner, as organizações podem procurar, encontrar, capturar e sustentar o valor da IA. Se forem bem-sucedidas, podem transcender suas limitações”. E reforça a ambição de longo prazo: “A IA cria ondas de choque que podem transformar um hospital em apenas um centro de tratamento e construir uma força de trabalho autônoma para um negócio autônomo. Mas o verdadeiro retorno vem quando as soluções de IA se concentram em melhorar as competências essenciais de uma organização ou resolver problemas impossíveis.”

Para CIOs e lideranças de tecnologia no Brasil, a direção está clara. Preparar o trabalho de TI para 2030 exige alinhar casos de uso com retorno comprovado, fortalecer a governança, qualificar pessoas para colaborar com a IA e medir resultados de ponta a ponta. Quem equilibrar prontidão tecnológica e humana terá mais chances de capturar, e sustentar, o valor estratégico da IA.

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