Em entrevista à TI INSIDE, Maria Bezerra detalha a estratégia da Sigma Software, com foco em AdTech, IA e expansão regional a partir do Brasil
A Sigma Software entrou em um novo estágio de maturidade no país após completar três anos de atuação no Brasil. A multinacional sueco-ucraniana, reconhecida globalmente como consultoria de tecnologia, projeta uma aceleração de crescimento no mercado local e na América Latina, com a ambição de dobrar o número de consultores até 2026. Em entrevista à TI INSIDE, Maria Bezerra, chefe de Operações da Sigma Software no Brasil e Latam, explicou como a empresa vem consolidando seu hub regional, quais setores puxam a demanda e onde estão as maiores apostas tecnológicas para os próximos anos.
Por que o Brasil é o hub da Sigma Software na Latam
Embora a Sigma Software esteja presente em mais de 20 países, a decisão de estabelecer o Brasil como base estratégica para a região partiu de um critério central: capacidade técnica. Segundo Bezerra, o país reúne o maior volume de desenvolvedores da América Latina e um ecossistema vibrante de criação de tecnologia, indo além do modelo tradicional de outsourcing. Nas palavras da executiva, “A Ucrânia é um polo tecnológico europeu. Quando percebemos que o Brasil reunia profissionais altamente qualificados e um ecossistema de criação de tecnologia, ficou claro que seria o mercado ideal para nosso hub Latam”, explica Bezerra.
Com uma operação estruturada de forma 100% remota, a Sigma Software já distribui consultores entre Brasil, Argentina, Colômbia, México e Costa Rica, somando mais de 100 especialistas somente na região. Essa configuração permite ampliar a capacidade de entrega em múltiplos fusos, atender clientes globais e acelerar a ocupação de vagas técnicas em projetos complexos.
Para 2026, a prioridade é fortalecer o papel do Brasil como hub, expandir a presença regional e avançar no posicionamento de marca. A estratégia combina crescimento orgânico, investimentos em competências críticas e construção de comunidades técnicas, um caminho que a empresa considera essencial para sustentar a escalabilidade do negócio na Latam.
Modelo de consultoria, setores prioritários e diferenciais
A Sigma Software opera com um modelo agnóstico de linguagens e setores, cobrindo Java, JavaScript, Python, Golang e stacks modernas, além de projetos em aviação, saúde, telecom, varejo pet, AdTech, gamificação e tecnologia nativa digital. A entrega ocorre em duas frentes principais: desenvolvimento completo de software, atuando como software house, e ampliação de workforce, alocando especialistas dentro das estruturas técnicas dos clientes.
O diferencial, segundo Bezerra, está no vínculo de longo prazo com os profissionais, mesmo quando alocados em projetos de terceiros. Em vez de contratos por projeto, a companhia prioriza relações contínuas e fortalecimento de cultura interna, prática que se distancia do mercado local de outsourcing em TI e contribui para manter qualidade e produtividade ao longo do ciclo de vida dos produtos.
No Brasil, a porta de entrada foi o segmento de AdTech, que continua sendo o carro-chefe, com atendimento a plataformas globais de advertisement. Trata-se de uma especialidade ainda pouco difundida entre desenvolvedores brasileiros, mas que a empresa vem ajudando a consolidar por meio de formação e prática. Outros pilares ganham força, como aviação, com unidades de negócio dedicadas, telecom, com projetos de larga escala, saúde, com foco em integrações e product design, e varejo pet, com soluções de pagamentos e infraestrutura digital. A companhia mantém ainda uma business unit de design que cobre UX, UI e product design, com perspectiva de expansão no país.
IA, machine learning e cibersegurança: as próximas frentes de crescimento
No plano internacional, a Sigma Software já opera times robustos em machine learning, IA aplicada e blockchain, parte deles ligados ao braço de inovação Sigma Software Labs. A projeção é ampliar essa presença também no Brasil, acompanhando a demanda de clientes globais por soluções de dados, automação e segurança.
A área de cibersegurança, embora ainda sem especialistas brasileiros contratados, começou a ganhar tração entre 2024 e 2025, com expectativa de intensificação no próximo ciclo. Para reduzir lacunas de conhecimento, a empresa aposta na Sigma Software University, uma plataforma interna de formação que treina desenvolvedores globalmente, inclusive em nichos pouco dominados no país, como AdTech. Como resume Bezerra, “Não deixamos de contratar porque a pessoa não domina determinado segmento. Se ela tem base técnica, nós treinamos internamente”, reforça Bezerra.
Além de cursos e trilhas de capacitação, a estratégia inclui mentoria, incentivo a palestras, ações em comunidades e realização de eventos técnicos, iniciativas consideradas essenciais para acelerar a senioridade do mercado latino-americano e elevar o padrão de entrega nos projetos da Sigma Software.
Com o crescimento ancorado em competências técnicas e na consolidação do hub brasileiro, a meta é clara. Nas palavras da executiva, “Queremos duplicar o número de profissionais na região e fortalecer ainda mais a marca. O Brasil segue como prioridade absoluta”, afirma. A companhia aponta que esse avanço virá da diversificação de portfólio, da expansão do ecossistema de inovação, do fortalecimento das comunidades técnicas e de uma abordagem disciplinada de execução, fatores que devem sustentar a aceleração planejada para 2026.
Para o mercado, a sinalização é de que a Sigma Software pretende disputar protagonismo nos segmentos de AdTech, IA, machine learning e cibersegurança a partir do Brasil, conectando a base local de talentos a projetos globais, com uma operação 100% remota e foco em qualidade, escala e continuidade.