Brasil é o principal alvo de ciberataques em Linux e Mac na América Latina, aponta Kaspersky

Brasil é o principal alvo de ciberataques na região, com 385 mil ataques bloqueados em Linux e 180 mil em Macs entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo o Panorama de Ameaças da Kaspersky

O Brasil é o principal alvo de ciberataques em computadores que rodam Linux e Mac na América Latina, de acordo com o Panorama de Ameaças da Kaspersky. No período entre agosto de 2024 e julho de 2025, a empresa registrou 385 mil ataques bloqueados em sistemas Linux e 180 mil bloqueios em computadores da Apple no país. Os dados reforçam uma tendência de foco dos criminosos em plataformas antes percebidas como mais seguras, impulsionada pela popularidade dos Macs e pelo uso massivo de Linux em servidores, infraestruturas críticas e dispositivos de Internet das Coisas, conhecidos como IoT.

Para o usuário final e para as organizações, o recado é claro. Brasil é o principal alvo de ciberataques na região, e os agentes maliciosos intensificam táticas que exploram vulnerabilidades, abusam de ferramentas legítimas e implantam códigos que garantem persistência silenciosa. Nesse cenário, manter sistemas atualizados, aplicar correções assim que disponíveis e adotar camadas de proteção tornou-se essencial para reduzir riscos e garantir a continuidade de operações.

Números do relatório: Linux e Mac sob ataque no país

O levantamento da Kaspersky aponta um volume expressivo de incidentes bloqueados. Em servidores e estações que rodam Linux, foram contabilizados 385 mil ataques em um ano, enquanto em computadores Mac os sistemas de proteção da companhia interromperam 180 mil tentativas de comprometimento no mesmo período.

No recorte por famílias de ameaças, a diversificação de técnicas chama a atenção. No Brasil, os ataques mais frequentes no sistema Linux foram o “Backdoor.Linux.Prometei” (18,17%), um tipo de malware que cria uma porta dos fundos no sistema, permitindo que invasores tenham acesso remoto, e o “Exploit.Linux.DLink” (7,14%), código malicioso que aproveita falhas de segurança em roteadores e dispositivos D-Link. Em máquinas da Apple, destacaram-se “RiskTool.OSX.Miner.gen” (14%), com foco em mineração de criptomoedas sem consentimento, e “Exploit.OSX.Dypti” (12,91%), que explora vulnerabilidades específicas em sistemas Mac.

Segundo Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina, a percepção de que Linux e Mac seriam imunes perdeu força diante do cenário atual. Ele explica: ” Antigamente acreditava-se que esses sistemas seriam inerentemente mais seguros, porém essa premissa não se sustenta mais diante da sofisticação dos atacantes. A alta utilização de Linux em infraestruturas críticas, servidores e dispositivos IoT o torna um alvo importante. Da mesma forma, a crescente popularidade dos computadores da Apple, com sistema Mac atrai a atenção de cibercriminosos. “É fundamental que empresas, órgãos públicos e usuários adotem uma postura proativa em relação à segurança. A proteção não é opcional, mas uma necessidade contínua. Manter sistemas atualizados, usar soluções de segurança confiáveis e aplicar senhas fortes são medidas básicas, porém essenciais, para reduzir riscos e proteger dados e operações”, completa Fabio Assolini.

O que atinge Linux no Brasil: backdoors e exploração de falhas em dispositivos de rede

Em ambientes Linux, os criminosos têm concentrado esforços em backdoors de acesso remoto e em exploração de falhas conhecidas em equipamentos de rede. O destaque para o Backdoor.Linux.Prometei mostra uma estratégia que privilegia persistência e controle do host, abrindo caminho para movimentação lateral, exfiltração de dados ou uso do ativo em redes de botnets. Já a incidência de Exploit.Linux.DLink evidencia que roteadores e dispositivos de fabricantes populares se tornaram portas de entrada convenientes, sobretudo quando desatualizados.

Esse cenário exige atenção especial em servidores, data centers e ambientes de nuvem. Práticas como gestão de patches, segmentação de rede, inventário rigoroso de ativos e desativação de serviços desnecessários reduzem a superfície de ataque. Adoção de chaves SSH com criptografia forte, rotação de credenciais, logging centralizado e verificação contínua de integridade complementam a defesa, reforçando a resiliência frente a ciberataques cada vez mais oportunistas.

O que atinge Macs no Brasil e como reduzir riscos no dia a dia

Nos computadores da Apple, o levantamento destaca a presença de ferramentas de risco usadas para mineração de criptomoedas sem consentimento e a exploração de vulnerabilidades específicas do ecossistema macOS. O RiskTool.OSX.Miner.gen busca desviar recursos de processamento, degradando o desempenho e elevando custos de energia, enquanto o Exploit.OSX.Dypti aponta que exploits continuam a ser um vetor efetivo contra usuários que não aplicam atualizações com regularidade.

Para reduzir a exposição, é essencial manter o macOS e aplicativos atualizados, inclusive navegadores e extensões. Adoção de soluções de segurança confiáveis, uso de senhas fortes e exclusivas, e ativação de autenticação de dois fatores onde disponível diminuem o impacto de campanhas de phishing e tentativas de escalonamento de privilégios. Em ambientes corporativos, políticas de gestão de dispositivos, restrição de execução de softwares não autorizados e monitoramento de comportamento ajudam a detectar condicionais típicas de miners e exploits.

Com os números mais altos da região, o Brasil é o principal alvo de ciberataques em Linux e Mac, o que torna mandatória uma postura proativa. Consolidar inventários, fechar brechas conhecidas, treinar usuários e validar continuamente a eficácia dos controles são passos que, combinados, diminuem drasticamente as oportunidades para os atacantes. A mensagem do relatório é inequívoca, enfrentar o problema com disciplina e tecnologias adequadas é a melhor forma de proteger dados e operações.

Rolar para cima