Páginas falsas na Black Friday: Brasil tem picos de 180 sites maliciosos por hora com explosão de golpes automatizados

Fraudes escalam às vésperas das promoções e expõem consumidores a riscos crescentes

O Brasil vive uma escalada sem precedentes de páginas falsas na Black Friday. Um levantamento do time de threat intelligence da Redbelt Security identificou 5.125 novas páginas fraudulentas ativas entre 1º e 24 de novembro e, com base nesse ritmo, a consultoria estima que o país já pode estar registrando picos de até 180 novos sites falsos por hora. Segundo a empresa, a projeção é matemática, fundamentada nos dados monitorados até o momento, e reflete a migração de quadrilhas para modelos automatizados de disseminação de golpes.

A análise mostra uma curva de crescimento acelerado ao longo do mês. Na primeira semana, de 1º a 7 de novembro, foram 881 páginas falsas, média de 126 por dia. Entre 8 e 14 de novembro, o número subiu para 1.233, alta de 40 por cento, com pico de 286 novos domínios maliciosos em 10 de novembro, evidência de uma campanha coordenada em andamento. O avanço mais expressivo ocorreu de 15 a 21 de novembro, quando 2.423 novas páginas foram identificadas, quase o dobro da semana anterior, alta de 96 por cento.

Com a tendência ascendente e a proximidade da data promocional, a expectativa da Redbelt Security é de que o total acumulado ultrapasse seis mil URLs fraudulentas até a próxima sexta-feira. No período mais ativo, de 15 a 21 de novembro, esse ritmo equivale a aproximadamente 346 páginas por dia, cerca de 14 por hora e uma nova página fraudulenta a cada quatro minutos. Considerando oscilações nas campanhas criminosas, o monitoramento indica que os momentos de pico já podem ter atingido até 180 páginas falsas por hora.

Automação, IA e a profissionalização dos golpes

Para a Redbelt Security, os números revelam uma mudança de patamar no cibercrime, com uso intensivo de automação e inteligência artificial para acelerar a produção de conteúdo malicioso. O CEO da companhia, Eduardo Lopes, sintetiza o fenômeno observado no monitoramento. “A velocidade de criação dessas páginas mostra que os grupos estão usando automação e IA para ajustar conteúdos, testar variações e ampliar o alcance dos ataques”, afirma. Segundo ele, o período pré-Black Friday é especialmente sensível, já que os criminosos se aproveitam do aumento de buscas por ofertas, dos pagamentos rápidos por mobile e da alta circulação de links em redes sociais e mensagerias.

Lopes ressalta que esse apelo tem um componente emocional, que diminui a capacidade de checagem do consumidor. “Vale ressaltar que, sempre que houver algum tema impactante, haverá algum tipo de fraude associado. A Black Friday mexe com o sentimento de desejo das pessoas; elas ficam mais suscetíveis à emoção do que à razão.” Em um cenário de páginas falsas na Black Friday surgindo a cada poucos minutos, as campanhas passam a operar como verdadeiras esteiras automatizadas, com ajuste rápido de mensagens e criativos para contornar derrubadas e filtros.

Como os golpistas tornam os sites fraudulentos mais críveis

O mapeamento mostra que as páginas maliciosas replicam elementos visuais de grandes varejistas, companhias aéreas, marketplaces e plataformas de viagem. O foco recai sobre produtos de alta demanda, como eletrônicos e passagens, em geral com preços atraentes o bastante para fisgar a atenção e acelerar a decisão de compra. O uso de IA permite que criminosos modifiquem textos, imagens e elementos gráficos em poucos minutos, o que complica a identificação por usuários e dificulta a atuação de bloqueios automatizados.

Essa capacidade de recomposição mantém o golpe ativo mesmo após derrubadas pontuais de domínios, já que novas páginas são geradas com pequenas variações de URL, layout e conteúdo. Com a disputa por cliques mais acirrada na semana promocional, links circulam rapidamente em apps de mensagem e redes sociais, o que potencializa o alcance das fraudes. Para o consumidor, o efeito é um ambiente saturado de páginas falsas na Black Friday, onde sinais tradicionais de alerta, como erros grosseiros de português ou logos desalinhadas, já não são suficientes para distinguir uma oferta real de um golpe.

Boas práticas para reduzir o risco durante a semana de ofertas

À medida que se aproxima a sexta-feira, 28, especialistas reforçam medidas básicas que ajudam a reduzir o risco em meio à explosão de páginas falsas na Black Friday. A principal orientação é checar a URL completa, incluindo domínio e possíveis alterações sutis, antes de inserir dados pessoais ou concluir um pagamento.

  • Evite acessar links recebidos por mensagens, prefira digitar o endereço diretamente no navegador.
  • Desconfie de preços muito abaixo da média, mesmo em períodos promocionais, e compare ofertas em diferentes canais oficiais.
  • Observe a qualidade visual da página, como imagens, logos e diagramação, buscando sinais de clonagem.
  • Confira o uso de HTTPS, lembrando que o cadeado não garante autenticidade, mas contribui para a segurança da comunicação.
  • Mantenha a autenticação em dois fatores ativada e monitore extratos durante toda a semana de promoções.

Para além dessas práticas, vale adotar uma postura de verificação constante, validando ofertas diretamente nos canais oficiais das marcas e evitando compras impulsivas. Em um cenário de alta de fraudes digitais, com picos de criação de sites que beiram centenas por hora, a combinação de cautela, fontes confiáveis e camadas adicionais de segurança é a melhor defesa do consumidor.

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