A recuperadora de crédito Global – Hub de Soluções de Relacionamento e Cobrança prevê um avanço expressivo nas negociações de títulos vencidos no país. Segundo a companhia, a operação deve processar mais de 1,8 milhão de títulos em atraso até o fim de 2025, totalizando mais de R$ 2,1 bilhões em valores originados de 2,5 mil empresas brasileiras. O movimento reforça a trajetória recente, em que a empresa afirma ter recuperado mais de R$ 3 bilhões nos últimos cinco anos.
Impulsionada pela digitalização da cobrança B2B, a Global relata que as soluções digitais têm participação crescente nos acordos firmados. Atualmente, 54% das negociações ocorrem por canais digitais, com destaque para o WhatsApp, ferramenta presente em 45% dos acordos. A companhia também utiliza ferramentas autônomas e sua própria inteligência artificial, a Soph-IA, que já responde por 10% das regularizações.
Para sustentar a expansão, a empresa combina automação, análise de dados e atuação humana qualificada na recuperação de crédito. “Os canais digitais permitem contato conforme a disponibilidade do devedor. Mesmo com ferramentas automatizadas, a atuação humana continua indispensável no processo de negociação”, afirma Jackson André de Sá, presidente do Conselho da Global.
Digitalização da cobrança acelera acordos e melhora a experiência do devedor
A aposta em canais digitais trouxe ganho de escala e velocidade à operação de uma recuperadora de crédito com foco corporativo. Ao concentrar 54% das negociações em plataformas digitais, a empresa afirma reduzir fricções na jornada de renegociação, expandindo o alcance e personalizando abordagens conforme o perfil do devedor e a natureza do débito.
O WhatsApp se consolidou como o principal canal de contato, aparecendo em 45% dos acordos. Segundo a companhia, a adoção de bots, fluxos conversacionais e notificações contextuais aumentou o engajamento, sem abrir mão do acompanhamento humano nas etapas de proposta, contraproposta e formalização de acordos.
Outro vetor é a inteligência artificial. Com a Soph-IA e outras ferramentas autônomas, a Global informa que já regulariza 10% das pendências de maneira automatizada, ajustando o tom, a janela de contato e o canal de preferência. A empresa ressalta, porém, que a mediação humana permanece decisiva na construção do acordo final, sobretudo em negociações complexas de títulos vencidos no ambiente B2B.
De duplicatas domésticas à IA: a jornada de tecnologia e expansão
A história da Global começa em 1994, em Joinville, quando Edson André de Sá, então gestor financeiro, passou a levar para casa as duplicatas que não eram cobradas dentro do prazo operacional. A atividade, inicialmente doméstica e com apoio da família, evoluiu para uma recuperadora de crédito voltada ao ambiente corporativo, com processos estruturados e foco em escalabilidade.
Desde os primeiros anos, a empresa investiu em tecnologia. Ainda na era da internet discada, disponibilizou a seus clientes acesso remoto às informações de cobrança, fornecendo visibilidade sobre títulos, pagamentos e pendências. No fim da década de 1990, ampliou a atuação para Paraná e Rio Grande do Sul e criou o escritório jurídico André de Sá Advogados Associados, especializado em cobrança judicial, complementando a atuação extrajudicial.
Na sequência, o desenvolvimento de sistemas próprios conectou a operação aos ERPs dos clientes, viabilizando troca diária de arquivos e acompanhamento automatizado de recebimentos. Esse modelo sustentou a abertura da primeira sede própria em 2002, em Joinville, e impulsionou a formação de um ecossistema com novas empresas: Gestão One (B2C), Connect Smart Data (Big Data), Neocredit (análise de crédito), Global Plus (SaaS para gestão de cobrança) e My Loop (plataforma omnichannel e IA generativa). Hoje, o grupo reúne mais de 900 colaboradores em unidades em Santa Catarina, Paraná e São Paulo.
Estrategia por setor: como a inadimplência B2B molda a negociação
Com o avanço da carteira, a Global passou a diferenciar procedimentos conforme o setor econômico, reconhecendo que a inadimplência B2B varia de acordo com o tipo de contrato, o papel do insumo no processo produtivo e o padrão de pagamento dos compradores. O objetivo é calibrar abordagem, prazos e propostas a partir do contexto operacional de cada cliente e devedor.
Nessa linha, a companhia destaca que a dinâmica de serviços e produtos impacta a recuperação. “No segmento de TI, a interrupção do serviço após o não pagamento reduz a perda, mas tende a diminuir a recuperação posterior. Em alimentos e bebidas, a dinâmica é distinta porque supermercados e restaurantes não podem operar sem itens básicos do estoque”, afirma André de Sá. Essa leitura orienta a atuação da recuperadora de crédito, do desenho das réguas de contato à priorização de carteiras e canais.
O horizonte para 2025, segundo a empresa, combina escala digital, IA aplicada e mediação humana para acelerar acordos, preservando relacionamento e continuidade operacional dos clientes. Ao projetar o processamento de mais de 1,8 milhão de títulos, superando R$ 2,1 bilhões em valores, a Global aposta no uso intensivo de dados, no WhatsApp como plataforma transacional e na evolução de soluções como a Soph-IA, sem abrir mão da negociação assistida por especialistas.
Para um ambiente de negócios desafiador, com pressão sobre capital de giro e custos financeiros, a padronização de rotinas, a integração com ERPs e a atuação multicanal tornam-se diferenciais na recuperação de crédito. A estratégia anunciada pela Global busca transformar esse arcabouço em ganhos de eficiência, menor tempo de regularização e aumento da taxa de conversão em títulos vencidos, pilares que ajudam a sustentar o crescimento previsto pela recuperadora de crédito no ciclo de 2025.