Contexto do avanço dos agentes de IA no Brasil
Os agentes de IA deixam de ser promessa e passam a guiar estratégias corporativas no país. Segundo a terceira edição do Índice Anual de Preparação para IA da Cisco, 92% das empresas brasileiras planejam implementar agentes de IA, um patamar acima da média global. No mundo, o levantamento mostra que 83% das organizações planejam implantar agentes de IA e, ainda, que quase 40% esperam que eles trabalhem ao lado de funcionários dentro de um ano. No Brasil, a expectativa é ainda mais acelerada, com 52% das empresas prevendo agentes operando junto aos times já no próximo ano.
Para a Cisco, o mercado entra em uma nova fase de maturidade. Como resumiu Jeetu Patel, presidente e diretor de Produtos da companhia, em citação do estudo: “Estamos superando a era dos chatbots que respondem a perguntas e entrando na próxima fase importante da IA: agentes que executam tarefas de forma independente”, disse. “O estudo de hoje mostra que mais de 80% das empresas no mundo estão priorizando soluções de agentes, com dois terços relatando que esses sistemas já estão atendendo ou superando suas metas de desempenho. As evidências apontam para uma enorme vantagem competitiva: as empresas que estão mais avançadas estão obtendo retornos significativamente maiores do que seus pares”, completa Patel.
Quem lidera: o perfil dos Pacesetters e o que os diferencia
O relatório identifica um grupo de alta performance, os Pacesetters, ou Empresas Referência, que supera seus pares em todas as métricas de valor da IA. Globalmente, eles representam cerca de 13% das organizações analisadas nos últimos três anos. No Brasil, essa fatia chega a 18%, acima da média mundial, embora abaixo dos 25% registrados na edição de 2024.
Os indicadores apontam que essas líderes tratam a IA como parte do negócio, não como projeto paralelo. Quase todos, 99%, têm um roteiro de IA definido, contra 58% no geral, e 91%, contra 35%, contam com um plano de gestão de mudanças. O compromisso aparece no orçamento, com 79% tornando a IA prioridade de investimento, frente a 24% da média, e 96% operando com estratégias de financiamento de curto e longo prazo, contra 43%.
Na infraestrutura, os Pacesetters já arquitetam para uma IA sempre ativa. 98% projetam suas redes para o crescimento, a escala e a complexidade da IA, ante 46% da média. Além disso, 71% dizem ter redes totalmente flexíveis, capazes de escalar instantaneamente para qualquer projeto, contra apenas 15% no geral, e 77% planejam investir em nova capacidade de data center nos próximos 12 meses, frente a 43%.
Em execução, 62% dos Pacesetters têm um processo de inovação maduro e repetível para gerar e escalar casos de uso, contra 13%, e 77% já finalizaram esses casos, ante 18%. Eles também medem o que importa: 95% rastreiam o impacto dos investimentos, e 71% estão confiantes na geração de novas receitas, mais que o dobro da média. No Brasil, a confiança é menor, com apenas 44% muito confiantes de que podem monetizar e aumentar a receita com IA. Em linha com essa vantagem operacional, a Cisco destaca que organizações mais preparadas têm 4x mais chances de levar projetos-pilotos à produção e 50% mais chances de ver valor mensurável. O efeito se traduz em resultados: 90% dos mais maduros relatam ganhos em lucratividade, produtividade e inovação, contra cerca de 60% no geral.
Ambição versus prontidão: a dívida de infraestrutura de IA
A corrida por agentes de IA evidencia fragilidades. Mais da metade das organizações, 54%, afirma que suas redes não conseguem escalar para a complexidade ou volume de dados exigidos, e apenas 15% descrevem suas redes como flexíveis ou adaptáveis. A Cisco alerta para a Dívida de Infraestrutura de IA, a acumulação silenciosa de compromissos, atualizações adiadas e arquitetura subfinanciada que corrói o valor da IA ao longo do tempo.
Os sinais de alerta incluem 62% esperando que as cargas de trabalho cresçam mais de 30% em três anos, 64% com dificuldade em centralizar dados, somente 26% com capacidade robusta de GPU, e menos de um em cada três com capacidade de detectar ou prevenir ameaças específicas de IA. No Brasil, 41% das organizações ainda estão no nível de menor prontidão, os chamados Followers.
Segurança e confiança também se tornam diferenciais competitivos. Entre os Pacesetters, 87% estão altamente cientes das ameaças específicas de IA, contra 42% no geral, 62% integram IA aos sistemas de segurança e identidade, contra 29%, e 75% dizem estar totalmente equipados para controlar e proteger agentes de IA, frente a 31%. A mensagem é clara: escala, governança e segurança caminham juntas para liberar valor sustentável.
Como capturar valor com agentes de IA
O estudo indica que a vantagem competitiva nasce de uma abordagem disciplinada e sistêmica. As empresas que priorizam arquiteturas de rede orientadas a crescimento, escala e complexidade, como fazem 98% dos Pacesetters, avançam mais rápido na produção de casos de uso com agentes de IA. A presença de um roteiro de IA e de um plano de gestão de mudanças, presente em 99% e 91% dos líderes, respectivamente, reduz fricções e acelera a adoção.
Investimentos em data centers e em capacidade computacional, planejados por 77% das empresas referência, somam-se à integração de IA em segurança e identidade para mitigar riscos. A medição rigorosa de impactos, com 95% dos líderes rastreando métricas, fecha o ciclo ao alinhar valor de negócio, eficiência e confiança. Em paralelo, a realidade brasileira, com 44% muito confiantes na monetização, reforça a importância de transformar pilotos em produção de forma repetível, escalável e segura.
Com a chegada dos agentes de IA ao dia a dia das equipes, o recado do Cisco AI Readiness Index é direto: o valor acompanha a prontidão. Quem constrói bases sólidas, equilibra estratégia e infraestrutura, e encara a dívida de infraestrutura de IA, define o ritmo que o mercado seguirá.