Ciberataques no Brasil disparam em novembro de 2025: 3.348 ataques semanais por organização, acima da média global, segundo Check Point Research

O novo Relatório Global de Inteligência de Ameaças da Check Point Research revela um cenário de alerta para a cibersegurança no país. Enquanto a média mundial ficou em 2.003 ciberataques por organização por semana em novembro de 2025, o Brasil registrou 3.348 ocorrências semanais por organização, resultado que coloca o mercado brasileiro acima dos índices regional e global.

De acordo com a pesquisa, houve uma alta de 3% nos ataques em relação a outubro e de 4% em comparação com novembro de 2024 no panorama global. Na América Latina, a média foi de 3.048 ataques semanais por organização, com crescimento de 17% ano a ano, mas o desempenho brasileiro se manteve à frente desse patamar.

Brasil acima da média regional e global

O monitoramento da Check Point indica que o país ampliou a distância para a média mundial ao somar 3.348 ciberataques semanais por organização, uma evolução de 14% em relação a 2024. O dado reforça a escalada de ciberataques no Brasil e a necessidade de prevenção contínua.

Na fotografia regional, a América Latina concentrou os maiores volumes de ofensivas, com 3.048 ataques por organização por semana, alta de 17% ano a ano. Já a região APAC manteve o nível de ataques com variação de −0,1% anual, a África apresentou queda de −13% anual, a Europa registrou leve redução de 1%, enquanto a América do Norte avançou 9% no ano, impulsionada pela intensificação do ransomware.

No recorte por setores, o relatório aponta que a Educação seguiu como o alvo preferencial no mundo, com 4.656 ataques semanais por organização, aumento de 7% em relação ao ano anterior. Em seguida aparecem as instituições governamentais, com 2.716 ataques semanais, alta de 2% ano a ano, e as associações e Organizações Sem Fins Lucrativos, que tiveram 2.550 ataques por semana, um salto de 57% em relação ao ano anterior. No Brasil, os setores mais visados em novembro foram saúde, governo e, na sequência, educação, o que evidencia pressão crescente sobre serviços essenciais e operações críticas.

IA generativa amplia a exposição de dados

O uso acelerado de ferramentas de IA generativa nas empresas elevou a superfície de ataque. A Check Point Research identificou que, em 1º de novembro, a cada 35 solicitações de IA generativa enviadas por redes corporativas, uma apresentava alto risco de vazamento de dados, afetando 87% das organizações que a usam regularmente. Além disso, outros 22% dos alertas continham informações potencialmente sensíveis, como comunicações internas, dados de clientes, código proprietário ou dados de identificações pessoais.

Mesmo com parte do uso ocorrendo em plataformas gerenciadas, as organizações ainda utilizam, em média, 11 ferramentas de IA generativa diferentes por mês, a maioria provavelmente fora da governança formal de segurança. Segundo o relatório, esse cenário amplia o risco de exposição acidental de dados, e abre caminho para infiltrações maliciosas, ransomware e ciberataques baseados em IA.

Para a Check Point Research, a combinação entre ransomware mais sofisticado e a disseminação de IA generativa cria um vetor de risco adicional. Como resumiu Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research: “As estatísticas de novembro mostram que, além do crescimento constante no número total de ataques, há uma camada extra de preocupação no avanço da sofisticação dessas operações. A combinação da escalada do ransomware com o aumento da exposição de dados impulsionada pela IA generativa coloca mais ferramentas e oportunidades nas mãos dos atacantes para orquestrar campanhas profundamente danosas. Diante desse cenário, a única estratégia realmente eficaz é colocar a prevenção em primeiro lugar na estratégia, sustentada por IA em tempo real e inteligência proativa de ameaças para neutralizar ataques antes que gerem danos”.

Ransomware cresce 22% e muda o mapa dos alvos

O panorama de ransomware segue em alta. Em novembro de 2025, foram 727 incidentes públicos relatados globalmente, um avanço de 22% ano a ano. Os principais grupos observados foram Qilin e Clop, ambos com 15% das vítimas divulgadas, e o Akira, com 12%, sinalizando forte concentração de atividades em operadores conhecidos por táticas agressivas e por ataques a cadeias de fornecimento.

Geograficamente, a América do Norte respondeu por 55% de todos os casos divulgados, seguida pela Europa, com 18%. Somente os Estados Unidos representaram 52% dos incidentes globais, seguidos pelo Reino Unido, com 4%, e pelo Canadá, com 3%. No recorte por setor, os mais impactados foram manufatura industrial, com 12% das ocorrências, serviços empresariais, com 11%, e bens e serviços de consumo, com 10%.

Para empresas que operam no país, a combinação de crescimento de ciberataques no Brasil e a onda global de ransomware exige vigilância contínua, priorização de prevenção e alinhamento entre equipes de tecnologia, segurança e áreas de negócio. A avaliação da Check Point, destacada pelo portal TI Inside, reforça que a detecção em tempo real e a inteligência proativa de ameaças são hoje determinantes para reduzir a janela de exposição e mitigar impactos em escala.

Em síntese, os dados de novembro de 2025 mostram que a curva de risco segue ascendente. Com a pressão simultânea de ransomware e de IA generativa, proteger dados, processos e infraestrutura crítica se tornou uma prioridade estratégica, especialmente em um mercado que já enfrenta volumes elevados de tentativas de intrusão como os ciberataques no Brasil.

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