Na construção civil em 2026, empresas que centralizarem dados em ERPs, adotarem inteligência artificial e reforçarem compliance tributário e ESG tendem a ganhar vantagem, enquanto a CBIC projeta crescimento acima de 2025
A construção civil em 2026 entra em um ciclo no qual a estratégia baseada em dados deixa de ser diferencial e passa a ser condição de competitividade. O setor, pilar da economia brasileira, encara um cenário em que a Reforma Tributária, as exigências de ESG, a instabilidade de juros e os efeitos de um ano eleitoral tornam a gestão mais complexa, da infraestrutura pesada à gestão de ativos no mercado imobiliário.
Como resume o executivo Eduardo Pires, da TOTVS, “O setor da construção civil no Brasil se consolida como um pilar essencial da economia, mas o ano de 2026 exigirá mais do que força e resiliência: exigirá inteligência estratégica.” Segundo ele, “Estamos diante de uma confluência de fatores críticos: a implementação plena da Reforma Tributária, a pressão por regulamentações ESG, os desafios político-econômicos típicos de um ano eleitoral e a volatilidade dos juros, que redefine as regras do crédito imobiliário.”
Mesmo com os desafios, há espaço para crescimento. “Além disso, as projeções da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), são de que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil cresça mais do que o índice registrado em 2025, que deve fechar o ano com taxa de crescimento de 1,3%.” A sinalização reforça a necessidade de planos táticos e tecnologia aplicada para capturar essa expansão.
Compliance tributário e ESG no centro da operação
Na construção civil em 2026, a agenda de compliance tributário e de ESG tende a migrar do papel de projeto paralelo para a espinha dorsal das operações. O desenho tributário exigirá controle minucioso de créditos e débitos, além de simulações constantes para evitar perdas em cadeias complexas.
Nesse ponto, Pires destaca a mudança de patamar exigida pela legislação: “Em 2026, o compliance tributário irá requerer a preparação para uma melhor gestão fiscal que propiciará o correto aproveitamento de créditos em uma cadeia complexa.” Relatórios de sustentabilidade, por sua vez, devem ser lastreados em dados granulares e auditáveis por obra, fator decisivo para acesso a capital e para a confiança de investidores.
Ferramentas tradicionais já não dão conta da exigência regulatória. “Em ambos os cenários, a gestão baseada em planilhas se mostra insuficiente e arriscada. Apenas um sistema de gestão (ERPs) especializado, que automatiza a coleta de dados e permite simulações, garantirá a conformidade e a eficiência necessárias para transformar obrigações em vantagem competitiva.” Na prática, isso significa consolidar dados fiscais, de compliance e de ESG em um ERP integrado, reduzindo retrabalho, aumentando a produtividade administrativa e sustentando decisões de preço e de contratação com transparência e rastreabilidade.
IA para turbinar a gestão e evitar estouros de prazo e orçamento
A inteligência artificial deverá atuar como copiloto dos gestores, e não como substituta da equipe de campo. A escassez de mão de obra qualificada pressiona prazos e custos, e é justamente na orquestração dos recursos que a IA cria valor: previsão de estouros, replanejamento dinâmico, análise de produtividade e alocação fina das frentes de trabalho.
Como pontua Pires, “Seu valor não estará na substituição do trabalho manual em larga escala, mas sim na potencialização da capacidade de gestão.” Com base em dados históricos e em tempo real, algoritmos podem antecipar desvios de cronograma e orçamento, indicar gargalos logísticos e calibrar aquisições de insumos, elevando a rentabilidade e a conformidade com metas de ESG. Para a construção civil em 2026, a adoção de IA nos ERPs e nas plataformas de obra tende a ser decisiva para manter margens em um ambiente de juros voláteis.
Além disso, times de engenharia ganham uma camada de visibilidade sobre múltiplos canteiros, o que facilita a priorização de esforços e a gestão de riscos. Com esse arranjo, a empresa deixa de reagir aos problemas e passa a atuar de modo preditivo, aproximando planejamento e execução.
Real Estate: agilidade comercial integrada ao backoffice
No mercado imobiliário, incluindo vendas, locação e a gestão de shopping centers, a combinação de flutuação dos juros e novos modelos de crédito imobiliário exigirá respostas rápidas. As incorporadoras e gestoras que operarem com tecnologia de gestão de vendas integrada ao backoffice terão mais condições de ajustar estratégias de preço, descontos e prazos em tempo real, sempre com lastro fiscal e de compliance.
O encurtamento do ciclo de decisão, suportado por dados unificados no ERP, permite acompanhar o ciclo de vida do cliente de ponta a ponta, do lead ao pós-chaves, além de medir a performance dos ativos e identificar oportunidades de recomposição de portfólio. Em um quadro mais volátil, a capacidade de transformar sinais de mercado em ações comerciais pode definir quem preserva caixa e quem perde margens.
Pires sintetiza esse imperativo: “Sairá na frente quem tiver a capacidade de transformar dados de mercado em decisões comerciais rápidas e assertivas.” Essa é a lógica que deve orientar a construção civil em 2026, reduzindo a distância entre análise e execução.
No balanço, a mensagem do especialista reforça o caráter estratégico do próximo ciclo: “Em suma, 2026 será um ano para gestores estratégicos. A instabilidade não é motivo para paralisia, mas sim o principal catalisador para a modernização. As empresas que investirem em uma gestão centralizada e baseada em dados, estarão melhor não apenas para enfrentar as incertezas, mas para prosperar a partir delas, liderando o futuro da construção no Brasil.” Para quem atua na cadeia da construção, do canteiro ao Real Estate, o momento é de estruturar processos, consolidar dados e acelerar a adoção de IA e ERPs especializados, pavimentando resultados sustentáveis em 2026.