Futuro da IA no Brasil: 64% dos brasileiros estão entusiasmados, índice da EY supera média global e deixa EUA e Reino Unido para trás

AI Sentiment Index da EY aponta entusiasmo com o futuro da IA acima da média de 55%, e adoção cautelosa da IA generativa com demanda por governança de dados

O Brasil demonstra um apetite elevado por inovação em inteligência artificial, com 64% dos brasileiros dizendo estar entusiasmados com o futuro da IA, segundo o AI Sentiment Index, levantamento global da EY que ouviu mais de 15 mil entrevistados em 15 países. O resultado coloca o país acima da média global de 55%, sinalizando um ambiente favorável à adoção de soluções inteligentes, tanto no dia a dia das pessoas quanto no ambiente corporativo.

No recorte global, o Brasil aparece com o sexto maior índice de entusiasmo, à frente de economias como Estados Unidos, Japão, França, Reino Unido e Austrália. A liderança fica com Índia e China, com 84% e 83%, respectivamente, seguidas por Emirados Árabes Unidos (78%), Arábia Saudita (76%) e Coreia do Sul (66%). As entrevistas foram realizadas entre dezembro de 2024 e fevereiro deste ano, capturando um retrato atualizado da percepção pública sobre a tecnologia.

Brasil aparece entre os mais otimistas, com sinal claro de confiança nas oportunidades

O estudo reforça que a percepção sobre a IA varia conforme fatores culturais e de contexto, além de traços demográficos como idade, educação e localidade. Para o sócio-líder de inteligência artificial e dados da EY Brasil, Andrei Graça, há camadas comportamentais decisivas nessa relação. “A adoção da IA e sua percepção em relação a ela não são uniformes em todo o mundo, fatores demográficos como idade, educação e localidade desempenham um importante papel em como as pessoas se relacionam com essa tecnologia”, afirma. Em complemento, Graça destaca que as características psicográficas são determinantes: “Mas, ainda segundo a pesquisa, os fatores mais críticos são aqueles de ordem psicográfica, que medem as características psicológicas e comportamentais. Fazem parte deles a forma como as pessoas pensam, seus valores e respostas emocionais em relação à IA”.

Em meio ao avanço do futuro da IA, o Brasil se destaca por combinar entusiasmo com uma visão pragmática sobre riscos e governança. O índice acima da média global indica confiança nos benefícios de longo prazo, como aumento de produtividade, novas oportunidades de trabalho e expansão de serviços digitais, porém aliado à atenção para práticas responsáveis e à necessidade de regulação clara.

Seis perfis mostram como o brasileiro se relaciona com a tecnologia

Para traduzir as diferenças de percepção, o AI Sentiment Index mapeou seis personas que refletem comportamentos diante da IA. No Brasil, predominam os “campeões de tecnologia”, com 28% da amostra, acima da média global de 23%. Esse grupo reúne usuários frequentes, confortáveis com a integração da tecnologia no cotidiano, que enxergam benefícios de longo prazo sem ignorar riscos, defendendo regulação e governança para mitigá-los, um sinal claro de maturidade na adoção.

Na sequência aparecem os “usuários hesitantes”, com 22% no Brasil, frente a 17% globalmente. Eles reconhecem ganhos potenciais, porém estão preocupados com informação falsa e privacidade de dados, além de receios sobre empregabilidade e transparência dos sistemas. Em terceiro lugar surge o grupo dos “despreocupados”, com 15% no país e 13% na média global, tipicamente mais jovem, que valoriza a conectividade e benefícios sociais trazidos pela IA, com menor foco nos riscos.

Dois perfis empatam em seguida, ambos com 12%: os “otimistas precavidos”, formados em grande parte por profissionais urbanos jovens, que veem a IA como ferramenta para progredir na carreira e reduzir desigualdades, e os “rejeitadores de IA”, concentrados fora dos centros urbanos, que priorizam a conexão humana e defendem regulação forte por preocupação com manipulação social. Por fim, os “espectadores passivos” somam 11% no Brasil, abaixo da média global de 15%, mostrando indiferença à adoção, porém atentos à desinformação e à dificuldade de distinguir conteúdo real e falso.

Adoção de IA generativa avança com cautela, foco em governança e valor combinado

Nas empresas, a IA generativa avança em ritmo controlado, com atenção a segurança, conformidade e risco reputacional. Segundo o estudo Reimagining Industry Futures, produzido pela EY, a maioria dos tomadores de decisão reconhece que é preciso fortalecer a base para capturar valor de maneira sustentável. “O mercado e a sociedade já reconheceram a necessidade de criar regras que disciplinem a utilização dos sistemas de IA. As empresas já contam com uma governança para garantir que a tecnologia seja usada para trazer os benefícios esperados, sem que isso resulte em riscos reputacionais e prejuízos financeiros”, observa Telma Luchetta, sócia-líder da EY em Generative AI, Data e Analytics Latam.

Os dados reforçam essa direção. “Independentemente da tecnologia emergente, 74% dos respondentes consideram que suas organizações precisam de melhor governança em dados para maximizar o potencial desses recursos.” Em complemento, “75%” acredita que suas organizações necessitam de melhor entendimento de como as diferentes tecnologias emergentes podem ser combinadas para criar valor. Em outras palavras, o próximo passo do futuro da IA no Brasil passa por governança robusta, capacitação e integração de soluções, para transformar entusiasmo em resultados concretos.

Com a sociedade mais confiante e as empresas afinando estratégias, o país tem a oportunidade de converter o alto interesse pelo futuro da IA em produtividade, inovação e competitividade. O desafio, agora, é acelerar a adoção com responsabilidade, intensificar o combate à desinformação e ampliar a alfabetização digital, assegurando que benefícios cheguem a todos os perfis mapeados pelo AI Sentiment Index.

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