Com IA agêntica no centro, a Visa promete elevar a aprovação e a segurança das compras online, lançar agente de e-commerce integrado ao VIC, reforçar a cibersegurança contra bots e levar Currency Cloud ao Brasil
A Visa anunciou um pacote de iniciativas para 2026 que reposiciona a empresa como fornecedora de infraestrutura tecnológica de pagamentos digitais, com foco em IA agêntica, cibersegurança e um portfólio expandido para PMEs. Segundo executivos, a companhia entra em uma nova fase, colocando a inteligência artificial no centro do desenho de produtos, da autenticação e da mitigação de fraude, com metas de tokenização total do e-commerce e integração nativa com passkeys.
Para o presidente da Visa do Brasil, Rodrigo Cury, a mudança no setor é estrutural, impulsionada por IA agêntica e automação. Ele avalia que a Visa já opera em escala como empresa de tecnologia, oferecendo mais de 230 produtos e serviços em rede. “A maneira como trabalhamos está mudando e o jeito que compramos e vendemos vai mudar principalmente pela inteligência artificial agêntica”. Cury também destacou a cultura de inovação da companhia ao afirmar que a Visa “é uma empresa na crista da onda quando se fala de inovação e tecnologia”.
IA agêntica e arquitetura para e-commerce mais seguro
Leandro Garcia, diretor executivo de Soluções Digitais, apresentou a arquitetura que combina tokenização de ponta a ponta no comércio eletrônico, autenticação via passkeys e o lançamento de um agente de e-commerce baseado em IA integrado ao Visa Intelligent Commerce (VIC). A ambição é replicar no ambiente digital o nível de aprovação e segurança da compra com cartão presente.
Hoje, 70% das transações de e-commerce no Brasil já usam token, e a meta é alcançar 100%. “O foco é chegar a um cenário em que tokenização e autenticação deixem o e-commerce tão seguro quanto a compra presencial”, disse Garcia, ao detalhar os pilotos com Passkeys previstos para o primeiro semestre de 2026. A Visa também avança no suporte a agentes autônomos de compra que realizam desde a reposição de itens recorrentes até a etapa de pagamento, seguindo regras definidas pelo usuário.
Para que esses agentes operem com segurança, a inteligência artificial recebe credenciais tokenizadas e transaciona sob políticas rígidas de autorização. Segundo Garcia, o VIC faz a ponte entre as partes, garantindo verificações pré-transacionais. A plataforma assegura que cada agente consiga “receber o arcabouço de segurnaça da Visa e validá-la antes de transacionar”.
Cibersegurança: IA contra IA e VPA2A no Pix
O avanço da IA também ampliou a sofisticação dos ataques. Gustavo Carvalho, vice-presidente de Serviços de Valor Agregado, descreveu o ano de 2025 como o ponto em que fraudadores passaram a usar ferramentas generativas e agentes automatizados em escala. “Vimos um aumento de 450% nas menções a agentes de IA ligadas a fraude”. Entre janeiro e junho, transações iniciadas por bots cresceram 25% globalmente, e ataques de enumeração seguem como o vetor mais comum.
Para responder a esse cenário, a Visa afirma operar sistemas que bloqueiam mais de 500 tentativas de fraude por minuto, além de ter elevado para US$13 bilhões o investimento global em segurança nos últimos cinco anos. A estratégia combina modelos de IA para predição de risco, monitoramento em tempo real e ferramentas específicas para pagamentos conta a conta, incluindo Pix.
Entre as novidades, o Visa Protect Account to Account (VPA2A) se destaca como um score de prevenção que atua tanto no envio quanto no recebimento no ecossistema instantâneo. No piloto brasileiro, foram analisadas 5 milhões de transações, com identificação de 317 golpes e 82% de detecção. A ferramenta será disponibilizada amplamente em 2026, com resposta em milissegundos e foco em contas laranja e fluxos típicos de lavagem de dinheiro.
PMEs: crédito, Currency Cloud e automação financeira com IA
O segmento de pequenas e médias empresas é citado como prioridade estratégica. Segundo Marcela Pinori, vice-presidente de Soluções Comerciais, as PMEs respondem por dois terços do volume B2B analisado pela Visa e ainda mantêm baixo nível de digitalização. Em estudo com mais de 2 mil empresas, o que as PMEs mais buscam é “vender mais, gastar menos e facilitar a gestão”, pilares que passaram a orientar novos produtos.
Para ampliar o acesso a crédito, a Visa lançou um score de crédito específico para PMEs, calculado com base no histórico de recebíveis, não no uso do cartão. Segundo Pinori, o modelo permite aumentar em até 5 pontos percentuais a aprovação de limites e melhorar o ciclo de renovação do cliente, o que tende a acelerar a inclusão financeira e o capital de giro. O desenho é voltado a emissores e parceiros que desejam embutir risk scoring mais granular em suas jornadas.
Para empresas com operação internacional, a novidade é a chegada ao Brasil, em 2026, da Currency Cloud, plataforma adquirida pela Visa em 2021. A solução permitirá que emissores ofereçam contas multimoedas com uma única integração, operação em até 31 moedas fiduciárias e mecanismos de conversão automática. “É uma conexão única com a Visa, que faz todo o trabalho por trás”, afirmou Pinori.
Apesar da familiaridade crescente com ferramentas digitais, a pesquisa mostra que quase metade das PMEs ainda administra finanças fora do ambiente digital, com cadernos e anotações manuais. Ao mesmo tempo, 82% já tiveram contato com alguma solução de inteligência artificial, mas apenas 31% a utilizam efetivamente nos negócios, o que abre espaço para IA agêntica aplicada a rotinas financeiras e tomada de decisão.
Nesse contexto, a Visa apresentou uma parceria de IA generativa capaz de estruturar contas a pagar, contas a receber e previsões de fluxo de caixa em um único painel, consolidando dados via open finance. Segundo Pinori, 90% dos processos rotineiros passam a ser automatizados e cerca de 85% das projeções geradas pelo modelo se confirmam na prática. Para 2026, a expectativa é que a combinação de IA agêntica, tokenização, passkeys e proteções antifraude acelere a digitalização das PMEs, com ganhos de eficiência e redução de perdas.