Investimentos em GenAI e automação ganham prioridade entre CPOs, elevam eficiência, reduzem custos e fortalecem a resiliência das cadeias de suprimentos
A 12ª edição do Global Chief Procurement Officer Survey 2025, da Deloitte, confirma que Investimentos em GenAI e automação já estão no centro da estratégia de compras corporativas. Com respostas de 265 CPOs de 10 setores, em 40 países, o levantamento mostra que executivos veem a transformação digital, especialmente por meio de soluções digitais e Inteligência Artificial Generativa, como alavanca decisiva para gerar eficiência, reduzir custos e mitigar riscos.
Entre as ações mais acionadas para savings, a renegociação de contratos aparece como prioridade para 41% dos líderes de compras, mesma fatia que cita a transformação digital como vetor de mudança e facilitador das demais estratégias. Outras frentes que ganham tração incluem maior colaboração com fornecedores (38%), consolidação de gastos (34%), gestão da demanda (33%) e resiliência de cadeias (29%), um reflexo do ambiente inflacionário e das disputas comerciais no cenário global.
No Brasil, o contexto é ainda mais desafiador, com inflação, juros elevados e a reforma tributária do consumo prevista para entrar em vigor a partir de janeiro de 2026, o que exige planejamento tributário, revisão de fornecedores e visibilidade sobre impactos na cadeia de valor.
“A transformação digital deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade incontornável nas operações de compras. As empresas que estruturarem suas áreas com base em dados, automação e inteligência artificial estarão mais preparadas para enfrentar as incertezas e aproveitar oportunidades estratégicas”, afirma Márcio Panassol, sócio de Business Process Solutions da Deloitte.
Prioridades dos CPOs em 2025: eficiência, transformação digital e GenAI
O estudo revela que, para este ano, cinco prioridades corporativas dominam a agenda: 72% dos CPOs apontam melhoria das margens pela redução de custos, 68% citam aumento de eficiência operacional, 67% destacam transformação digital e GenAI, 64% miram expansão orgânica e 63% buscam melhorar a gestão de risco. A diferença de menos de 10 pontos percentuais entre os itens indica que os executivos estão sendo cobrados a entregar valor de forma ampla e multidimensional.
Nesse contexto, Investimentos em GenAI e automação se consolidam como instrumentos para capturar ganhos iniciais e sustentá-los ao longo do tempo. “Vale ressaltar que tanto o aumento da eficiência operacional quanto a transformação digital e a GenAI são maneiras de não apenas reduzir custo, mas também perenizar ao longo dos anos subsequentes as reduções de custo obtidas”, explica Marcos Pereira, sócio de Supply Chain da Deloitte.
Digital Masters x Followers: quem captura mais valor da tecnologia
O levantamento distingue organizações na vanguarda, os Digital Masters, de empresas seguidoras, os Followers. Entre os líderes digitais, 62% priorizam a adoção de GenAI para tornar as cargas de trabalho mais ágeis e inteligentes, contra apenas 15% dos seguidores. Além disso, 60% dos Digital Masters já utilizam ferramentas de automação flexíveis, como orquestração de processos e soluções low-code/no-code, frente a 18% dos Followers.
Os orçamentos reforçam a tendência. Em média, CPOs alocam 20% do budget em tecnologia. Os Digital Masters direcionarão 24% no ano fiscal atual, com expectativa de 26% no próximo, enquanto os Followers estimam evolução de 18% para 19%. O retorno acompanha o apetite: o ROI médio em GenAI chega a 3,2x para líderes digitais, ante 1,6x para seguidores. A compreensão também difere, com 43% dos Digital Masters relatando boa ou ampla familiaridade com IA, versus 7% entre Followers. Esses líderes são ainda 1,5 vez mais propensos a aplicar tecnologias de próxima geração em analytics, processamento de faturas e compras.
“Não se trata apenas de implantar novas tecnologias, mas de criar as bases para uma mudança estrutural na forma como a área de compras gera valor. A combinação de tecnologia de ponta com um time qualificado e digitalmente fluente é o que diferencia os líderes em performance”, ressalta Giuliano Babbini, sócio de Soluções de Supply Chain & Network Operations da Deloitte.
Brasil em foco: talento, governança e qualidade de dados no centro da agenda
O cenário brasileiro pressiona por velocidade de adaptação. “Mais do que garantir abastecimento, os líderes da área de compras precisam construir cadeias mais estratégicas, diversificadas e preparadas para as mudanças tributárias internas e para responder rapidamente a choques externos. Isso demanda investimentos em mapeamento de riscos, revisão de fornecedores e maior visibilidade sobre os efeitos da reforma, para entender os impactos na cadeia de valor e preparar as operações. As empresas que fizerem essa preparação terão um diferencial de competitividade”, ressalta Giuliano Babbini, sócio de Soluções de Supply Chain & Network Operations da Deloitte.
A escassez de competências digitais é um obstáculo crítico. Apenas 4% dos CPOs dizem ter plena confiança na capacidade de suas equipes para executar a estratégia, e 36% identificam habilidades digitais como a principal lacuna de talento. Para capturar o potencial de Investimentos em GenAI e automação, as empresas que combinam tecnologia com capacitação estruturada vêm reportando retornos superiores, segundo a pesquisa.
A governança também exige atenção. Entre os maiores riscos internos, destacam-se qualidade dos dados (43,97%), segurança/compliance (35,41%) e capacidades internas de TI e IA (35/02%). No ambiente externo, prevalecem privacidade de dados (68,02%) e limitações dos provedores (43,72%). “O desafio da adoção da GenAI está tanto na tecnologia quanto na governança e no talento. É preciso ter uma estratégia clara de como aplicar essas ferramentas com responsabilidade, respeitando a integridade dos dados e capacitando as equipes para extrair valor real desses recursos”, completa Márcio Panassol.
Ao sinalizar um ponto de inflexão para a função de compras, o estudo reforça a importância de olhar além da eficiência imediata. “Os agentes de mudança serão aqueles que investirem com inteligência em tecnologia e talento. A revolução digital em compras não é apenas uma questão de eficiência – é uma oportunidade única de ampliar o impacto estratégico da função e posicioná-la como protagonista da inovação nas empresas”, conclui Marcos Pereira.